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Brasil dobra número de Indicações Geográficas em cinco anos e valoriza identidade territorial

Revisão: Derick Machado
18 de maio de 2026
in Noticias
Brasil dobra número de Indicações Geográficas em cinco anos e valoriza identidade territorial

Produtos que carregam o sabor do território, a memória de quem produz e as particularidades de um lugar específico vêm ganhando protagonismo na economia brasileira. Nos últimos cinco anos, o número de Indicações Geográficas (IGs) mais do que dobrou no país, evidenciando um movimento que combina valorização cultural, organização produtiva e estratégia comercial. Se em 2020 o Brasil contabilizava 73 certificações concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o total chegou a 150 no ano passado e já alcança 151 registros nacionais em 2026, com a inclusão das tortas de Carambeí, no Paraná.

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O crescimento revela mais do que números. Ele aponta para uma transformação estrutural na forma como pequenos produtores enxergam seu posicionamento no mercado. A certificação, além de proteger o nome geográfico, agrega reputação, diferenciação e rastreabilidade, atributos cada vez mais valorizados por consumidores atentos à origem dos alimentos e produtos artesanais.

Estruturação exige tempo e governança

Embora o avanço seja expressivo, o processo de obtenção de uma IG é criterioso e demanda organização coletiva. Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, observa que o ritmo de crescimento tende a se manter estável, com expansão média estimada em 20% ao ano. Segundo ela, a estruturação de uma IG leva pelo menos 18 meses, além do período de análise no INPI, que atualmente gira em torno de um ano.

“Esse prazo é fundamental para a estruturação, mobilização dos produtores, construção da governança, consolidação de evidências e análises detalhadas do pedido de registro”, explica Hulda Giesbrecht.

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A etapa prévia ao registro envolve levantamento histórico, delimitação territorial, padronização de processos produtivos e definição de mecanismos de controle. Além disso, exige coesão entre os produtores, o que fortalece a identidade coletiva e amplia a capacidade de negociação. Em 2025, o Sebrae intensificou o suporte às IGs, promovendo diagnósticos territoriais, mentorias internacionais e rodadas de negócios, o que contribuiu para ampliar o acesso a mercados externos.

O mel de melato de Bracatinga e o valor da origem

Entre os exemplos consolidados está o mel de melato de Bracatinga, reconhecido como Denominação de Origem. Produzido no Planalto Sul brasileiro, abrangendo municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, o produto ganhou notoriedade pela qualidade e composição diferenciada, sendo conhecido como “ouro negro”.

A certificação, concedida em 2021, consolidou o posicionamento internacional do mel. De acordo com Carolina Maciel da Costa, gestora da IG, cerca de 80% da produção é destinada à exportação, com destaque para Alemanha e Estados Unidos. Atualmente, dez empresas representam 43 pequenos apicultores na região demarcada.

“O Sebrae continua firme e forte conosco como nosso parceiro. É mais difícil levar o nosso produto para outras regiões, mesmo assim já conseguimos chegar em alguns estados do Nordeste, Espírito Santo e Amapá”, afirma Carolina.

O caso demonstra como a IG funciona como ferramenta de reputação. Além de proteger o nome geográfico, o selo reforça atributos técnicos e permite ao consumidor identificar a procedência com segurança.

Café lidera certificações e eleva padrão de qualidade

O setor cafeeiro lidera o ranking de registros, com 20 Indicações Geográficas distribuídas principalmente entre Minas Gerais e São Paulo. A maioria enquadra-se como Indicação de Procedência, reforçando a tradição produtiva dessas regiões.

No Sudoeste de Minas, a certificação recente fortaleceu produtores que investem em rastreabilidade e cultivo regenerativo. A família Frutuoso, por exemplo, produz cerca de 100 sacas anuais comercializadas em microlotes, estratégia que assegura controle de qualidade e valor agregado.

“Dentro da IG tem produtores que já exportam e outros que vendem mais internamente. No nosso caso, conseguimos uma exportação indireta para o Canadá, após sermos finalista do concurso da Semana Internacional do Café”, relata Edivaldo de Oliveira.

Além disso, iniciativas como a plataforma Origem Controlada Café passaram a monitorar dados técnicos, propriedades cadastradas e selos emitidos, ampliando a transparência do setor. Já foram contabilizados quase 3.500 produtores e mais de 120 mil selos de certificação emitidos, o que evidencia o amadurecimento da governança nas regiões certificadas.

Artesanato e diversidade regional ampliam protagonismo

O movimento não se restringe ao agronegócio. O artesanato soma 18 IGs no país, com destaque para o Nordeste, que concentra a maioria dos registros. No Ceará, por exemplo, a cerâmica de Alegria, a renda de bilros de Aquiraz e o algodão agroecológico de Inhamuns mostram como tradição e identidade cultural podem se converter em diferencial competitivo.

Essa diversificação amplia o alcance das IGs e reforça a conexão entre cultura, território e desenvolvimento econômico. Assim, a certificação deixa de ser apenas um selo formal e passa a representar uma estratégia estruturada de posicionamento de mercado.

Crescimento sustentável e expansão internacional

O avanço das Indicações Geográficas no Brasil indica uma tendência consistente de valorização da produção local. Entretanto, o desafio agora é ampliar a inserção internacional e fortalecer o consumo interno. A consolidação de governanças regionais, aliada à rastreabilidade e ao controle de qualidade, tende a manter o ritmo de crescimento nos próximos anos.

Ao transformar tradição em ativo econômico, as IGs reposicionam pequenos produtores e reforçam a competitividade brasileira em mercados exigentes. Por isso, o selo deixa de ser apenas um reconhecimento formal e se torna instrumento estratégico para expansão, diferenciação e sustentabilidade produtiva.

Fonte: Agencia Sebrae

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