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Brasil e Equador vão pesquisar variedades de banana resistentes a doenças graves

O documento foi assinado no Itamaraty por representantes da Embrapa e do Equador

Revisão: Derick Machado
17 de maio de 2026
in Noticias
Foto: Maria Clara Guaraldo

Foto: Maria Clara Guaraldo

Representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador e da Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe) assinaram, na quinta-feira (5), no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF), carta de intenções para a construção de acordo de cooperação técnica. O foco é o melhoramento genético preventivo de bananeiras do subgrupo Cavendish (popularmente conhecida por Nanica) resistentes à raça 4 Tropical (Foc R4T), a forma mais grave da murcha de Fusarium, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc).

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“Esperamos que esse problema se converta em uma grande oportunidade para o governo do Equador e para a Embrapa. São mais de 250 mil famílias trabalhando na produção”, disse Juan Carlos Vega Melo, ministro de Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador, durante a assinatura da carta de intenções. 

A Foc R4T é considerada a mais destrutiva doença da cultura em todo o mundo e já ocorre em 17 países da Ásia, África e Oceania. Ainda não identificada no Brasil, está presente na Colômbia (desde 2019), Peru (2020), Venezuela (2023) — países que fazem fronteira com o Brasil — e Equador (2025), o que deixa a bananicultura nacional em permanente estado de atenção. A praga faz parte do sistema de vigilância oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes.

O fungo é disseminado por solo contaminado a partir de sapatos e ferramentas, mudas de bananeira (visualmente sadias, mas infectadas) e plantas ornamentais hospedeiras.

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Panorama dos dois países

O Equador é atualmente o maior exportador de bananas do mundo — foram quase 4 milhões de toneladas somente para exportação em 2023, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) — enquanto o Brasil produziu, em 2024, 7 milhões de toneladas, todas direcionadas apenas para o consumo interno, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A validação de genótipos resistentes sob condições reais de pressão da doença é fundamental para o País e, em especial, para os bananicultores brasileiros que optam por variedades do grupo Cavendish. “O desenvolvimento de variedades resistentes à Foc R4T e seu plantio em países onde a praga ocorre é uma questão de segurança nacional para o Brasil. Essa estratégia reduz o aumento populacional da praga, bem como o risco de disseminação e de introdução no nosso País. “Só há duas organizações no mundo pesquisando com o melhoramento de Cavendish, e a Embrapa é uma delas”, explica Edson Perito Amorim, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) e líder do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano da Embrapa.

O grupo Cavendish, mais plantado no Equador e exportado para 75 países, à exceção do Brasil, é o mesmo mais plantado no Vale do Ribeira — maior região produtora de banana do Brasil — mas não é maioria no País. “Apesar de o IBGE não classificar a produção brasileira de banana por variedade, estima-se que 55% sejam de banana tipo Prata, 10% do tipo Maçã e o restante, de outras variedades, incluindo Cavendish e plátanos, também conhecidos como bananas da terra”, salienta Amorim.

Parcerias internacionais

A parceria com instituições estrangeiras tem sido essencial para o avanço das pesquisas brasileiras em busca de variedades resistentes à doença. Foi graças ao trabalho com a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia) que o Brasil conseguiu comprovar que duas variedades de banana desenvolvidas pela Embrapa — a BRS Princesa (tipo Maçã) e a BRS Platina (tipo Prata) — são naturalmente resistentes à Foc R4T. Com isso, atualmente, o Brasil é o único país das Américas preparado para enfrentá-la. Pesquisas com a Corporação Bananeira Nacional (Corbana), da Costa Rica, também estão em curso, com foco no grupo Cavendish, o mais consumido em todo o mundo.

“Esta é a primeira de várias oportunidades de parceria com o Equador. A cooperação internacional é fundamental para acelerar o desenvolvimento e a validação de tecnologias capazes de proteger a bananicultura mundial”, destacou Silvia Massruhá, presidente da Embrapa.

Segundo ela, a colaboração permitirá avançar em soluções que beneficiem produtores de diferentes países. “A Embrapa tem um histórico sólido de pesquisa em melhoramento genético e de desenvolvimento de cultivares adaptadas a diferentes condições tropicais. Ao unir esforços com o Equador e com o setor produtivo representado pela Aebe, ampliamos nossa capacidade de gerar e validar variedades mais resistentes, contribuindo para a sustentabilidade da produção e para a segurança alimentar”, afirmou.

Massruhá ressaltou ainda que a parceria tem caráter estratégico para o Brasil e para a agricultura global. “Doenças como a raça 4 Tropical do Fusarium representam uma ameaça concreta à produção mundial de bananas. Trabalhar de forma colaborativa com países que já convivem com a praga é essencial para antecipar soluções, reduzir riscos e garantir que os produtores tenham acesso a materiais genéticos mais resilientes. Essa cooperação fortalece a ciência agrícola e demonstra como a pesquisa pode atuar de forma preventiva para proteger cadeias produtivas essenciais”, completou.

O chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Laranjeira, confirma a relevância do trabalho com países com a presença da Foc, já que a R4T é uma das 20 pragas prioritárias quarentenárias para o Brasil. “Nunca é demais reforçar a importância desse futuro acordo de cooperação com a Aebe. São dois parceiros que se complementam: a Embrapa com o aporte científico e tecnológico, e a Aebe, com a avaliação de características de mercado e de comercialização dos frutos. A Embrapa pretende resolver um problema real dos plantios do Equador, que deve proporcionar a possibilidade de que frutos de cultivares resistentes da Embrapa sejam utilizadas em mais de 75 mercados no mundo todo e diminuam a chance de que os problemas do R4T e do moko cheguem ao Brasil”, ressalta.

A delegação também discutiu com a Embrapa a possibilidade de outras parcerias, como na pesquisa com cacau e a transferência de tecnologias e o intercâmbio de informações para a implantação de tecnologias sociais, a exemplo do sisteminha Embrapa e da fossa séptica biodigestora.

Moko da bananeira

Outra doença que faz parte do escopo conjunto de pesquisas é o moko da bananeira, causado pela bactéria Ralstonia solanacearum. Altamente destrutivo, o moko gera sintomas em todos os órgãos da planta que podem levar à perda total da produção. Ainda não existem medidas de controle eficientes ou cultivares de bananeiras resistentes ao moko, já presente no Equador. “O projeto discutido com o Equador, que já perdeu 3 mil hectares devido à doença, pretende também desenvolver tecnologias que podem auxiliar os produtores brasileiros num eventual aumento da disseminação dessa doença, que hoje está restrita ao Norte do Brasil, ou uma migração para outras regiões produtoras”, complementa Amorim. 

Programação do encontro

Na manhã de quinta-feira (5), a presidente Silvia Massruhá, o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Clenio Pillon, o assessor Samuel Telhado, o assessor de Relações Internacionais, Marcelo Morandi, Laranjeira e Amorim participaram de reuniões técnicas na Sede da Embrapa com a Aebe. Acompanhado do presidente e produtor orgânico Jorge Encalada, José Hidalgo, diretor-executivo da Aebe, apontou a importância da bananicultura para o país. A atividade gera empregos para mais de 250 mil pessoas. “São 5,4 mil produtores da agricultura familiar, além dos grandes produtores”, ressaltou. Segundo ele, 98% da produção é para exportação, com destino a 75 países. 

O grupo realizou ainda visita técnica à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que viabilizou o envio do material da Embrapa para testes contra Foc R4T na Colômbia e, em breve, vai desempenhar a mesma atividade com o Equador.

Na sede da Embrapa, na quarta-feira (4), Laranjeira, Amorim, Telhado, Marcelo Dressler, analista da Diretoria de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia (Dint), e Paulo Galerani, pesquisador da Assessoria de Relações Internacionais (Arin), realizaram reunião preparatória com os representantes da associação para a consolidação do acordo de cooperação.

Parceria bilateral

Assinaram o documento o ministro de Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador, Juan Carlos Vega Malo; o diretor-executivo da Aebe, José Antonio Hidalgo; e a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.

Estavam presentes o embaixador do Equador no Brasil, Carlos Alberto Velástegui; a ministra da Embaixada do Equador na Itália e representante junto à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Verónica Gómez; o ministro da Embaixada do Equador no Brasil, Fernando Guzmán; e o representante do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) no Brasil, Jaime Holguín, além de Clenio Pillon, Samuel Telhado, Francisco Laranjeira, Edson Amorim e Marcelo Morandi, da Embrapa.

Via: Léa Cunha (DRT-BA 1633) Embrapa Mandioca e Fruticultura
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