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Óleos da Amazônia ganham destaque no combate natural a parasitas do tambaqui

Pesquisadores da Embrapa testam extratos de plantas nativas como alternativa segura e sustentável aos químicos na piscicultura brasileira

Revisão: Derick Machado
8 de maio de 2026
in Jardinagem & Cuidados
Óleos da Amazônia ganham destaque no combate natural a parasitas do tambaqui

Nos tanques e viveiros espalhados pela região Norte do país, o tambaqui (Colossoma macropomum) reina como símbolo da aquicultura nacional. No entanto, o que se passa sob a superfície desses criadouros ainda desafia produtores: parasitas que se alojam nas brânquias, comprometem a respiração dos peixes e afetam diretamente a produtividade. Agora, em um avanço que une ciência, tradição e biodiversidade, pesquisadores da Embrapa testam óleos essenciais extraídos de plantas amazônicas como solução eficaz e ecológica para esse problema antigo.

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A pesquisa, desenvolvida pela Embrapa Amapá em colaboração com a Embrapa Amazônia Ocidental e a Universidade Federal do Amapá (Unifap), abre novas possibilidades para a piscicultura ao substituir os tradicionais quimioterápicos por compostos naturais de origem vegetal. O estudo concentrou-se em três espécies do gênero Piper — todas amplamente conhecidas por suas propriedades medicinais nas comunidades amazônicas: Piper callosum, Piper hispidum e Piper marginatum.

Aliás, os testes laboratoriais demonstraram que os óleos de P. callosum e P. hispidum foram altamente eficazes contra os chamados monogenéticos — vermes parasitas que se instalam nas brânquias dos peixes e dificultam a troca gasosa. Além disso, apresentaram o diferencial de não provocar resistência nem efeitos tóxicos, mesmo quando aplicados em banhos terapêuticos repetidos.

Óleos da Amazônia ganham destaque no combate natural a parasitas do tambaqui
‘Piper marginatum’. Foto: Maria Tupinambá/Embrapa

“O que observamos é uma alternativa promissora: segura para o ambiente, para o produtor e para o próprio peixe”, destaca o pesquisador Marcos Tavares Dias, que coordena o estudo. Segundo ele, os tratamentos tradicionais, como formalina e albendazol, apesar de eficazes, levantam preocupações quanto à saúde dos trabalhadores e ao risco de contaminação ambiental. “Com os óleos, eliminamos esse impacto negativo, sem abrir mão do controle sanitário”.

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Os banhos com os extratos foram aplicados em diferentes dosagens e tempos: o óleo de P. callosum, por exemplo, foi administrado em duas sessões de 20 minutos com intervalo de um dia. Já o de P. hispidum exigiu três banhos de uma hora com dois dias entre cada aplicação. Em ambas as abordagens, houve redução significativa da infestação parasitária.

A biodiversidade amazônica como ferramenta de inovação

As plantas utilizadas na extração dos óleos foram cultivadas em Manaus, nas áreas experimentais da Embrapa Amazônia Ocidental. O trabalho de cultivo e secagem foi conduzido pelo pesquisador Francisco Célio Chaves, que também destaca o caráter simbólico do projeto: “Estamos resgatando o uso tradicional de espécies da família Piperaceae, mas com validação científica e aplicação tecnológica”, afirma.

Após a colheita, os extratos foram analisados pela equipe da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro. O cromatógrafo gasoso, equipamento que separa e identifica os compostos voláteis das amostras, revelou a presença de substâncias com potente atividade biológica — muitas delas já reconhecidas na literatura por seu uso em aplicações fitossanitárias.

“O interessante é que esses compostos não se limitam à piscicultura. Também têm potencial no controle de pragas agrícolas, o que amplia ainda mais o campo de uso desses óleos”, reforça Chaves.

Para além do tratamento: o papel da prevenção e da sustentabilidade

Mais do que um remédio natural, o uso dos óleos aponta para uma nova lógica de produção aquícola, mais alinhada aos princípios da sustentabilidade. Isso inclui práticas preventivas, como a quarentena dos alevinos, o controle da densidade nos tanques e a vigilância constante da qualidade da água. Segundo estimativas da Embrapa, o combate a parasitas pode representar até 22% dos custos de produção, o que reforça a necessidade de soluções mais duradouras.

E embora os resultados laboratoriais sejam promissores, os pesquisadores fazem um alerta importante: ainda é preciso avançar na regulamentação, na produção em escala e na validação desses métodos em ambientes reais de criação. “O próximo passo é garantir que essa tecnologia esteja acessível, segura e validada, para realmente transformar o dia a dia do produtor”, conclui Marcos Tavares Dias.

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