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Onça-pintada Tocantins inicia jornada de conservação no Zoo de Curitiba

Nova etapa do programa nacional de reprodução reforça esforços para preservar o maior felino das Américas

Revisão: Derick Machado
8 de junho de 2026
in Eco, Clima & Sustentabilidade
Foto: Ricardo Marajó/SECOM

Foto: Ricardo Marajó/SECOM

Resumo

• A chegada da onça-pintada Tocantins ao Zoo de Curitiba marca uma nova fase do programa de conservação e reprodução da espécie no Brasil.
• O felino, originário do Cerrado, foi instalado em um recinto amplo, projetado para estimular comportamentos naturais e facilitar sua adaptação.
• Nas próximas semanas, começa a aproximação com Cacau, onça melânica da Mata Atlântica, combinação genética considerada valiosa por especialistas.
• O manejo cuidadoso envolve observação comportamental constante e técnicas específicas para garantir bem-estar e sucesso reprodutivo.
• O Zoo de Curitiba abriga mais de 1,8 mil animais e tem papel essencial na conservação de espécies ameaçadas, acolhendo indivíduos vindos de apreensões e resgates.

A presença de um único animal pode representar muito mais do que um novo integrante no plantel de um zoológico. No caso do Tocantins, macho de onça-pintada recém-chegado ao Zoológico Municipal de Curitiba, sua chegada simboliza uma etapa decisiva para o futuro da espécie no país. Desde o final de novembro, o felino de porte imponente passou a integrar o programa de reprodução mantido pela instituição, reconhecido nacionalmente por sua dedicação à preservação de mamíferos ameaçados.

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Embora ainda esteja em período de adaptação, Tocantins já ocupa um recinto de aproximadamente 400 metros quadrados, estruturado para estimular seu comportamento natural. Plataformas de madeira, troncos para arranhadura, áreas sombreadas, declive para exercícios físicos e até uma piscina compõem o espaço idealizado para oferecer bem-estar e enriquecer seu cotidiano. A área é a primeira inaugurada dentro do setor destinado aos grandes felinos, parte da renovação contínua do zoológico.

O início de um processo cuidadoso

O trabalho que se inicia agora é delicado e segue um protocolo longo, pensado para respeitar o ritmo dos animais. Tocantins deverá, nas próximas semanas, iniciar a fase de aproximação com Cacau, a onça-pintada melânica que vive no Zoo desde o ano passado. Não se trata apenas de colocar dois indivíduos lado a lado, mas de estimular uma convivência gradual, observando comportamentos, padrões de comunicação e sinais de aceitação.

A inclusão de Tocantins no projeto não foi ao acaso. Sua vinda foi recomendada por instituições nacionais dedicadas à conservação, que avaliam a compatibilidade e a relevância genética de cada animal. Apesar de terem origem em biomas distintos — ele vindo do Cerrado e Cacau originária da Mata Atlântica — ambos apresentam linhagens que, combinadas, fortalecem a diversidade da espécie no país. É essa complementaridade genética que aumenta a chance de nascimentos futuros, um objetivo que se projeta para os próximos anos.

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Por dentro da estrutura do Zoo de Curitiba

O Zoológico Municipal de Curitiba abriga mais de 1,8 mil animais distribuídos em recintos que simulam, na medida do possível, os ambientes naturais de cada espécie. São cerca de 589 mil metros quadrados destinados à visitação, abrigando indivíduos que, em sua maioria, vieram de situações de risco. Apreensões, tráfico, maus-tratos e outras intervenções humanas inviabilizaram a reintegração de muitos deles à natureza, fazendo do local um espaço de proteção e recomeço.

O Centro de Apoio à Fauna Silvestre (Cafs), parceiro direto do Zoo, recebe esses animais e acompanha sua recuperação até que possam ser transferidos para o ambiente definitivo da instituição. Para espécies ameaçadas, como a onça-pintada, esse cuidado ganha ainda mais importância, sobretudo quando inserido em programas de reprodução responsáveis e acompanhados ao longo de décadas.

  • Veja também: O cardápio dos orangotangos nasce da cultura: o papel vital da aprendizagem social

Um futuro que se constrói aos poucos

O encontro entre Tocantins e Cacau ainda está no início e deve avançar lentamente, respeitando instintos, territorialidade e o comportamento individual de cada felino. Mesmo assim, a chegada do macho representa uma nova fase para o programa. Se tudo evoluir conforme previsto, a dupla poderá contribuir para o aumento populacional da espécie, hoje pressionada por perda de habitat, caça ilegal e fragmentação de corredores ecológicos.

O que acontece entre os muros do Zoo de Curitiba ecoa além dos limites da cidade: cada nascimento, cada história de recuperação e cada exemplar protegido reforçam um compromisso coletivo com a biodiversidade brasileira.

Serviço — Zoo de Curitiba
Rua João Micheletto, 1.500 – Alto Boqueirão
Visitação: terça a domingo, das 10h às 16h
Segundas-feiras: manutenção interna
Entrada gratuita

Via: AEN
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