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Governo do Paraná lança pacote para levar energia firme e conectividade às propriedades rurais

Revisão: Derick Machado
18 de maio de 2026
in Noticias
Foto: Ari Dias/AEN

Foto: Ari Dias/AEN

A modernização da infraestrutura rural voltou ao centro da agenda paranaense. Em um movimento que conecta tecnologia, energia e produção agropecuária, o Governo do Estado lançou dois programas estratégicos voltados à melhoria das condições operacionais nas propriedades do interior. A proposta vai além da ampliação da rede elétrica ou do sinal de internet: trata-se de consolidar uma base estrutural capaz de sustentar o avanço da agroindústria, reduzir desigualdades e fortalecer a competitividade do campo.

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As iniciativas, denominadas Se Liga Aí Paraná e Paraná Conectado, foram estruturadas para atender demandas históricas do meio rural. Enquanto uma atua na expansão da rede elétrica trifásica, a outra busca ampliar a conectividade por meio da internet fixa e da telefonia móvel 4G. Juntas, elas integram uma política pública voltada à segurança energética e à inclusão digital no interior do Estado.

Energia trifásica como eixo de produtividade

O programa Se Liga Aí Paraná tem como foco incentivar a migração das propriedades para a rede elétrica trifásica, considerada mais estável e adequada às atividades produtivas contínuas. Atualmente, grande parte das áreas rurais ainda opera com redes monofásicas ou bifásicas, que atendem ao consumo básico, porém não garantem a estabilidade necessária para aviários, granjas, sistemas de ordenha, agroindústrias e piscicultura.

A rede trifásica, por utilizar três condutores de energia, reduz oscilações e amplia a capacidade de fornecimento, permitindo o funcionamento simultâneo de equipamentos de maior potência. Nos últimos anos, o Paraná expandiu significativamente sua malha trifásica, alcançando cerca de 25 mil quilômetros instalados. Entretanto, muitas propriedades ainda não realizaram a conexão definitiva.

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Segundo o governador Carlos Massa Ratinho Junior, a iniciativa busca transformar essa infraestrutura já disponível em ganhos concretos de produtividade. “O Paraná é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Garantir energia estável no campo é preservar produção, evitar perdas e dar condições para o agricultor ampliar seus negócios”, afirmou durante o lançamento.

O modelo financeiro foi desenhado para reduzir barreiras de adesão. O investimento médio para a ligação gira em torno de R$ 32 mil. Metade desse valor será custeada diretamente pela Copel, enquanto o restante poderá ser financiado por meio do Banco do Agricultor, com juros subsidiados pelo Estado. Para agricultores familiares enquadrados no Pronaf, o financiamento pode ocorrer com juros zero e prazo de até cinco anos.

Daniel Slaviero, diretor-presidente da Copel, ressaltou que o desafio agora é ampliar a adesão. “A rede já passou por milhares de propriedades. O que precisamos é garantir que o produtor se conecte, porque a energia trifásica representa um salto de produtividade e segurança operacional”, destacou.

A meta estabelecida é beneficiar 12,5 mil propriedades nos próximos cinco anos, ampliando a presença da rede trifásica e reduzindo riscos de interrupções que podem comprometer produções sensíveis, como proteína animal e agroindústrias familiares.

Conectividade rural como ferramenta de desenvolvimento

Paralelamente à expansão energética, o Paraná Conectado surge como resposta à crescente demanda por acesso à internet no campo. Embora o Estado tenha avançado na digitalização urbana, áreas rurais ainda enfrentam limitações estruturais, sobretudo em regiões com baixa densidade populacional.

O programa foi estruturado em duas frentes. A primeira prevê o credenciamento de provedores de internet para atuação no meio rural, com acesso a financiamento subsidiado para expansão de redes de fibra óptica ou rádio. A proposta é tornar economicamente viável a chegada do sinal a distritos, comunidades e assentamentos onde o investimento privado isolado seria pouco atrativo.

“Hoje, muitos equipamentos agrícolas possuem tecnologia embarcada que depende de conectividade. Sem internet, parte desse potencial fica subutilizado”, afirmou Ratinho Junior. Ele destacou que a iniciativa permitirá ao produtor acessar informações técnicas, emitir nota fiscal eletrônica, utilizar sistemas de gestão e integrar a propriedade a plataformas digitais.

A segunda frente envolve a ampliação do sinal 4G por meio da instalação de novas estações rádio base. O Estado foi dividido em 22 regiões para a realização de processos licitatórios, sendo o Vale do Ivaí o projeto piloto inicial, abrangendo 33 municípios. Antes da implantação, será realizado mapeamento técnico para identificar áreas com maior concentração de pessoas e propriedades sem cobertura adequada.

Herlon de Almeida, coordenador de Energias Renováveis e Conectividade Rural da Seab, reforçou que a prioridade será levar sinal a comunidades onde o impacto social seja mais expressivo. “Não se trata de cobrir todo o território, mas de garantir conectividade onde ela gera mais transformação social e econômica”, explicou.

Após a instalação das torres e verificação do sinal nas coordenadas previstas, o Estado efetuará o pagamento às empresas vencedoras das licitações. A partir de então, as operadoras estarão habilitadas a comercializar os serviços nas regiões atendidas.

Infraestrutura como estratégia de competitividade

Os programas foram apresentados como parte de uma política mais ampla de fortalecimento da infraestrutura rural. Durante o evento, também foram entregues 250 veículos ao Sistema Estadual de Agricultura e empossados novos servidores para atuação na Seab, Adapar e IDR-PR. Além disso, Campo Mourão recebeu o 200º selo Susaf, ampliando a segurança sanitária e a comercialização de produtos da agricultura familiar.

Ao integrar energia estável e conectividade digital, o Estado sinaliza uma estratégia de longo prazo voltada à modernização do campo. Afinal, a competitividade da agropecuária contemporânea depende não apenas de solo fértil e tecnologia embarcada, mas também de infraestrutura capaz de sustentar inovação, gestão eficiente e inclusão social.

Com a implementação do Se Liga Aí Paraná e do Paraná Conectado, o governo aposta na convergência entre energia e informação como motores de desenvolvimento rural sustentável, fortalecendo o papel do Paraná como referência nacional na produção de alimentos e na modernização da agropecuária.

Fonte: AEN/Noticias

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