Eco, Clima & Sustentabilidade
Queda de árvore no Maranhão deixa centenas de periquitos mortos; 16 permanecem em tratamento
Especialista explica por que as aves não conseguiram voar durante o acidente
Publicado
6 meses atrásem
Por
Derick Machado
Uma tempestade intensa que atingiu o município de Lajeado Novo, no sudoeste do Maranhão, na última quinta-feira (29), resultou em uma das maiores ocorrências envolvendo aves silvestres já registradas na região. A queda de um eucalipto de aproximadamente 32 metros causou a morte de mais de 350 periquitos-rei (Eupsittula aurea), espécie bastante comum no Cerrado brasileiro e reconhecida por seus bandos numerosos e comportamento social marcante.
No meio da devastação, 27 aves ainda foram encontradas com vida. Entretanto, o resgate não foi suficiente para evitar novas perdas. Três morreram durante o transporte até São Luís e, nos dias seguintes, outras 11 não resistiram às lesões. Segundo informações do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas), do Ibama, os animais apresentavam quadro clínico considerado de ruim a crítico, consequência direta do impacto e das condições climáticas adversas.

Atualmente, 16 periquitos permanecem sob cuidados veterinários. Quinze estão estáveis e não apresentam sequelas aparentes, enquanto um segue com a asa imobilizada. Quando estiverem plenamente aptos, serão encaminhados para viveiros de reabilitação antes de uma eventual soltura monitorada.
Por que as aves não voaram durante a queda?
A cena levantou uma dúvida inevitável: por que tantas aves não conseguiram escapar? O médico-veterinário Leonardo Moreira, professor da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), esclareceu que o comportamento dos periquitos ajuda a entender o ocorrido.
Periquitos-rei são aves essencialmente diurnas. À noite, adotam uma estratégia de proteção que envolve permanecer imóveis e aglomerados em árvores, reduzindo o risco de predação. “Aparentemente, as aves que estavam abrigadas do lado da árvore que teve contato com o solo não tiveram tempo de sair devido à velocidade da queda”, explicou Moreira.
Além disso, a tempestade pode ter agravado a situação. Com as penas encharcadas, as aves perdem eficiência aerodinâmica. “Se as penas ficam molhadas, as asas perdem a eficiência de sustentação para o voo; elas simplesmente não conseguem voar se estiverem muito molhadas”, detalhou o especialista. Assim, mesmo que algumas tenham percebido o movimento, as condições físicas podem ter impedido a fuga imediata.
Outro fator relevante envolve a própria turbulência provocada pelos ventos fortes. Voar em meio a rajadas intensas aumenta o risco de colisões e desorientação. Soma-se a isso a possibilidade de hipotermia, especialmente quando a ave permanece exposta à chuva e à queda brusca de temperatura.
Entretanto, nem todas foram atingidas. No fim da tarde seguinte ao acidente, um grande bando foi visto pousando em árvores próximas ao local, possivelmente formado por indivíduos que conseguiram se afastar durante ou logo após a queda.
Fonte: G1 / Foto: Leonardo Moreira de Oliveira/UEMA
Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em jardinagem, botânica urbana e paisagismo residencial. Acompanha de perto as principais tendências de design biofílico, técnicas de cultivo sustentável e inovações no manejo de plantas para ambientes internos e externos, sempre com base em referências de institutos botânicos, universidades e especialistas do setor.
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