Mania de Plantas
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência
No Result
View All Result
Mania de Plantas
No Result
View All Result
Home Agro do Futuro & Inovação

Fiagros, dívidas bilionárias e um novo marco para a terra

Setor apresenta ao governo pacote ambicioso que une renegociação de passivos, reforma da recuperação judicial e regularização fundiária

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Agro do Futuro & Inovação
AEN

AEN

O agronegócio brasileiro produziu mais, exportou mais e gerou mais riqueza nas últimas décadas do que qualquer projeção otimista poderia prever. Só que esse crescimento veio acompanhado de uma conta que o orçamento federal já não consegue pagar sozinho. O setor acumulou dívidas que chegam, segundo estimativas de parlamentares da bancada ruralista, à faixa entre R$ 120 bilhões e R$ 180 bilhões, e o modelo atual de financiamento público simplesmente não comporta esse tamanho de passivo.

ADVERTISEMENT

É nesse cenário que a ABFiagro, Associação Brasileira de Fiagros, apresentou ao Ministério da Agricultura um pacote de propostas que vai bem além de um simples pedido de renegociação de dívidas. O documento entregue ao governo Lula contempla mudanças no Plano Safra, no Seguro Rural, na lei de recuperação judicial, nos mecanismos de renegociação de passivos e, ainda, a criação de um marco temporal para a regularização fundiária. São cinco frentes distintas, todas convergindo para o mesmo objetivo: modernizar a estrutura financeira do campo com participação ativa do mercado de capitais.

O Desenrola Rural que o setor quer e o que está sendo negociado

Tramita no Senado Federal um projeto de lei sob relatoria de Renan Calheiros, do MDB do Maranhão, que prevê cerca de R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para cobrir a renegociação de dívidas de proprietários rurais. O texto já passou pela Câmara dos Deputados, mas o setor avalia esse valor como insuficiente para dimensionar o problema real. A ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina, do Progressistas do Mato Grosso do Sul, é uma das vozes mais ativas na articulação por mudanças no projeto, e o raciocínio é direto: se o endividamento real gira em torno de R$ 120 bilhões a R$ 180 bilhões, R$ 30 bilhões representam, na melhor das hipóteses, um alívio parcial.

A proposta da ABFiagro para o Desenrola Rural vai além do fôlego financeiro imediato. A associação defende que os chamados Fiagros — Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais — sejam integrados ao próprio mecanismo de renegociação, funcionando como um canal para transformar dívidas em estruturas de mercado sustentáveis no longo prazo.

Veja Também

Dois pesquisadores, uma meta: Epagri desenvolve manejo biológico para salvar o pepino para conserva

Ciência, clima e produção sustentável: Embrapa abre inscrições para o maior simpósio do Cerrado em 2026

Como os Fiagros funcionam na prática

A lógica dos Fiagros é engenhosa e parte de um princípio simples: o produtor rural tem ativo, mas não tem liquidez. Pela proposta, um proprietário poderia criar um fundo tendo sua fazenda como base e vender cotas no mercado — limitadas a no máximo 49% do total — para quitar dívidas existentes. Os investidores que adquirem essas cotas passam a ser remunerados pelos rendimentos gerados pela operação agrícola. O produtor mantém o controle da propriedade e resolve o passivo sem precisar vender a terra ou recorrer exclusivamente ao crédito bancário tradicional.

A proposta vai mais longe ao defender a integração desse modelo ao Plano Safra. Nesse desenho, o próprio governo federal deixaria de atuar apenas como concedente de linhas de crédito e passaria a entrar como cotista nos fundos, recebendo parte dos rendimentos. A União continuaria financiando o campo, mas dentro de uma lógica de participação no resultado, não apenas de crédito subsidiado sem retorno direto.

Uma estrutura semelhante também é proposta para o Seguro Rural, com o Fiagro assumindo o papel de garantidor das operações.

Recuperação judicial com lógica de fundo

Uma das mudanças mais ousadas no pacote diz respeito à lei de recuperação judicial. Hoje, quando um produtor entra com pedido de recuperação, cabe ao Poder Judiciário definir o administrador responsável pelo processo de reestruturação. A ABFiagro propõe inverter essa lógica: pelo novo modelo, a recuperação judicial daria origem a um fundo de investimento formado pelos próprios credores do produtor. Esses credores se tornariam cotistas e teriam poder para escolher o gestor que conduzirá a reestruturação.

A mudança retira do Judiciário uma decisão que, segundo o setor, é eminentemente técnica e financeira, colocando nas mãos de quem tem interesse direto no resultado a responsabilidade de conduzir o processo. Para o agronegócio, isso representa mais agilidade e mais eficiência na recuperação de empresas e produtores em dificuldade.

O obstáculo reconhecido pela própria associação, no entanto, é cultural. A maioria dos produtores rurais brasileiros opera como pessoa física por razões tributárias, o que significa que suas demonstrações financeiras são raras, peculiares e muito diferentes do padrão que analistas do mercado de capitais estão acostumados a avaliar. Do outro lado, os gestores financeiros têm dificuldade em precificar risco e crédito em um setor que ainda funciona majoritariamente fora das estruturas corporativas convencionais. Esse gap entre o campo e a Faria Lima é um dos principais entraves para ampliar o fluxo de capital privado para a agropecuária.

O marco fundiário como condição de segurança jurídica

O quinto eixo do pacote apresentado ao governo toca em um dos temas mais sensíveis da política agrária brasileira: a regularização fundiária. A proposta da ABFiagro é definir 1988, ano da promulgação da Constituição Federal, como o corte temporal para considerar regularizadas as áreas que já estavam ocupadas de forma produtiva até aquela data.

Pela proposta, ocupações realizadas após esse marco em áreas da União teriam dois caminhos: devolução ou regularização mediante pagamento. Proprietários que perderam terras também poderiam reivindicar a retomada das áreas. A ideia central é criar previsibilidade jurídica sobre o uso do solo, um requisito fundamental para que investidores do mercado financeiro se sintam seguros ao aportar capital em operações vinculadas a propriedades rurais.

Sem essa segurança, o argumento é que qualquer estrutura de fundo fundiário corre o risco de ver seu ativo principal — a terra — contestado judicialmente, o que inviabiliza a precificação e a atração de capital privado.

O que o governo faz com isso

O Ministério da Agricultura ainda avalia as propostas. O movimento da ABFiagro acontece em um momento político favorável para pressionar por mudanças: o setor já negocia com o governo Lula os termos de um programa amplo de renegociação de dívidas rurais, e a bancada ruralista no Congresso tem músculo suficiente para influenciar o texto final do projeto de lei em tramitação no Senado.

A resistência ao pacote, quando vier, provavelmente se concentrará nos pontos mais estruturais: o marco fundiário tem potencial de reacender debates sobre reforma agrária e direitos territoriais, e a proposta de transformar recuperações judiciais em fundos de cotistas abre precedentes que o sistema de Justiça precisará avaliar com cuidado. Mas o agronegócio entrou nessa disputa com um argumento difícil de ignorar — o crédito público simplesmente não tem escala suficiente para financiar sozinho um setor que responde por mais de 25% do PIB nacional.

Share234Tweet146Share

Artigos relacionados

Operação Big Citros mobiliza fiscais em campo para orientar produtores, eliminar plantas doentes e ampliar o controle do greening no Vale do Ribeira
Agro do Futuro & Inovação

Operação Big Citros mobiliza fiscais em campo para orientar produtores, eliminar plantas doentes e ampliar o controle do greening no Vale do Ribeira

by Mania de Plantas
6 de junho de 2026
0

Os municípios de Cerro Azul e Doutor Ulysses concentram boa parte da produção de tangerina do Paraná. Localizados no Vale do Ribeira, na Região Metropolitana de Curitiba, eles formam uma das principais...

Read more
Sensores, IA e dados em tempo real: como a tecnologia já reduz em 25% o uso de fertilizantes no campo
Agro do Futuro & Inovação

Sensores, IA e dados em tempo real: como a tecnologia já reduz em 25% o uso de fertilizantes no campo

by Mania de Plantas
6 de junho de 2026
0

A digitalização do agronegócio brasileiro saiu do papel. Segundo levantamento da Embrapa, cerca de 84% dos produtores rurais do país já utilizam algum tipo de tecnologia digital nas operações, incluindo sensores, softwares...

Read more
Dendê no Pará: como um estado passou a responder por 97% da produção nacional e por que isso importa para o agronegócio brasileiro
Agro do Futuro & Inovação

Dendê no Pará: como um estado passou a responder por 97% da produção nacional e por que isso importa para o agronegócio brasileiro

by Mania de Plantas
6 de junho de 2026
0

A cadeia produtiva do dendê deixou de ser uma promessa do agronegócio brasileiro para se tornar uma realidade consolidada, e o Pará está no centro absoluto dessa transformação. A produção nacional saltou...

Read more
Foto: Eliane Silva/Globo Rural
Agro do Futuro & Inovação

Do Xingu ao mercado: o chocolate indígena que transforma cacau nativo em renda e identidade no Pará

by Mania de Plantas
6 de junho de 2026
0

A expressão Sídia Wahiü, que na língua do povo Xypaia significa "mulher forte", não foi escolhida por acaso para nomear o primeiro chocolate indígena produzido na região do Médio Xingu, no Pará....

Read more
  • Politica de Privacidade
  • Contato
  • Politica de ética
  • Politica de verificação dos fatos
  • Politica editorial
  • Quem somos | Sobre nós
  • Termos de uso
  • Expediente
  • Revista
[email protected]

©2021 - 2025 Maniadeplantas, Dedicado a informar o público sobre a natureza e o mundo verde. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

No Result
View All Result
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência

©2021 - 2025 Maniadeplantas, Dedicado a informar o público sobre a natureza e o mundo verde. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

Nós estamos usando cookies neste site para melhorar sua experiência. Visite nossa Politica de privacidade.