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Mandioca BRS Jacundá revoluciona o campo no Amazonas

Nova variedade desenvolvida pela Embrapa triplica a produtividade, resgata tradição e fortalece a agricultura familiar

Revisão: Derick Machado
22 de maio de 2026
in Agricultura
Foto: Sara Rangel /Embrapa

Foto: Sara Rangel /Embrapa

Na Amazônia, onde a mandioca é mais que alimento — é cultura, história e sobrevivência —, uma nova variedade surge com potencial para mudar o rumo da produção agrícola no estado. Desenvolvida pela Embrapa Amazônia Ocidental, a BRS Jacundá une tradição e tecnologia em uma cultivar que pode alcançar até 30 toneladas por hectare, quase três vezes mais que a média atual do Amazonas.

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Essa novidade atende diretamente aos anseios dos agricultores locais, especialmente na preferência por raízes de polpa amarela, utilizadas para produzir farinha brava e tucupi, elementos indispensáveis da culinária amazônica. Mas seu valor vai além da estética ou do sabor: ela oferece alta resistência a pragas e doenças, além de apresentar grande teor de amido, o que a torna estratégica tanto para o consumo quanto para a agroindústria.

Um marco para a mandioca no Amazonas

A apresentação oficial da cultivar ocorreu em Manaus, durante um dia de campo promovido pela Embrapa, reunindo produtores, técnicos, fornecedores de maniva-semente e representantes da agroindústria. O objetivo: estimular o uso em larga escala de uma mandioca que foi testada por mais de duas décadas em condições reais, inclusive por agricultores da região.

A microrregião do Médio Solimões, onde municípios como Tefé, Uarini e Alvarães ainda concentram seus plantios em variedades antigas como a “Catombo”, ganha agora uma aliada poderosa. A BRS Jacundá surge como alternativa concreta diante da erosão genética e da baixa diversidade nas lavouras, fatores que comprometem a resistência dos cultivos a fenômenos como secas, excesso de chuva e ataques de pragas.

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Vinte anos de pesquisa transformados em solução agrícola

O ponto de partida da BRS Jacundá remonta a 1997, com a coleta de germoplasma no município de Uarini. A partir daí, a cultivar passou por um rigoroso processo de seleção, avaliações de rendimento e testes de adaptabilidade. As pesquisas em campo foram repetidas ao longo de vários ciclos, utilizando padrões internacionais para o manejo genético da mandioca.

Mandioca BRS Jacundá revoluciona o campo no Amazonas
Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

A variedade passou por análises de distinguibilidade, homogeneidade e estabilidade (DHE), sempre priorizando ambientes de terra firme — que predominam no Amazonas. Além disso, sua precocidade no ciclo e facilidade de multiplicação a tornam especialmente viável para aumentar a oferta de maniva-semente de qualidade, ponto crítico para a expansão sustentável da mandiocultura na região.

Preferência regional respeitada com inovação

A polpa amarela, marca registrada da farinha apreciada no Norte, foi mantida como prioridade no processo de desenvolvimento. Isso reforça o respeito às práticas e preferências regionais, sem abrir mão da inovação agronômica. A Embrapa destaca que a união entre características técnicas superiores e alinhamento com o gosto local deve acelerar a adoção da nova cultivar em larga escala.

Em tempos em que a concentração em poucas variedades aumenta o risco de perdas, a BRS Jacundá representa uma resposta à altura dos desafios do campo. Sua genética avançada ajuda a enfrentar o esgotamento do solo, as instabilidades climáticas e os riscos fitossanitários, sem exigir mudanças drásticas nas práticas dos pequenos agricultores.

Orientações para um cultivo eficiente

A recomendação da Embrapa é que o plantio da BRS Jacundá ocorra no início da estação chuvosa, entre novembro e dezembro, com espaçamento de 1 metro por 1 metro, ideal para sistemas mecanizados ou convencionais. A densidade indicada é de 10 mil plantas por hectare.

É essencial evitar o plantio contínuo da mandioca na mesma área por mais de dois anos. O cultivo sucessivo aumenta a incidência de podridões e compromete a estrutura do solo. A rotação com outras culturas, como milho, sorgo, feijão-caupi e mucuna, é uma prática indispensável para manter a saúde do ambiente produtivo.

A colheita da BRS Jacundá pode ocorrer entre oito e doze meses após o plantio, dependendo das condições do terreno e da estratégia do produtor. Em relação à produtividade, a cultivar já se provou superior em ambientes reais, abrindo caminhos para uma agricultura mais rentável, resiliente e alinhada às tradições do povo amazônico.

Via: Fonte: agroemcampo
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