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Home Tecnologia Rural

Estudo revela efeito anti-inflamatório e analgésico de planta nativa usada na medicina popular

Pesquisa científica com a Alternanthera littoralis abre caminho para o desenvolvimento de novos fitoterápicos baseados em saberes tradicionais

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Tecnologia Rural
Imagem: Fabrício Riella/iNaturalist

Imagem: Fabrício Riella/iNaturalist

Resumo

• Pesquisas de instituições brasileiras confirmam ações anti-inflamatória, analgésica e antiartrítica da Alternanthera littoralis, tradicionalmente usada na medicina popular.
• Análises fitoquímicas identificaram compostos bioativos no extrato etanólico, base para avaliar seus efeitos terapêuticos em modelos experimentais de inflamação.
• Estudos mostraram redução de edema, melhora dos parâmetros articulares e modulação de mediadores inflamatórios, indicando ação antioxidante e protetora dos tecidos.
• Testes toxicológicos revelaram perfil de segurança em doses terapêuticas, reforçando o potencial futuro para desenvolvimento de fitoterápicos derivados da espécie.
• Especialistas destacam que, apesar dos resultados promissores, ainda são necessários ensaios clínicos, padronização do extrato e etapas regulatórias antes do uso terapêutico.

A presença de plantas medicinais no cotidiano brasileiro acompanha não apenas tradições culturais, mas também uma herança de observações empíricas transmitidas por gerações. Embora muitos desses saberes tragam resultados reconhecidos popularmente, compreender, sob rigor científico, como essas espécies atuam no organismo é essencial para validar seu uso e garantir segurança.

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Dessa forma, um estudo robusto envolvendo pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) lança luz sobre a Alternanthera littoralis, o popular periquito-da-praia, abrindo novas perspectivas para a fitoterapia brasileira.

A planta que une tradição e ciência

Nativa do litoral brasileiro e presente há décadas na medicina popular, a Alternanthera littoralis é usada tradicionalmente para tratar inflamações, infecções e doenças parasitárias. Entretanto, apesar da forte presença cultural, pouco se sabia sobre seus mecanismos farmacológicos e sua real segurança de uso. Assim, o novo estudo oferece um panorama aprofundado e criterioso, revelando propriedades que vão além do conhecimento empírico.

Segundo a professora Arielle Cristina Arena, do Instituto de Biociências da Unesp, a pesquisa confirma que “o extrato apresenta uma ação antioxidante e protetora dos tecidos, modulando mediadores inflamatórios e reduzindo o edema em modelos experimentais”. Esses resultados dão respaldo científico ao uso tradicional e abrem caminhos para novas investigações.

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A investigação dos compostos bioativos

O ponto de partida da pesquisa foi a análise fitoquímica da planta, conduzida pelo farmacêutico Marcos Salvador, do Instituto de Biologia da Unicamp. Essa etapa buscou identificar os principais compostos presentes no extrato etanólico das partes aéreas da espécie, permitindo compreender quais substâncias poderiam estar associadas aos efeitos terapêuticos.

A caracterização química serviu como base para que a equipe da farmacologista Candida Kassuya, da Faculdade de Ciências da Saúde da UFGD, avaliasse o potencial anti-inflamatório e analgésico em modelos experimentais de artrite. A partir daí, os efeitos observados começaram a compor um cenário consistente: a planta realmente exerce atividade biológica significativa em condições inflamatórias.

Evidências experimentais e potenciais aplicações

A etapa toxicológica, coordenada por Arielle Arena, reforçou que, nas doses terapêuticas estudadas, o extrato demonstrou perfil de segurança e boa tolerabilidade, elemento crucial para qualquer proposta de avanço rumo a produtos fitoterápicos. Arena destaca que “os resultados reforçam o potencial medicinal da Alternanthera littoralis e estabelecem uma base científica sólida para pesquisas pré-clínicas futuras”.

Nos experimentos com animais, o extrato reduziu o edema, melhorou parâmetros articulares e modulou mediadores inflamatórios, sugerindo tanto uma ação antiartrítica quanto um possível efeito analgésico associado. Em conjunto, esses achados contribuem para a construção de um entendimento mais completo sobre o papel terapêutico da espécie.

O caminho até o uso terapêutico seguro

Apesar dos resultados animadores, a equipe reforça que ainda não é possível recomendar o uso clínico imediato da planta. A transição do ambiente experimental para a prática exige a realização de estudos toxicológicos adicionais, além de ensaios clínicos rigorosos que avaliem segurança, eficácia, posologia e padronização do extrato.

A professora Arielle Arena ressalta que o objetivo maior da linha de pesquisa é “valorizar a biodiversidade brasileira e o conhecimento tradicional, mas sempre com base científica rigorosa, promovendo o uso seguro e racional de produtos naturais”.

Assim, o estudo não representa apenas a validação de um saber popular, mas também uma demonstração do potencial das plantas nativas quando investigadas sob metodologias contemporâneas. Entre tradição e ciência, o periquito-da-praia surge como um exemplo promissor de como a flora brasileira ainda guarda potenciais terapêuticos a serem descobertos.

Via: Thais Szegö | Agência FAPESP
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