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Nova mandioca da Embrapa promete transformar a produção no Amazonas

Com resistência ampliada, polpa amarela e adaptação à terra firme, a BRS Jacundá surge como alternativa estratégica para modernizar a cadeia da mandioca

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Mercado Agro
Foto: Sara Rangel /Embrapa

Foto: Sara Rangel /Embrapa

Resumo
  1. A BRS Jacundá, lançada pela Embrapa, foi desenvolvida ao longo de duas décadas para fortalecer a produção de mandioca no Amazonas, com foco em produtividade e resistência às doenças.
  2. A nova variedade apresenta polpa amarela valorizada pela indústria regional e desempenho superior em sistemas de cultivo de terra firme, predominantes no estado.
  3. A Jacundá foi criada para enfrentar desafios históricos da cultura, como baixa produtividade, pragas e perdas por falta de manivas de qualidade.
  4. A distribuição segura depende de maniveiros licenciados, responsáveis por multiplicar o material com rastreabilidade e controle sanitário, etapa ainda em expansão no Amazonas.
  5. A cultivar promete impulsionar a renda de agricultores, modernizar a cadeia produtiva e transformar a mandioca de subsistência em oportunidade econômica para milhares de famílias.

A mandioca acompanha a história da Amazônia muito antes de existir ciência para compreendê-la. Ela molda tradições culinárias, sustenta comunidades ribeirinhas, abastece feiras e atravessa gerações como um símbolo de segurança alimentar. Entretanto, apesar dessa relevância profunda, a cultura há décadas enfrenta entraves que dificultam seu pleno desenvolvimento: baixa produtividade, incidência de doenças, oferta limitada de manivas de qualidade e vulnerabilidade climática.

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É nesse cenário que surge a BRS Jacundá, variedade lançada pela Embrapa Amazônia Ocidental como resposta direta aos desafios que há tempos impactam quem vive da mandioca. Ela representa não apenas um avanço tecnológico, mas uma tentativa de reposicionar a cultura dentro de uma cadeia mais eficiente, rentável e resiliente.

Uma cultivar moldada pela ciência e pela realidade do campo

O desenvolvimento da BRS Jacundá levou duas décadas de avaliações, cruzamentos, seleção e testes conduzidos pela Embrapa. Cada etapa buscou responder às particularidades do cultivo em terra firme — sistema predominante no Amazonas —, onde solos, clima e sazonalidade exigem resiliência extra das plantas.

A nova variedade reúne características que atendem tanto à indústria quanto ao agricultor familiar. A produtividade é superior ao padrão tradicional e a raiz apresenta polpa amarela, atributo valorizado na produção de farinha, tucupi e outros derivados típicos da região. Além disso, a tolerância às principais doenças da cultura reduz perdas e diminui a necessidade de substituição frequente das áreas de plantio.

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Segundo os pesquisadores responsáveis, a Jacundá foi desenhada para entregar estabilidade produtiva mesmo em condições adversas, aliando vigor vegetativo, rusticidade e bom desempenho ao longo do ciclo.

Rastreabilidade e multiplicação: a base para que a tecnologia chegue ao produtor

Entretanto, a criação de uma nova cultivar só se completa quando o material chega ao campo com qualidade e origem garantida. Por isso, a Embrapa estruturou um modelo de multiplicação baseado em maniveiros licenciados, profissionais autorizados a reproduzir as manivas-sementes com controle sanitário e rastreabilidade.

Como o Amazonas ainda está nos primeiros passos desse processo, o número de multiplicadores é reduzido. Apenas dois maniveiros possuem licença válida, o que exige um esforço contínuo de expansão para evitar gargalos na oferta e permitir que a Jacundá alcance produtores de diferentes municípios.

À medida que mais agricultores se habilitarem, será possível formar um fluxo seguro e regular de material propagativo, evitando que a qualidade genética seja perdida ou misturada ao longo das safras.

Um impulso necessário para a cadeia produtiva

A chegada da BRS Jacundá sinaliza um novo ciclo para os agricultores amazônicos. A variedade oferece maior retorno por área plantada, reduz a vulnerabilidade às doenças e contribui para que a mandioca deixe de ser vista apenas como cultura de subsistência.

Além disso, ao proporcionar raízes mais uniformes e adaptadas às exigências da indústria regional, a cultivar fortalece arranjos produtivos que dependem de matéria-prima estável, como a fabricação de farinha, goma, tucupi e féculas artesanais.

A longo prazo, a tendência é que o acesso às manivas licenciadas e a adoção ampla da Jacundá promovam aumento da renda, diversificação econômica e maior segurança para milhares de famílias que dependem da mandioca como principal fonte de sustento.

Uma variedade criada para o futuro da Amazônia

A BRS Jacundá é mais que uma nova mandioca. Ela simboliza o encontro entre conhecimento científico, tradição agrícola e necessidade de adaptação a novos desafios. À medida que se consolida no campo, tende a redefinir padrões produtivos, ampliar a competitividade da região e fortalecer uma das culturas mais emblemáticas — e essenciais — da Amazônia.

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