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Janela de plantio do girassol fecha no fim de março em Goiás e regras fitossanitárias definem o ritmo da maior safra do país

Estado responde pela maior produção nacional da oleaginosa e exige cultivares de ciclo curto para quem semear após 14 de março

Revisão: Derick Machado
17 de maio de 2026
in Noticias
Janela de plantio do girassol fecha no fim de março em Goiás e regras fitossanitárias definem o ritmo da maior safra do país

O calendário do girassol em Goiás não tem margem para atraso. O prazo para o encerramento do plantio da oleaginosa no estado vence no próximo dia 31 de março, e o cumprimento dessa janela não é apenas uma exigência burocrática. Por trás da data há uma estratégia fitossanitária que sustenta a maior produção nacional da cultura, estimada em 72,3 mil toneladas na safra 2025/26, conforme projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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Goiás ocupa posição de destaque na produção brasileira de girassol justamente porque combina área cultivada expressiva com um sistema organizado de defesa vegetal. Esse sistema tem como base a Instrução Normativa nº 01/2022, da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), que estabelece o zoneamento temporal do plantio com um objetivo preciso: controlar as plantas voluntárias de soja, conhecidas como tiguera, que germinam nas entrelinhas da lavoura de girassol e abrem caminho para a ferrugem asiática.

A tiguera de soja no centro do problema

A relação entre o girassol e a soja vai além da rotação de culturas. Quando o girassol é semeado em sucessão à soja, os grãos que restaram no solo da safra anterior germinam nas entrelinhas e criam um ambiente favorável à sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, agente da ferrugem asiática, uma das doenças mais destrutivas para a sojicultura brasileira.

O problema se agrava porque, até o momento, não há herbicidas seletivos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com eficácia comprovada no controle da tiguera dentro da cultura do girassol. Isso significa que, uma vez estabelecida a planta voluntária, o produtor tem opções limitadas de manejo químico. O controle, portanto, passa necessariamente pela gestão do calendário de plantio.

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“O sucesso de Goiás na produção de girassol não seria possível sem as medidas fitossanitárias voltadas ao manejo adequado de plantas daninhas. Essas ações garantem segurança ao produtor e preservam a integridade da cadeia produtiva”, destaca o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos.

Cultivar de ciclo curto para quem semear depois do dia 14

O calendário estabelecido pela Agrodefesa divide a janela de plantio em dois momentos distintos. Produtores que semearam até o dia 14 de março têm maior flexibilidade na escolha do material genético. Para quem realizou ou ainda realizará o plantio entre 14 e 31 de março, a normativa é específica: somente cultivares de ciclo curto, com até 105 dias, estão autorizadas, de forma que a colheita seja concluída até o dia 15 de julho.

Essa exigência não é arbitrária. A data de colheita máxima foi calibrada para garantir que as lavouras sejam encerradas antes que as condições climáticas do segundo semestre favoreçam a proliferação de doenças e a disseminação de inóculo entre talhões. Cultivares mais longas, semeadas fora do prazo recomendado, ultrapassariam esse limite e comprometeriam não apenas a própria lavoura, mas também a sanidade das áreas vizinhas.

“É importante ressaltar que as lavouras de girassol plantadas após 14 de março, em sucessão à cultura da soja, deverão ser semeadas com cultivares de ciclo curto, de até 105 dias, de modo a permitir a colheita até 15 de julho”, reforça Ramos.

72,3 mil toneladas que dependem da disciplina coletiva

A estimativa de 72,3 mil toneladas para a safra 2025/26 posiciona Goiás como o principal estado produtor de girassol do Brasil. Esse volume, contudo, é resultado de um modelo produtivo que combina tecnologia agronômica, organização de mercado e, de forma determinante, o cumprimento coletivo das normas fitossanitárias. Um único talhão fora do calendário pode funcionar como reservatório de inóculo e comprometer lavouras vizinhas, o que transforma o prazo de plantio em uma responsabilidade que vai além dos limites de cada propriedade.

O girassol goiano se consolidou como alternativa estratégica na safrinha, ocupando o intervalo entre a colheita da soja e o início do período chuvoso seguinte. A cultura demanda menos água que o milho segunda safra, tolera solos com menor disponibilidade hídrica e ainda oferece ao produtor uma opção de diversificação de receita, com a oleaginosa destinada principalmente à produção de óleo e à alimentação animal. Aliás, o farelo de girassol tem ganhado espaço como componente proteico em rações, ampliando o interesse da agroindústria pela expansão do cultivo no Cerrado.

O encerramento da janela de plantio no dia 31 de março marca, portanto, o ritmo de toda essa cadeia. Produtores que ainda não concluíram a semeadura têm poucos dias para finalizar as operações de campo, respeitando a restrição de ciclo para as áreas em sucessão à soja e assegurando que a colheita ocorra dentro do prazo estabelecido pela normativa estadual.

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