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Amazônia Viva: novo projeto da Conab e BNDES aposta na sociobiodiversidade para fortalecer a economia florestal

Com financiamento do Fundo Amazônia, iniciativa visa conectar os produtos da floresta a mercados consumidores e ampliar o protagonismo das comunidades tradicionais na Amazônia Legal

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Noticias
Amazônia Viva: novo projeto da Conab e BNDES aposta na sociobiodiversidade para fortalecer a economia florestal
Resumo
  • O projeto Amazônia Viva, lançado pela Conab e BNDES, investe R$ 96,6 milhões para fortalecer a produção, logística e comercialização de produtos da sociobiodiversidade na Amazônia Legal.
  • A iniciativa financia infraestrutura adaptada à floresta, ampliando o acesso de comunidades tradicionais e agricultores familiares aos mercados e a programas públicos como PAA e PNAE.
  • O projeto prevê até 32 propostas de até R$ 2,5 milhões cada, apoiando cooperativas e associações com equipamentos, tecnologia e orientação técnica por meio de oficinas remotas.
  • Autoridades destacaram o papel do Amazônia Viva na redução do desmatamento, inclusão produtiva, geração de renda e valorização econômica da floresta em pé.
  • Além dos financiamentos, R$ 16,5 milhões serão destinados ao aprimoramento de sistemas, estudos e metodologias, fortalecendo a atuação da Conab na execução das políticas para a Amazônia.

A floresta amazônica, tantas vezes explorada de forma predatória, ganha agora um projeto estruturante que aposta justamente na sua preservação como motor de desenvolvimento. Lançado em Brasília pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o Amazônia Viva surge como uma estratégia concreta para transformar os produtos da sociobiodiversidade em alternativas viáveis de geração de renda para os povos da floresta.

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Com investimento de R$ 96,6 milhões oriundos do Fundo Amazônia, o projeto se volta para um objetivo claro: financiar a infraestrutura necessária para produção, beneficiamento, transporte e comercialização de produtos extrativistas, agrícolas e pesqueiros oriundos das comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas, extrativistas e da agricultura familiar. Os recursos beneficiarão produtores dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, com foco na valorização da floresta em pé e na dinamização dos mercados regionais e nacionais.

Infraestrutura, escoamento e acesso ao mercado

O escopo da iniciativa prevê a implementação de 32 projetos com valores de até R$ 2,5 milhões cada, podendo contemplar associações e cooperativas diversas que atuam com cadeias produtivas típicas da região — do pirarucu à castanha-do-Pará, passando por produtos como mel, cupuaçu, borracha extrativa, cacau, jaraqui e pescada-amarela. A meta não é apenas viabilizar a saída da produção da floresta até os centros urbanos, mas também garantir a qualidade e a rastreabilidade dos alimentos que abastecem programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

Equipamentos adaptados à realidade amazônica, como câmaras frias, silos, painéis solares e lanchas para transporte, fazem parte da estrutura a ser financiada. Oficinas remotas também serão realizadas para orientar as comunidades na elaboração de propostas, democratizando o acesso às chamadas públicas e promovendo inclusão técnica.

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Um ciclo virtuoso de inclusão e conservação

Para o presidente da Conab, Edegar Pretto, o Amazônia Viva marca o início de uma nova fase institucional, pautada pelo fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis e pela inserção real das comunidades amazônicas nas políticas públicas. “Estamos superando barreiras históricas. Antes, muitos agricultores sequer conseguiam abrir uma conta bancária. Hoje, conseguimos garantir que 19% do PAA esteja na região Norte. E com o Amazônia Viva, queremos mostrar que o desenvolvimento pode — e deve — caminhar junto com a conservação”, afirmou.

O projeto também avança em outra frente estratégica: a infraestrutura de dados e gestão. Serão R$ 16,5 milhões adicionais investidos em sistemas de informação, aprimoramento de metodologias de precificação e reforço às unidades regionais da Conab, ampliando a capacidade operacional da empresa e garantindo mais eficiência e transparência na execução do programa Sociobio Mais e do próprio PAA.

  • Veja também: Inseticidas naturais ganham terreno no campo e desafiam o domínio dos agrotóxicos

Um marco nas políticas ambientais e sociais do país

Durante a cerimônia de lançamento, o ministro substituto do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, pontuou que o projeto simboliza uma nova etapa da política ambiental brasileira. Para ele, o ciclo de valorização da sociobiodiversidade é o caminho mais consistente para combater o desmatamento de forma duradoura. “Essa parceria fecha um círculo virtuoso: combatemos o desmatamento, fortalecemos as comunidades e valorizamos a floresta viva como ativo econômico e social. Não é apenas proteção, é construção de futuro”, destacou.

Na avaliação da diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o Amazônia Viva é um passo decisivo para ampliar a visibilidade e a força da economia da floresta. Segundo ela, o Fundo Amazônia entra agora numa fase de indução estratégica, com frentes como a integração entre políticas educacionais e ambientais — a exemplo do “Amazônia na Escola”. O projeto da Conab se insere nesse novo momento como uma plataforma que organiza e profissionaliza a produção invisibilizada das comunidades florestais.

Segurança alimentar, geração de renda e floresta em pé

A secretária nacional de Segurança Alimentar do MDS, Lilian Rahal, também reforçou a importância do projeto para garantir a presença do Estado em territórios que, muitas vezes, enfrentam abandono institucional. “Onde as políticas públicas não chegam, o desmatamento avança. Precisamos oferecer alternativas reais de renda e desenvolvimento que dialoguem com a preservação ambiental. É isso que o Amazônia Viva representa: uma resposta concreta, pensada com as pessoas da floresta e para elas”, disse.

A proposta, além de sustentável, dialoga com o compromisso internacional do Brasil em reduzir as emissões de gases do efeito estufa e proteger os biomas tropicais. Mais do que uma política de fomento, o Amazônia Viva consolida uma visão de país que reconhece seu território como potência ambiental, cultural e econômica.

Como sintetizou Edegar Pretto: “É renda para quem protege, é alimento com identidade regional, é desenvolvimento com floresta viva. É, acima de tudo, um projeto que planta o futuro agora.”

Via: Conab
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