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Estudo mapeia regiões urbanas prontas para restaurar a Mata Atlântica

Com 410 mil hectares disponíveis, São Paulo pode acelerar meta ambiental e transformar paisagens urbanas com mais verde e biodiversidade

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Noticias
Estudo mapeia regiões urbanas prontas para restaurar a Mata Atlântica

A paisagem urbana, muitas vezes associada ao concreto e à expansão acelerada, pode se tornar palco de um novo capítulo da restauração florestal. Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo revelou que as bordas urbanas, áreas de transição entre cidade e campo, escondem um potencial expressivo para a regeneração natural de florestas nativas. O estudo identificou 410 mil hectares em território paulista com viabilidade ecológica e estratégica para ações de recuperação.

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Embora historicamente negligenciadas em levantamentos ambientais, essas zonas periféricas reúnem características únicas: além de estarem próximas da maior parte da população, mesclam usos residenciais, agrícolas e recreativos, além de áreas úmidas e trechos remanescentes de vegetação. A análise foi publicada na revista Scientific Reports e aponta que quase um terço da meta de restauração prevista para o Estado até 2050 poderia ser atingido justamente nestes limites urbanos.

Dados revelam avanço silencioso da vegetação nas bordas das cidades

Com base em três décadas de monitoramento do uso da terra — entre 1990 e 2020 — via plataforma MapBiomas, os pesquisadores constataram uma tendência animadora: nas bordas urbanas, a regeneração florestal superou o desmatamento desde 2005, mesmo diante da pressão da expansão urbana. O fenômeno foi observado em todas as regiões do Estado, confirmando que a chamada “transição florestal” já é uma realidade em áreas urbanas e periurbanas.

O trabalho inovou ao classificar separadamente as zonas rurais, áreas densamente urbanizadas e as bordas urbanas, revelando que esta última apresenta as maiores taxas espontâneas de regeneração florestal, mesmo sem o apoio sistemático de políticas públicas específicas. Essa constatação reforça o papel estratégico dessas regiões na agenda ambiental do país, especialmente considerando que 96% da população paulista vive em áreas urbanas.

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A macrometrópole paulista como laboratório vivo de restauração

Um dos principais focos do estudo foi a macrometrópole paulista — região que abrange 174 municípios interconectados por infraestrutura e dinâmicas socioeconômicas compartilhadas. Apenas nessa área, foram mapeados 235 mil hectares com potencial de restauração, o que representa benefícios diretos para mais de 32 milhões de pessoas.

Além disso, a proximidade com áreas já bem conservadas, como o Parque Estadual da Serra do Mar, cria condições favoráveis à regeneração natural, um processo menos custoso e mais eficiente. Quando o plantio ativo se faz necessário, a localização estratégica perto de grandes centros populacionais facilita o acesso à mão de obra e a logística, além de gerar emprego e renda verde.

Restauração urbana vai além do verde: impactos sociais e ecológicos

Regenerar áreas próximas aos centros urbanos não apenas promove o aumento da biodiversidade e a recuperação de nascentes e APPs (áreas de preservação permanente), como também contribui para a saúde pública, o bem-estar coletivo, a regulação do clima e a mitigação de enchentes. A presença de vegetação melhora a qualidade do ar, regula a temperatura e transforma espaços degradados em áreas de convivência e lazer.

A pesquisa destaca ainda que cerca de 39 mil hectares do total identificado estão situados justamente em regiões de risco ou exigem restauração obrigatória por força do Código Florestal, como margens de rios e topos de morros. Nesses locais, a recuperação é urgente e pode prevenir desastres ambientais e sociais.

Via: Agência FAPESP
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