Agro do Futuro & Inovação
Bioplástico mais resistente é criado a partir de resíduos de laranja
Publicado
12 meses atrásem
Por
Derick Machado
Uma pesquisa desenvolvida no interior de São Paulo encontrou nos resíduos da laranja uma oportunidade para criar um bioplástico mais resistente e ambientalmente amigável. Casca, sementes, membranas e a parte branca que reveste a fruta, normalmente descartadas após o processamento industrial, foram transformadas em um pó rico em fibras e pectina. Esse material foi combinado ao alginato de sódio, composto natural extraído de algas marinhas, resultando em um plástico biodegradável com maior firmeza e resistência térmica.
O método surgiu como resposta a uma limitação frequente nos bioplásticos à base de alginato: a baixa durabilidade e a alta absorção de água, que comprometem seu uso em diversas aplicações. A incorporação do pó de laranja alterou significativamente essa característica, tornando o material menos vulnerável à umidade e mais estável.
Do pomar ao laboratório
Para chegar à formulação final, os resíduos passaram por um processo de limpeza, secagem e trituração, até atingirem granulometria uniforme. Testes laboratoriais comprovaram que o aumento na concentração do pó potencializou a resistência térmica do material. Além de melhorar o desempenho mecânico, essa abordagem representa um destino nobre para parte dos milhões de toneladas de subprodutos gerados pela indústria de suco de laranja no Brasil.
O país, maior produtor e exportador mundial da fruta, concentra sua produção no estado de São Paulo, responsável por cerca de 80% da safra nacional. A maior parte dos resíduos ainda é descartada ou tem uso limitado na fabricação de rações, adubos e óleos essenciais. Transformá-los em matéria-prima para a indústria de embalagens poderia abrir novas frentes econômicas e ambientais.
Impacto no cenário global de plásticos
Segundo estimativas internacionais, a produção mundial de plásticos biodegradáveis deve alcançar 7,4 milhões de toneladas até 2028. Nesse contexto, iniciativas como a brasileira contribuem não apenas para reduzir a dependência dos plásticos derivados de petróleo, mas também para dar destino útil a resíduos que, de outra forma, representariam um desafio ambiental.
Atualmente, de acordo com a ONU, apenas 9% das 430 milhões de toneladas de plásticos convencionais gerados a cada ano são reciclados. O restante permanece no ambiente por décadas, agravando a poluição em solo, rios e oceanos. Tecnologias que utilizam fontes renováveis e degradáveis podem ajudar a mudar esse cenário.
Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em jardinagem, botânica urbana e paisagismo residencial. Acompanha de perto as principais tendências de design biofílico, técnicas de cultivo sustentável e inovações no manejo de plantas para ambientes internos e externos, sempre com base em referências de institutos botânicos, universidades e especialistas do setor.
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