Mania de Plantas
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência
No Result
View All Result
Mania de Plantas
No Result
View All Result
Home Fauna & Vida Silvestre

Nem frio nem calor: como a mandaçaia controla a temperatura da colmeia com engenharia coletiva

Pesquisadores da UFMG mediram o sistema de regulação térmica da Melipona quadrifasciata e descobriram uma arquitetura biológica que pode inspirar tecnologias de climatização

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Fauna & Vida Silvestre
Nem frio nem calor: como a mandaçaia controla a temperatura da colmeia com engenharia coletiva

Enquanto o termômetro do lado de fora oscila entre 15 e 40 graus Celsius, o interior do ninho da abelha mandaçaia permanece estável, entre 28 e 32 graus, com variação mínima. Não há ar-condicionado, não há isolamento sintético e não há qualquer intervenção humana nesse processo. O que existe é um sistema coletivo sofisticado, resultado de milhões de anos de evolução, que combina comportamento coordenado, fisiologia e arquitetura biológica num mecanismo que pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) passaram a estudar com atenção crescente.

ADVERTISEMENT

A mandaçaia, nome popular da Melipona quadrifasciata, é uma das abelhas sem ferrão nativas do Brasil com maior presença na meliponicultura nacional. Sua mel é apreciada por características medicinais e sensoriais distintas, mas o que mais tem chamado atenção da ciência recentemente é outra capacidade: a precisão com que essa abelha regula o ambiente interno da colmeia, mesmo diante de condições externas extremamente variáveis.

Três mecanismos que trabalham em conjunto

O controle térmico da mandaçaia não depende de um único recurso, ele resulta da combinação de três estratégias que operam de forma integrada e, em alguns casos, simultaneamente. O primeiro mecanismo é a ventilação coletiva coordenada. Quando a temperatura interna tende a subir, grupos de abelhas se posicionam em pontos estratégicos da colmeia e batem as asas de forma sincronizada, criando correntes de ar que dissipam o calor acumulado. O movimento não é aleatório. As abelhas formam cadeias de ventilação, com umas gerando fluxo e outras orientando a direção do ar, o que maximiza a eficiência do resfriamento sem desperdiçar energia do grupo.

Nem frio nem calor: como a mandaçaia controla a temperatura da colmeia com engenharia coletiva

O segundo mecanismo atua no sentido oposto: quando a temperatura interna cai abaixo do limiar adequado, as abelhas produzem calor por meio de contrações musculares rápidas, sem movimentar as asas. O músculo torácico é ativado de forma isométrica, gerando calor metabólico que é distribuído pelo corpo e transferido ao ambiente imediato da colmeia. Grupos de indivíduos realizam esse processo de forma descentralizada, aquecendo áreas específicas do ninho conforme a necessidade local, não apenas o espaço como um todo.

Veja Também

Como o pato-mergulhão do Sul do Brasil caça peixes nadando contra a correnteza em rios rasos

O sapo mais comum do Brasil esconde um laboratório químico que varia de bioma para bioma

O terceiro mecanismo é estrutural e começa antes mesmo de a colmeia estar habitada: a seleção dos materiais de construção. A mandaçaia utiliza cerume, uma mistura de cera produzida pelo próprio organismo com resinas vegetais coletadas no ambiente, para construir as paredes, células e invólucros do ninho. Essa combinação não é uniforme. As proporções de cera e resina variam conforme a região da estrutura, criando camadas com propriedades térmicas distintas. As paredes externas têm maior densidade e resistência ao fluxo de calor, enquanto as regiões próximas à área de cria apresentam composição diferente, favorecendo a retenção de temperatura.

O que a UFMG mediu e por que isso importa

Pesquisadores da UFMG realizaram medições sistemáticas do comportamento térmico de colônias de mandaçaia em condições controladas e em ambiente natural, documentando a estabilidade da temperatura interna frente às variações externas. Os dados confirmaram que a colmeia mantém a faixa de 28 a 32 graus Celsius com consistência significativa, mesmo quando o ambiente externo oscila em uma amplitude de 25 graus.

Além de registrar o fenômeno, os pesquisadores investigam os princípios que o tornam possível: como as abelhas percebem variações térmicas internas, como a informação se traduz em comportamento coletivo coordenado e quais propriedades físicas dos materiais de construção contribuem para a estabilidade observada.

O interesse vai além da biologia. O grupo estuda a aplicação desses princípios em sistemas de refrigeração bioinspirада, área que busca soluções de climatização mais eficientes energeticamente ao replicar estratégias encontradas na natureza. A lógica é direta: se uma colônia de abelhas consegue manter estabilidade térmica precisa sem consumo de energia elétrica, entender os mecanismos subjacentes pode informar o projeto de edificações, embalagens ou dispositivos que regulem temperatura com menor impacto energético.

Meliponicultura e o valor que vai além do mel

Para quem cria abelhas sem ferrão, compreender o comportamento térmico da mandaçaia tem implicações práticas imediatas. A regulação de temperatura é diretamente ligada à saúde da colônia: ovos, larvas e pupas da Melipona quadrifasciata se desenvolvem adequadamente apenas dentro da faixa controlada pelo grupo. Colmeias expostas a estresse térmico prolongado têm menor taxa de desenvolvimento de novas abelhas, produção reduzida e maior vulnerabilidade a doenças.

Meliponicultores que posicionam suas caixas em locais com sombra adequada, ventilação natural e proteção contra variações bruscas de temperatura não estão apenas seguindo recomendações empíricas. Estão, na prática, reduzindo o gasto energético da colônia com termorregulação e liberando mais recursos metabólicos para produção de mel, pólen e propolis. Esse entendimento, quando apoiado por dados científicos como os produzidos pela UFMG, transforma uma boa prática em decisão técnica fundamentada.

A mandaçaia carrega, em cada ninho, uma solução de engenharia que a humanidade ainda está aprendendo a ler. O que pesquisadores medem hoje em laboratório, a abelha já executa há muito mais tempo do que qualquer tecnologia de climatização que conhecemos.

Share234Tweet146Share

Artigos relacionados

Como o lobo-guará marca um território de 30 km² usando urina com cheiro de maconha
Fauna & Vida Silvestre

Como o lobo-guará marca um território de 30 km² usando urina com cheiro de maconha

by
6 de junho de 2026
0

Durante anos, equipes policiais que atuavam em áreas do Cerrado brasileiro se depararam com uma cena desconcertante: rastros de odor forte e inconfundível, muito parecido com o da maconha, em meio à...

Read more
Foto: dalfenas
Fauna & Vida Silvestre

Uma ave sumiu da Caatinga por mais de cem anos; e agora ela está de volta!

by Derick Machado
6 de junho de 2026
0

Em 17 de março de 2026, no coração do Planalto da Ibiapaba, algo aconteceu que nenhum pesquisador havia presenciado na região em mais de cem anos: filhotes de periquito-cara-suja nasceram em plena...

Read more
A linguagem secreta do mico-de-cheiro que cientistas da USP levaram anos para traduzir
Fauna & Vida Silvestre

A linguagem secreta do mico-de-cheiro que cientistas da USP levaram anos para traduzir

by Derick Machado
6 de junho de 2026
0

Na densa vegetação da Amazônia, onde a luz raramente alcança o chão da floresta e a visão é limitada pela sobreposição de copas e galhos, um pequeno primata desenvolveu ao longo de...

Read more
Por que os filhotes dessa ave amazônica nascem com garras nas asas?
Fauna & Vida Silvestre

Por que os filhotes dessa ave amazônica nascem com garras nas asas?

by Derick Machado
6 de junho de 2026
0

Entre todas as aves que existem no planeta, apenas uma produz filhotes com garras funcionais nas asas. Ela vive nas margens dos rios e lagos da Amazônia, tem aparência exótica, cheiro peculiar...

Read more
  • Politica de Privacidade
  • Contato
  • Politica de ética
  • Politica de verificação dos fatos
  • Politica editorial
  • Quem somos | Sobre nós
  • Termos de uso
  • Expediente
  • Revista
[email protected]

©2021 - 2025 Maniadeplantas, Dedicado a informar o público sobre a natureza e o mundo verde. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

No Result
View All Result
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência

©2021 - 2025 Maniadeplantas, Dedicado a informar o público sobre a natureza e o mundo verde. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

Nós estamos usando cookies neste site para melhorar sua experiência. Visite nossa Politica de privacidade.