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Abelhas sem ferrão: projeto escolar ensina produção de mel e fortalece economia rural

Revisão: Derick Machado
18 de maio de 2026
in Noticias
Anderson Eibel / Arquivo Pessoal

Anderson Eibel / Arquivo Pessoal

Em Iraí, município de pouco mais de 7 mil habitantes no extremo norte do Rio Grande do Sul, uma experiência educacional tem ultrapassado os limites da sala de aula e alcançado o interior das propriedades rurais. Aliás, o que começou como uma proposta de educação ambiental ganhou contornos de estratégia econômica ao ensinar jovens a produzir mel de abelhas sem ferrão e, consequentemente, ampliar a renda das famílias do campo.

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A iniciativa nasceu em 2024, com a primeira turma do ensino médio em tempo integral do Instituto Estadual de Educação Visconde de Taunay. A escola, que atende cerca de 260 alunos, estruturou um meliponário — espaço organizado para criação de abelhas nativas — e transformou o aprendizado em prática constante. Entretanto, o diferencial do projeto foi a união entre teoria e vivência rural.

Foi nesse momento que o então aluno Anderson Eibel, à época com 18 anos, tornou-se peça-chave. Já envolvido com a criação de abelhas na propriedade da família, ele uniu conhecimento prático à proposta pedagógica da professora Vanda Cristina Tonial, coordenadora do projeto.

“Soube que a professora Vanda estava planejando uma atividade que levasse os alunos para o meio ambiente e os envolvesse mais. Ao mesmo tempo, ela ficou sabendo que eu já trabalhava com abelhas. A gente juntou as ideias e eu ajudei principalmente na parte prática”, relata Anderson.

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Do campo à escola: aprendizagem aplicada

Desde o início, os estudantes passaram a participar de todas as etapas da meliponicultura. Assim, o processo envolve desde a captura das abelhas sem ferrão em áreas de mata até a confecção das caixas, o manejo adequado dos enxames e a avaliação da qualidade do mel produzido.

Abelhas sem ferrão: projeto escolar ensina produção de mel e fortalece economia rural
Anderson Eibel / Arquivo Pessoal

A professora Vanda explica que a proposta vai além da produção em si. “São vários dias de trabalho em campo para encontrar as abelhas, além da confecção das caixinhas e do cuidado com os enxames. A ideia é incentivar que alunos e famílias passem a cultivar mais espécies e entendam a importância das abelhas para o meio ambiente.”

Sob essa ótica, o projeto não apenas ensina uma técnica produtiva, mas também fortalece a consciência ecológica. Afinal, as abelhas nativas sem ferrão desempenham papel essencial na polinização de culturas agrícolas e na manutenção da biodiversidade, especialmente em regiões de agricultura familiar.

Meliponicultura como estratégia de renda

Abelhas sem ferrão: projeto escolar ensina produção de mel e fortalece economia rural
Anderson Eibel / Arquivo Pessoal

Para Anderson, a criação de abelhas começou muito antes da formalização do projeto escolar. Filho de pequenos produtores de leite e fumo, ele buscou alternativas que pudessem complementar a renda familiar e, ao mesmo tempo, preservar o ambiente.

“Comecei aprendendo sozinho, pesquisando sobre o assunto. Aprendi a fazer iscas para capturar os enxames no mato, a confeccionar as caixinhas e a fazer o manejo. Hoje tenho mais de cem caixas e isso virou uma fonte de renda”, afirma.

Atualmente, ele mantém 11 espécies de abelhas sem ferrão na propriedade da família, na comunidade de Águas Frias. Entre elas estão a jataí, a iraí e a mandaçaia, considerada uma das mais produtivas. Em condições adequadas de manejo, uma colmeia de mandaçaia pode render até 6 quilos de mel por ano, volume expressivo quando multiplicado por dezenas de caixas.

Além da comercialização do mel, Anderson também vende caixas povoadas, ampliando o alcance econômico da atividade. Dessa forma, a meliponicultura se consolida não apenas como prática ambiental, mas como alternativa real de diversificação produtiva.

Preservação e manejo responsável

Abelhas sem ferrão: projeto escolar ensina produção de mel e fortalece economia rural
Anderson Eibel / Arquivo Pessoal

Outro aspecto relevante do projeto é a preservação das espécies nativas. Muitos enxames acabam instalados em locais urbanos inadequados e, consequentemente, são eliminados por uso de inseticidas ou predadores. Ao capturá-los e transferi-los para caixas apropriadas, os alunos contribuem para a sobrevivência das colônias.

“A gente captura os enxames e coloca em caixas adequadas para que possam se desenvolver melhor. Hoje muitos enxames acabam em locais inadequados na cidade e morrem por causa de inseticidas ou predadores. É uma forma de ajudar a preservar as abelhas”, explica Anderson.

Mesmo após concluir o ensino médio, ele segue envolvido no projeto, cuidando das colmeias durante as férias escolares e recebendo alunos em dias de campo na propriedade. “Os alunos já vieram até na minha casa para um dia de campo. Viram como funciona, provaram amostras do mel e aprenderam o manejo. É o que vou continuar fazendo daqui para frente.”

Continuidade e impacto local

Com a estrutura do meliponário consolidada e o engajamento da comunidade escolar, o projeto terá continuidade em 2026, integrando as práticas experimentais do 1º ano do ensino médio. Assim, a proposta passa a fazer parte do calendário pedagógico da instituição.

Entretanto, o impacto já é perceptível. Ao conectar juventude, conhecimento técnico e realidade rural, a escola demonstra que inovação no campo não depende apenas de grandes investimentos, mas de iniciativa, orientação e aplicação prática. Além disso, ao valorizar a meliponicultura, reforça-se uma atividade que alia sustentabilidade, preservação ambiental e geração de renda — pilares cada vez mais estratégicos para o futuro da agricultura familiar.

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