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UFPR revela novo alerta sobre fósforo em áreas úmidas

Pesquisa reforça limites naturais desses solos e destaca a urgência de preservação ecológica

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Mercado Agro
UFPR revela novo alerta sobre fósforo em áreas úmidas
Resumo

• A pesquisa da Ciência UFPR destaca que áreas úmidas possuem capacidade limitada de reter fósforo, tornando-se vulneráveis quando há uso excessivo de fertilizantes.
• Esses solos, apesar de protegidos por lei, recebem grande carga de nutrientes devido à proximidade com lavouras e ao manejo inadequado.
• O estudo com Organossolos mostra que a adsorção do fósforo é fundamental, mas não infinita, podendo transformar o solo em fonte de poluição.
• A poluição por fósforo está ligada ao modelo agrícola tradicional, que utiliza fertilizantes fosfatados em excesso no Brasil.
• A pesquisa reforça a necessidade de critérios mais rigorosos para o uso de insumos agrícolas próximos a áreas úmidas, conciliando produção e preservação.

As áreas úmidas sempre despertaram curiosidade por funcionarem como verdadeiros filtros naturais do ambiente. Entretanto, embora esses solos encharcados consigam reter parte do fósforo presente nos fertilizantes agrícolas, eles também se tornam vulneráveis quando submetidos a manejos inadequados. Essa ambiguidade, que combina uma capacidade natural de proteção com um risco crescente de degradação, ganha destaque justamente no Dia Mundial do Solo (5 de dezembro), data que reforça a urgência de compreender como esses ambientes respondem ao avanço das atividades humanas.

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No Brasil e no Paraná, essas áreas são protegidas por lei e classificadas como Áreas de Preservação Permanente, mas, ainda assim, sofrem com a proximidade de lavouras que utilizam fertilizantes fosfatados em larga escala. A baixa altitude desses terrenos facilita o acúmulo de água e, por consequência, a chegada dos nutrientes aplicados nos sistemas agrícolas. Assim, mesmo funcionando como barreiras naturais, elas podem se transformar em focos de poluição quando o solo ultrapassa sua capacidade de retenção.

Um olhar científico sobre o comportamento do fósforo nos solos encharcados

A partir dessa inquietação, um estudo do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisou de que forma certos tipos de solo respondem ao contato contínuo com o fósforo — nutriente essencial para a agricultura, mas altamente prejudicial aos ecossistemas aquáticos quando presente em excesso. A pesquisa concentrou-se em um solo específico, o Organossolo, conhecido por sua alta concentração de matéria orgânica e pela forte interação com a água.

Nesse contexto, compreender a dinâmica da adsorção, processo pelo qual o fósforo se fixa às partículas do solo, torna-se fundamental. A fixação reduz o transporte do nutriente para rios, lagos e represas, impedindo que ele alimente processos de eutrofização, fenômeno marcado pela proliferação excessiva de algas e pela perda da qualidade da água. Contudo, a eficiência desse mecanismo depende da capacidade natural do solo de reter o elemento — e essa capacidade tem limites que precisam ser respeitados.

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A tese indica que, embora os solos hidromórficos desempenhem um papel ecológico valioso, eles não são capazes de reter indefinidamente o fósforo aplicado nas lavouras ao redor. Com isso, o estudo questiona uma lacuna importante: a ausência de critérios mais rigorosos para o uso de fertilizantes em regiões próximas a áreas úmidas, sobretudo diante do cenário de uso excessivo documentado nas práticas agrícolas brasileiras.

Entre a proteção e a vulnerabilidade: o desafio contemporâneo

A partir das conclusões da pesquisa, torna-se evidente que os solos encharcados revelam uma relação delicada com o fósforo. Por um lado, contribuem para o equilíbrio ecológico ao reter parte do nutriente; por outro, podem atingir um ponto de saturação e passar a funcionar como emissores desse poluente. É nesse limiar que a ciência aponta a importância de diretrizes mais objetivas para o manejo agrícola, especialmente em regiões onde a agricultura convive diretamente com áreas de preservação.

A poluição por fósforo, amplamente associada ao modelo tradicional de produção agrícola, permanece como um dos maiores desafios ambientais do país. A combinação entre uso intensivo de fertilizantes fosfatados e ausência de monitoramento contínuo coloca em risco não apenas os ecossistemas, mas também a segurança hídrica das populações que dependem desses recursos.

Por isso, além de reforçar o papel ecológico das áreas úmidas, o estudo da UFPR acende um alerta sobre como políticas de uso do solo e planejamento agrícola precisam ser aprimorados. Assim, o conhecimento científico passa a oferecer subsídios não apenas para entender o problema, mas para construir soluções que conciliem produção e preservação.

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