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Purificadores da UEM usam bioadsorventes naturais e eliminam vírus da água

Revisão: Derick Machado
18 de maio de 2026
in Noticias
Purificadores da UEM usam bioadsorventes naturais e eliminam vírus da água

A água que chega às torneiras brasileiras percorre diversas etapas de tratamento antes de ser distribuída. Ainda assim, embora apresente aspecto cristalino, isso não significa que esteja completamente livre de resíduos químicos ou subprodutos formados durante o próprio processo de desinfecção. É justamente nesse ponto que pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) decidiram avançar, desenvolvendo sistemas de purificação capazes de elevar o padrão de qualidade da água consumida pela população.

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Os estudos são conduzidos no Laboratório de Gestão, Controle e Preservação Ambiental (LGCPA), sob coordenação da professora Rosangela Bergamasco. A proposta parte de um princípio claro: buscar eficiência técnica sem abrir mão da sustentabilidade e da viabilidade econômica. Segundo a pesquisadora, o tratamento convencional utiliza compostos como sulfato e cloreto de alumínio para reagir com impurezas. Entretanto, essas substâncias podem gerar resíduos que permanecem na água mesmo após a filtragem tradicional.

É nesse cenário que entram os bioadsorventes naturais. No laboratório da UEM, cerca de vinte materiais com capacidade filtrante vêm sendo combinados e testados, entre eles zeólita, quartzo, casca de laranja e casca de noz. Esses elementos atuam na retenção de contaminantes por meio de processos físicos e químicos, promovendo uma purificação mais ampla e com menor impacto ambiental. Rosangela reforça que o foco é unir desempenho e acessibilidade. “A gente trabalha com esses parâmetros: ter eficiência, mas que também seja acessível a uma faixa grande da população, garantindo custo e benefício”, afirma. Além disso, ela destaca que a prioridade é utilizar produtos naturais para “agredir cada vez menos o meio ambiente e, ao mesmo tempo, ter água de qualidade”.

Entre os resultados mais expressivos está uma fórmula desenvolvida à base de carvão vegetal, prata e minerais específicos, capaz de remover qualquer tipo de vírus presente na água, inclusive bacteriófagos, que se alojam em células bacterianas. A inovação já foi patenteada e passou a integrar sistemas de purificação disponibilizados ao público por meio de parcerias com empresas do setor.

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A cooperação com a empresa Purific, que se estende por mais de 15 anos, resultou em uma série de elementos filtrantes naturais que reduzem a presença de flúor, metais pesados, cloro e pesticidas. Entretanto, as pesquisas seguem avançando. Atualmente, uma das frentes investigadas no LGCPA busca eliminar resíduos de fármacos, um desafio crescente nos grandes centros urbanos, onde medicamentos descartados inadequadamente acabam alcançando os mananciais.

Para o diretor de marketing da Purific, Vagner Kodama, essa aproximação entre universidade e indústria representa um diferencial competitivo importante. Ele explica que muitas empresas utilizam tecnologias padronizadas fornecidas por fabricantes de matéria-prima. Contudo, ao incorporar os estudos conduzidos pela UEM, a companhia consegue aprimorar essas bases e alcançar desempenho superior na qualidade final da água. “Todos os nossos concorrentes usam tecnologia que os fornecedores de matéria-prima colocam. Nós pegamos essa mesma tecnologia e, dentro da nossa indústria, com os estudos da universidade, conseguimos desenvolver produtos muito superiores em termos de qualidade final da água. Sem dúvida, isso é uma vantagem muito grande no nosso posicionamento de mercado”, afirma.

Kodama observa ainda que a parceria cria um ciclo virtuoso. A empresa obtém respaldo científico, a universidade fortalece sua produção acadêmica e a sociedade passa a ter acesso mais rápido às tecnologias desenvolvidas. “Através desse projeto, nós temos um tripé: a empresa, que recebe o suporte da pesquisa; a universidade, que consegue fomentar projetos científicos; e a comunidade, onde colocamos rapidamente as tecnologias à disposição da sociedade para aumentar a qualidade de vida e a saúde da população”, destaca.

A discussão sobre qualidade da água vai além da estética ou do sabor. Rosangela Bergamasco lembra que a hidratação adequada é fundamental para o funcionamento do cérebro, para o equilíbrio do sistema imunológico e para o bem-estar geral. Segundo ela, sintomas como cansaço frequente, dores de cabeça, queda de rendimento e alterações de humor podem estar associados não apenas à desidratação, mas também à ingestão de água com presença de metais pesados ou outros contaminantes. “O que a gente precisa para o funcionamento dos nossos neurônios é água. Se a gente consome água com metais pesados, isso atrapalha a função das células. Por isso, é fundamental consumir água livre desses contaminantes para manter uma função fisiológica saudável”, conclui.

Dessa forma, ao combinar ciência aplicada, materiais naturais e transferência tecnológica para o setor produtivo, a iniciativa da UEM aponta para um modelo de purificação que não apenas remove vírus e impurezas, mas também redefine o padrão de segurança hídrica com responsabilidade ambiental e impacto direto na saúde pública.

Fonte: noticias.uem

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