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Emergência climática: aumento de mortes por calor e poluição escancara crise de saúde pública

Relatório com apoio da OMS mostra que eventos extremos já afetam a vida de milhões e expõem riscos crescentes para populações em todo o mundo

Revisão: Derick Machado
8 de junho de 2026
in Eco, Clima & Sustentabilidade
Emergência climática: aumento de mortes por calor e poluição escancara crise de saúde pública
Resumo
  • Calor extremo e poluição atmosférica já causam mais de 3 milhões de mortes por ano, segundo relatório global com apoio da OMS.
  • Em 2024, cada pessoa enfrentou, em média, 16 dias de calor extremo — no Brasil, foram 15,6 dias, sendo 94% causados por mudanças climáticas.
  • No país, o número de mortes por calor aumentou 4,4 vezes desde os anos 1990, e a seca extrema já atinge 72% do território.
  • As ondas de calor afetam o sono, o trabalho, o bem-estar físico e mental, além de agravarem queimadas e a insegurança alimentar.
  • Fontes de energia limpa já salvam 160 mil vidas por ano, mas 13 de 20 indicadores climáticos analisados bateram recordes preocupantes.

A elevação abrupta das temperaturas e o ar cada vez mais saturado por poluentes deixaram de ser sinais distantes da crise climática: tornaram-se hoje ameaças diretas à saúde da população mundial. De acordo com a nova edição do relatório Lancet Countdown on Health and Climate Change, publicado com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 3 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência do calor extremo e da poluição atmosférica — um número que escancara o custo humano da emergência ambiental.

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Produzido por uma coalizão internacional de 128 especialistas de diversas instituições acadêmicas e agências das Nações Unidas, o documento adverte: a saúde global entrou em uma era de vulnerabilidade sem precedentes. A falta de contenção dos efeitos do aquecimento global levou a um aumento de 23% nas mortes relacionadas ao calor desde a década de 1990, chegando a 546 mil óbitos anuais diretamente provocados pelas altas temperaturas.

Além disso, cerca de 2,52 milhões de mortes foram atribuídas, no mesmo período, à exposição prolongada aos poluentes resultantes da queima de combustíveis fósseis — uma das principais fontes de gases de efeito estufa que aceleram o colapso climático.

Número de dias de calor extremo atinge recordes globais

O relatório também traz um dado alarmante: em média, cada pessoa no planeta enfrentou 16 dias de calor extremo em 2024, ano já reconhecido como o mais quente da história. Em regiões como a América do Sul e partes da África Subsaariana, esse número ultrapassou os 40 dias.

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No Brasil, os impactos seguem essa mesma tendência. A população enfrentou, em média, 15,6 dias de ondas de calor, sendo que 94% desses episódios não teriam ocorrido sem as mudanças climáticas induzidas por atividades humanas, segundo os dados apresentados. O país registrou ainda uma média anual de 3,6 mil mortes provocadas por calor extremo entre 2012 e 2021 — um salto de 4,4 vezes em relação aos números da década de 1990.

O calor excessivo também afeta a saúde física e mental, alterando a capacidade de trabalho, o sono, a disposição para atividades físicas e até a saúde cardiovascular, em especial em populações mais vulneráveis. Ainda assim, os autores destacam que os efeitos diretos da temperatura não são os únicos a preocupar.

Calor, seca e queimadas agravam crise alimentar e sanitária

O relatório ressalta que o clima mais quente e seco tem provocado o aumento de incêndios florestais, estiagens severas e, com isso, o avanço da insegurança alimentar em diversas regiões do mundo. A escassez hídrica também gera implicações sanitárias, principalmente nos países em desenvolvimento.

No Brasil, entre os anos de 2020 e 2024, os cidadãos enfrentaram em média 41 dias anuais de alto risco de incêndios florestais, um crescimento de 10% em comparação à década anterior. A área de terra sob seca extrema disparou: passou de 5,6% (na década de 1950) para 72% no período atual — número que revela a gravidade do estresse hídrico nos ecossistemas nacionais.

Os dados também apontam que, em 2024, 1.087.390 pessoas viviam a menos de um metro acima do nível do mar nas regiões costeiras brasileiras, estando diretamente expostas ao risco de inundações, avanço do mar e contaminações associadas a esse processo.

Transição energética pode salvar vidas — mas precisa ser acelerada

Apesar do cenário desafiador, o relatório também destaca soluções que já demonstram impactos positivos. A adoção crescente de fontes de energia renovável, por exemplo, está associada à salvaguarda de até 160 mil vidas por ano, graças à melhora da qualidade do ar e à redução das emissões tóxicas.

Ainda assim, os autores são categóricos: das 20 métricas utilizadas para avaliar os riscos climáticos à saúde, 13 bateram recordes preocupantes em 2024. Esses números reforçam a urgência de medidas mais firmes por parte de governos e empresas, com foco em reduzir emissões, proteger ecossistemas e preparar as cidades para um futuro mais quente, desigual e vulnerável.

Enquanto o planeta ultrapassa, pela primeira vez, a marca de 1,5°C de aquecimento médio global, especialistas alertam que os eventos extremos deixarão de ser exceções para se tornarem o novo normal. A saúde humana, nesse contexto, já não é apenas uma vítima colateral — ela está no centro da crise.

Via: G1
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