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Drone em pomares: Epagri testa técnicas de pulverização para fruticultura temperada em Santa Catarina

Pesquisas em Videira definem parâmetros de voo, vazão e mistura de produtos para tornar a tecnologia viável e segura para fruticultores do Meio-Oeste

Revisão: Derick Machado
17 de maio de 2026
in Agricultura
Drone em pomares: Epagri testa técnicas de pulverização para fruticultura temperada em Santa Catarina

A Estação Experimental de Videira, uma das mais antigas unidades da Epagri em Santa Catarina e prestes a completar 90 anos de história, está no centro de uma pesquisa que pode redefinir o manejo fitossanitário nos pomares do Meio-Oeste catarinense. Pesquisadores da unidade testam, em parceria com outros especialistas do setor, técnicas de pulverização com drones aplicadas diretamente à fruticultura de clima temperado, cultura que sustenta a economia de dezenas de municípios da região.

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A iniciativa surgiu de uma demanda concreta do setor produtivo. Com o avanço dos drones agrícolas no Brasil e em Santa Catarina, produtores de pêssego, ameixa, nectarina e uva passaram a buscar alternativas ao modelo convencional de pulverização, limitado pela topografia irregular dos pomares, pela escassez de mão de obra e pelos custos operacionais crescentes. A Epagri respondeu a esse cenário adquirindo um equipamento dedicado, que entrou em operação no segundo semestre do ano passado.

Parâmetros técnicos definidos no campo

Os testes não se restringem ao voo em si. O que a equipe de pesquisa busca definir são os critérios que determinam se a pulverização com drone será ou não eficiente na prática: altura ideal de voo em relação à copa das plantas, vazão adequada de calda, tamanho de gota gerado pelos bicos utilizados e compatibilidade entre os produtos fitossanitários e as condições de aplicação aérea. Cada uma dessas variáveis interfere diretamente na cobertura da planta e, consequentemente, na eficácia do controle de pragas e doenças.

Os voos são realizados tanto nas áreas experimentais da própria Estação quanto em propriedades rurais parceiras, o que permite aos pesquisadores confrontar os resultados obtidos em condições controladas com a realidade do campo comercial. Essa metodologia amplia a confiabilidade dos dados e acelera a validação das técnicas desenvolvidas.

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“Este é o foco: saber qual a melhor forma de usar o equipamento no dia a dia para os pomares. O drone entra como uma alternativa, e as pesquisas estão sendo feitas para tentar otimizar esta técnica que já é uma realidade no Brasil e Santa Catarina, mas que precisa de ajustes. Por isso, a Epagri está se propondo, junto a demais parceiros, a refinar esta tecnologia para que seja usada com segurança por todos os agricultores e fruticultores de Santa Catarina”, afirma o engenheiro-agrônomo André Luiz Kulkamp de Souza, gerente da Estação Experimental de Videira.

A definição desses parâmetros é o que separa o uso seguro do uso problemático da tecnologia. Drones agrícolas mal calibrados podem resultar em deriva de produto, subdosagem, contaminação de áreas vizinhas e até autuações por descumprimento das normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Assim, a pesquisa da Epagri não apenas orienta o produtor sobre como usar o equipamento, mas também protege juridicamente quem adota a tecnologia com respaldo técnico.

Da videira ao pêssego: culturas distintas, desafios específicos

A fruticultura de clima temperado reúne culturas com arquiteturas de copa bastante diferentes entre si, o que torna a padronização das técnicas de pulverização um desafio adicional. A videira conduzida em espaldeira, por exemplo, exige uma abordagem de voo completamente diferente da necessária para um pomar de pessegueiros em vaso. Essa diversidade morfológica obriga os pesquisadores a desenvolverem protocolos específicos para cada cultura, adaptando altura, velocidade e ângulo de aplicação.

Valdecir Perazzoli, pesquisador da Estação Experimental de Videira envolvido nos estudos, ressalta que a tecnologia de drone na fruticultura exige um nível de refinamento que vai além do que já foi desenvolvido para culturas extensivas como soja e milho. “Na fruticultura, a deposição do produto precisa atingir a parte interna da copa, onde as doenças e pragas se instalam. Isso exige ajustes que ainda estão sendo estudados e que dependem de cada cultura e de cada sistema de condução”, explica o pesquisador.

Aliás, esse é um dos principais pontos de atenção da pesquisa: garantir que a calda aplicada pelo drone efetivamente alcance as partes da planta onde o problema fitossanitário se manifesta, e não apenas a superfície foliar exposta. A cobertura interna da copa é, historicamente, o maior desafio técnico das pulverizações em fruticultura, independentemente do equipamento utilizado.

Drones também monitoram pastagens em Lages

A experiência de Videira integra um movimento mais amplo da Epagri no uso de tecnologias de sensoriamento remoto e voo autônomo na agricultura catarinense. Na Estação Experimental de Lages, a instituição conduz o projeto Pasto Remoto, que utiliza drones para estimar com mais de 70% de confiabilidade a biomassa e a altura de pastagens, reduzindo a necessidade de deslocamento e mão de obra nas propriedades pecuaristas da Serra.

Os ganhos ambientais dessa abordagem são igualmente relevantes. A otimização do manejo de pastagens via sensoriamento remoto contribui para o uso mais eficiente dos recursos naturais e para a redução das emissões de metano entérico, gás liberado durante o processo digestivo de ruminantes como bovinos e ovinos. Nesse sentido, a tecnologia aplicada ao campo deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passa a integrar a estratégia de agricultura de baixo carbono que o Brasil precisa consolidar nos próximos anos.

O avanço das pesquisas em Videira e Lages sinaliza que Santa Catarina constrói, de forma gradual e embasada, um protocolo técnico próprio para o uso de drones na agropecuária. Quando os resultados forem consolidados e disponibilizados aos produtores, o fruticultora do Meio-Oeste terá em mãos não apenas uma nova ferramenta, mas um manual validado pela ciência para usá-la com segurança e retorno econômico real.

Via: Pablo Gomes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc
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