Mania de Plantas
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência
No Result
View All Result
Mania de Plantas
No Result
View All Result
Home Clima e Sustentabilidade

Mais de 200 anos depois, araras-canindé reaparecem no céu do Rio de Janeiro

Revisão: Derick Machado
18 de maio de 2026
in Clima e Sustentabilidade
Mais de 200 anos depois, araras-canindé reaparecem no céu do Rio de Janeiro

Desde o último dia 7, o céu do Rio de Janeiro ganhou novamente tons de azul e amarelo que não eram vistos em liberdade há mais de dois séculos. Três araras-canindé voltaram a voar na capital fluminense, marcando um acontecimento inédito desde 1818, último registro da espécie em vida livre no município, ainda no período colonial.

ADVERTISEMENT

O retorno dessas aves não representa apenas um espetáculo visual. Ele simboliza, sobretudo, um avanço concreto na restauração ecológica da Mata Atlântica urbana, em uma das cidades mais pressionadas pela expansão urbana no país.

Fernanda, Fátima e Sueli — nomes inspirados em figuras conhecidas da cultura brasileira — passaram sete meses em aclimatação no Parque Nacional da Tijuca antes de ganharem liberdade. O macho Selton, que também integra o grupo, deverá ser solto após concluir o processo natural de troca de penas, etapa essencial para garantir seu pleno desempenho em voo.

A preparação para a vida em liberdade

A soltura foi precedida por um período rigoroso de adaptação. As aves ficaram em um viveiro especialmente construído para essa fase, onde passaram por treinamento comportamental e transição alimentar. Durante esse período, aprenderam a reconhecer frutos nativos da floresta e a reduzir qualquer associação positiva com a presença humana.

Veja Também

O cardápio dos orangotangos nasce da cultura: o papel vital da aprendizagem social

Do lixo à transformação: como empreendimentos solidários geram renda e cuidam do meio ambiente

Segundo Lara Renzeti, bióloga do Refauna e coordenadora do projeto de reintrodução, o processo exige acompanhamento constante. “São muitas habilidades novas que elas ainda precisam aprender para sobreviver, que não são totalmente replicáveis dentro do recinto de aclimatação”, explica. “Elas só vão conhecer a floresta estando nela. Por isso, nós precisamos acompanhá-las para identificar em que pontos estão se saindo bem e onde precisam de mais apoio.”

Nos primeiros dias após a soltura, uma plataforma de suplementação alimentar foi instalada em árvores do parque. Contudo, essa fase já foi encerrada, permitindo que as araras passem a depender exclusivamente dos recursos naturais disponíveis na floresta.

Cada indivíduo está identificado com colar, anilha e microchip, o que permite monitoramento detalhado. Além disso, o projeto incentiva a população a enviar fotos e vídeos para auxiliar no acompanhamento dos deslocamentos, embora os pesquisadores reforcem que não deve haver qualquer tentativa de aproximação ou interação.

Uma reconstrução ecológica em curso

Antes de chegarem ao Rio de Janeiro, as araras viviam em Aparecida, interior de São Paulo, após terem sido resgatadas de situações de posse ilegal. Elas passaram por uma bateria de exames sanitários e avaliações comportamentais até serem consideradas aptas para a reintrodução.

O plano do Refauna é ambicioso. A expectativa é que 50 araras-canindé sejam reintroduzidas ao longo de cinco anos. Novos grupos já estão em avaliação e poderão chegar ao Parque da Tijuca em 2026, fortalecendo a base populacional da espécie na região.

Além da beleza cênica, a presença das araras tem impacto direto na dinâmica da floresta. Essas aves desempenham papel essencial na dispersão de sementes de árvores nativas, contribuindo para a regeneração do bioma. Em alguns casos, são as únicas capazes de romper sementes mais duras, o que amplia sua importância ecológica.

Mata Atlântica urbana e o papel da sociedade

A volta das araras também provoca uma reflexão mais ampla sobre a relação entre cidade e natureza. O Parque Nacional da Tijuca, considerado uma das maiores florestas urbanas replantadas do mundo, torna-se novamente cenário de um processo de restauração que une ciência, gestão pública e participação popular.

Viviane Lasmar, chefe do Parque Nacional da Tijuca, destaca o significado simbólico e ambiental da iniciativa. “O mesmo ser humano que, ao longo do tempo, não soube conviver com os animais que habitavam as florestas e que também os caçou, é capaz de mudar esse comportamento e trabalhar pela recuperação e preservação desses bichos”, afirma.

Ela ressalta ainda que o parque demonstra capacidade de oferecer os recursos necessários para a espécie prosperar. “Mesmo com toda a pressão urbana que nos cerca, a floresta se mantém preservada e capaz de fornecer frutos, árvores para nidificação, abrigo e água potável. Há condições reais para que uma população viável se estabeleça.”

Para que isso aconteça, entretanto, a colaboração da sociedade é fundamental. Campanhas educativas vêm sendo realizadas para orientar moradores sobre como agir ao avistar as aves, reforçando a importância do respeito e da não interferência.

Share235Tweet147Share

Artigos relacionados

Estudo acadêmico mapeia mamíferos silvestres em áreas protegidas do Paraná
Clima e Sustentabilidade

Estudo acadêmico mapeia mamíferos silvestres em áreas protegidas do Paraná

by Mania de Plantas
18 de maio de 2026
0

Entender quem habita as florestas é um passo essencial para garantir sua preservação. Partindo desse princípio, estudantes do curso de Medicina Veterinária da Unicentro vêm desenvolvendo, desde setembro de 2025, um levantamento...

Read more
Foto: CBMPR
Clima e Sustentabilidade

Incêndios florestais deixam rastro de destruição e causam prejuízo de R$ 2,1 bilhões em 2024

by Derick Machado
22 de maio de 2026
0

O fogo que consome a vegetação também devora oportunidades, destrói ecossistemas inteiros e expõe a fragilidade das cidades diante das mudanças climáticas. Em 2024, os incêndios florestais custaram aos cofres públicos mais...

Read more
Dois filhotes e 200 anos de ausência: a arara-vermelha-grande volta a nascer na Mata Atlântica
Clima e Sustentabilidade

Dois filhotes e 200 anos de ausência: a arara-vermelha-grande volta a nascer na Mata Atlântica

by Mania de Plantas
17 de maio de 2026
0

Em 1500, Pero Vaz de Caminha escrevia ao rei Dom Manuel descrevendo as terras recém-avistadas. Entre os relatos, uma passagem registrava a presença de "papagaios vermelhos, muito grandes e formosos" habitando a...

Read more
Divulgação/Fernando Dagosta
Clima e Sustentabilidade

Nova espécie de lambari é encontrada no rio Juruena por acaso

by Mania de Plantas
19 de maio de 2026
0

Uma nova espécie de lambari, com coloração laranja e preta, foi descoberta por acaso no rio Juruena, em Mato Grosso, e recebeu o nome científico Inpaichthys luizae. A aparência vibrante e incomum...

Read more
  • Politica de Privacidade
  • Contato
  • Politica de ética
  • Politica de verificação dos fatos
  • Politica editorial
  • Quem somos | Sobre nós
  • Termos de uso
  • Expediente
  • Revista
[email protected]

©2021 - 2025 Maniadeplantas, Dedicado a informar o público sobre a natureza e o mundo verde. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

No Result
View All Result
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência

©2021 - 2025 Maniadeplantas, Dedicado a informar o público sobre a natureza e o mundo verde. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

Nós estamos usando cookies neste site para melhorar sua experiência. Visite nossa Politica de privacidade.