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Infestação de maria-mole exige atenção urgente de produtores rurais, aponta estudo oficial

Pesquisa realizada no Rio Grande do Sul revela índices elevados da planta tóxica e indica estratégias que previnem intoxicação fatal em bovinos.

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Noticias
Maria-mole. Foto: Divulgação/Seapi

Maria-mole. Foto: Divulgação/Seapi

Resumo

• A maria-mole apresenta alta toxicidade para bovinos e sua ingestão causa seneciose, doença hepática fatal sem tratamento.
• Estudo conduzido no Rio Grande do Sul revelou índices elevados de infestação em diversas propriedades rurais.
• Boa cobertura vegetal e pastoreio ovino mostraram-se as formas mais eficazes de controle da planta tóxica.
• A intoxicação ocorre principalmente no outono e inverno, quando a planta concentra maior teor de alcaloides.
• Comunicado técnico da Secretaria da Agricultura orienta produtores sobre manejo preventivo e estratégias de controle.

Entre as plantas que mais preocupam os pecuaristas do Sul do Brasil, a maria-mole (Senecio spp.) vem ganhando destaque pela rápida expansão em áreas de pastagem e pelo alto potencial tóxico para bovinos. Embora faça parte da flora nativa de muitas regiões, sua presença desordenada transforma-se em um risco real para o rebanho, especialmente em períodos de menor oferta de pasto. Foi exatamente esse cenário que motivou um estudo conduzido entre 2023 e 2024 pelo pesquisador Fernando Karam, do Laboratório de Histopatologia do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor – IPVDF.

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Os resultados, reunidos no Comunicado Técnico 11, publicado pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi), revelam um quadro que exige atenção redobrada: a planta está amplamente disseminada e, quando consumida, desencadeia a seneciose, doença hepática fatal para os bovinos.

O impacto da toxicidade e as perdas na pecuária

A maria-mole é conhecida pela presença de alcaloides pirrolizidínicos — substâncias capazes de provocar danos irreversíveis ao fígado. Karam explica que a intoxicação não tem tratamento eficaz e apresenta letalidade próxima de 100%, o que aumenta a gravidade do problema em propriedades onde a planta se torna dominante. Segundo o pesquisador, as áreas investigadas em Guaíba, Eldorado do Sul, Viamão e Charqueadas apresentaram índices muito elevados de infestação, reforçando a necessidade de manejo contínuo.

Durante o outono e o inverno, quando os campos tendem a oferecer menor diversidade de forragem, a ingestão acidental pelos bovinos se torna mais frequente. “E nessa época ela possui alto teor de alcaloides tóxicos”, destaca Karam, lembrando que é exatamente esse aumento de toxicidade sazonal que potencializa mortes repentinas e severos prejuízos econômicos.

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Por que a infestação cresce — e como pode ser controlada

Apesar do cenário desafiador, a pesquisa identificou dois fatores decisivos para reduzir a presença da maria-mole nos campos: boa cobertura vegetal e pastoreio ovino. Nas raras áreas onde a infestação era baixa, esses elementos estavam presentes de forma consistente, funcionando como barreiras naturais ao avanço da planta. Para Karam, a combinação dessas práticas com ações de manejo do pasto pode impedir intoxicações e proteger os rebanhos, sobretudo porque não existe alternativa terapêutica após a ingestão.

Além disso, o pesquisador reforça que intervenções estratégicas, como roçadas em períodos críticos e ajuste da oferta de alimento, ajudam a impedir que os bovinos busquem a planta quando o pasto está escasso. Essas medidas, quando aplicadas de forma contínua, reduzem a pressão da infestação e fortalecem a sustentabilidade das propriedades rurais.

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Quando a paisagem esconde riscos

Karam relata que observou a planta principalmente em propriedades avaliadas durante o período frio, fase em que as condições climáticas favorecem tanto o florescimento quanto o acúmulo de compostos tóxicos. A aparência inofensiva da maria-mole mascara seu potencial letal, criando uma falsa sensação de segurança para quem maneja o gado diariamente. Entretanto, o risco aumenta justamente quando os animais, pressionados pela fome, exploram áreas menos utilizadas do campo.

A pesquisa reforça que a prevenção é a única ferramenta realmente eficaz. “Os resultados confirmaram o predomínio da infestação muito alta de maria-mole na maioria dos locais investigados”, comenta o pesquisador. Assim, além de atenção constante ao pasto, é essencial observar a dinâmica do rebanho e adotar estratégias que reduzam o contato com a planta em épocas críticas.

Um alerta que se transforma em orientação técnica

O comunicado técnico lançado pela Secretaria da Agricultura cumpre um papel decisivo: traduz descobertas científicas em orientações práticas que fortalecem a cadeia produtiva. Ao detalhar a distribuição da maria-mole, seu comportamento sazonal e suas consequências para a saúde animal, o documento oferece subsídios para que produtores planejem melhor o manejo de suas áreas e reduzam o impacto dessa planta tóxica.

A publicação também reforça a importância da vigilância constante — tanto da vegetação quanto do rebanho —, além de incentivar ações integradas que envolvem técnicos, produtores e instituições de pesquisa. Para uma pecuária cada vez mais sustentável, conservar o equilíbrio do ecossistema é tão essencial quanto proteger o gado dos riscos invisíveis que habitam os campos.

Via: Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação
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