Mania de Plantas
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência
No Result
View All Result
Mania de Plantas
No Result
View All Result
Home Clima e Sustentabilidade

80 anos de ausência, 4 mil indivíduos de volta: o guará reconquista a Baía de Guaratuba

Revisão: Derick Machado
17 de maio de 2026
in Clima e Sustentabilidade
80 anos de ausência, 4 mil indivíduos de volta: o guará reconquista a Baía de Guaratuba

Quem passa pelo fim de tarde na Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná, sabe reconhecer o momento. O céu começa a ganhar manchas vermelhas que não vêm do sol. São os guarás — centenas deles — retornando ao dormitório antes do escuro. O espetáculo dura minutos. O impacto, uma vida inteira.

ADVERTISEMENT

A espécie que deu nome ao município ficou ausente da região por cerca de 80 anos. Voltou em 2008, quase em silêncio. Desde então, a população cresceu, o monitoramento se organizou e o ecoturismo começou a enxergar nessa ave vermelha uma oportunidade real de negócio — e de conservação.

Indicador vivo da saúde dos manguezais

O guará (Eudocimus ruber) não é apenas bonito. É exigente. A espécie pertence à família Threskiornithidae, parente do colhereiro (Platalea ajaja) e da curicaca (Theristicus caudatus), e depende diretamente de manguezais e estuários bem preservados para se alimentar, descansar e se abrigar. Onde o guará aparece, o ambiente está funcionando. Onde ele some, alguma coisa quebrou.

80 anos de ausência, 4 mil indivíduos de volta: o guará reconquista a Baía de Guaratuba

“O retorno do guará à Baía de Guaratuba representa um indicativo positivo da qualidade ambiental dos manguezais e áreas estuarinas. A presença dos guarás é um importante indicador ecológico”, afirma Edgar Fernandez, pesquisador do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC).

Veja Também

Amazônia supera a Europa em espécies de árvores — e esse recorde carrega um peso que vai além do orgulho nacional

Nova espécie de besouro recebe nome inspirado na gíria nordestina ‘arretado’

O censo mais recente do Projeto Guará registrou mais de 4 mil indivíduos na baía. O número coloca Guaratuba entre os principais sítios da espécie no litoral Sul do Brasil. Desde 2017 e 2018, quando o monitoramento sistemático da ilha dormitório ganhou regularidade, o Instituto Guaju passou a coordenar ações integradas de pesquisa e educação ambiental, adotando o guará como espécie guarda-chuva para a conservação dos ecossistemas da região.

A revoada que virou produto turístico

A ilha onde os guarás se concentram ao entardecer se tornou o epicentro do turismo de observação na baía. O passeio funciona de forma simples: um barco, um guia habilitado e a paciência de esperar a luz certa. O que acontece depois dispensa descrição longa.

Para estruturar esse mercado, o Instituto Guaju, junto a outros órgãos, realizou um curso de formação de condutores locais, qualificando guias para o ecoturismo, a pesca esportiva e a observação de aves. A ideia vai além do treinamento técnico — é construir uma cadeia local que entenda que a proteção do manguezal é, também, proteção do próprio sustento.

O fotógrafo de natureza Bruno Carlesse participou da formação. Para ele, o roteiro deixou de ser uma atração e passou a ser ferramenta. “A experiência da revoada no fim de tarde emociona e, ao mesmo tempo, permite contextualizar a importância dos manguezais e da preservação da Baía de Guaratuba”, observa.

Além disso, Edgar Fernandez reforça a dimensão econômica da iniciativa: “Valorizar a cultura caiçara, o turismo de base comunitária e promover o turismo sustentável é uma maneira de gerar renda e fortalecer as atividades que incentivam a proteção dos guarás e dos manguezais, que são ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental da Baía de Guaratuba.”

O mistério que a ciência ainda não resolveu

Com toda a movimentação científica em torno da espécie, uma pergunta permanece sem resposta: onde os guarás de Guaratuba se reproduzem? Até hoje, nenhuma colônia reprodutiva consolidada foi registrada no litoral do Paraná. Os indivíduos aparecem, dormem na ilha, alimentam-se nos manguezais — e somem quando chega a hora de criar os filhotes.

80 anos de ausência, 4 mil indivíduos de volta: o guará reconquista a Baía de Guaratuba

“A ausência de reprodução local constitui uma das principais lacunas ecológicas relacionadas à dinâmica populacional da ave na região”, explica Fernandez. As áreas reprodutivas mais próximas identificadas pela ciência ficam na Baía da Babitonga, em Santa Catarina, e em estuários do litoral paulista. Parte da população deixa Guaratuba entre novembro e fevereiro justamente para isso. O bando reduz. O mistério permanece.

Quando ir e como observar

O período de maior concentração dos guarás em Guaratuba vai de abril a outubro. É a janela ideal para quem quer ver o espetáculo completo, com o bando em seu tamanho máximo. Nos meses de verão, parte dos indivíduos migra para se reproduzir em outras regiões, mas a observação ainda é possível.

Para fazer o passeio com responsabilidade, é necessário buscar guias e instituições especializadas em turismo de observação. O manejo adequado protege a ave — e garante que a experiência continue existindo para quem vier depois.

Fonte: G1/globo | Fotos: Edgar Fernandez

Share234Tweet147Share

Artigos relacionados

foto: Fábio Borges
Clima e Sustentabilidade

Tubarão-limão flagrado em predação inédita em Noronha

by Mania de Plantas
19 de maio de 2026
0

O registro inédito mostra tubarões-limão predando peixes-jaguar em Noronha após fortes chuvas que conectaram áreas de água doce à Baía do Sueste. A salinidade elevada desorientou os peixes-jaguar, tornando-os presas fáceis para...

Read more
Ciclo reprodutivo do Cerrado encolhe com as mudanças climáticas, e as abelhas são as primeiras a sentir Monitoramento de 15 anos realizado pela
Clima e Sustentabilidade

Ciclo reprodutivo do Cerrado encolhe com as mudanças climáticas, e as abelhas são as primeiras a sentir Monitoramento de 15 anos realizado pela

by Mania de Plantas
17 de maio de 2026
0

Unesp mostra que espécies nativas estão florescendo e frutificando por menos tempo, com impacto direto sobre polinizadores e a cadeia alimentar do bioma

Read more
A Harpia desaparece onde a floresta já ruiu e isso tem custo para o clima do planeta
Clima e Sustentabilidade

A Harpia desaparece onde a floresta já ruiu e isso tem custo para o clima do planeta

by Mania de Plantas
17 de maio de 2026
0

A Harpia (Harpia harpyja) exerce 400 quilos de pressão por polegada quadrada com suas garras, força superior à da mandíbula de um lobo cinzento, consolidando-a como o predador alado mais letal do...

Read more
Foto: jcesarknoll
Clima e Sustentabilidade

Quero-quero escolhe onde nidificar e revela qualidade ambiental de áreas agrícolas

by Mania de Plantas
17 de maio de 2026
0

A presença do quero-quero em áreas agrícolas vai além do característico grito de alerta que ecoa pelas manhãs no campo. Essa ave, cientificamente conhecida como Vanellus chilensis, atua como um bioindicador natural...

Read more
  • Politica de Privacidade
  • Contato
  • Politica de ética
  • Politica de verificação dos fatos
  • Politica editorial
  • Quem somos | Sobre nós
  • Termos de uso
  • Expediente
  • Revista
[email protected]

©2021 - 2025 Maniadeplantas, Dedicado a informar o público sobre a natureza e o mundo verde. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

No Result
View All Result
  • Agro do Futuro & Inovação
  • Eco, Clima & Sustentabilidade
  • Fauna & Vida Silvestre
  • Jardinagem & Cuidados
  • Mundo Botânico & Ciência

©2021 - 2025 Maniadeplantas, Dedicado a informar o público sobre a natureza e o mundo verde. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

Nós estamos usando cookies neste site para melhorar sua experiência. Visite nossa Politica de privacidade.