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Rondônia testa modelo inovador que alia reflorestamento e geração de renda no campo

Projeto Vitrines de Restauração une ciência, sementes nativas e inclusão social para transformar paisagens degradadas e valorizar comunidades rurais

Escrito por: Derick Machado
12 de maio de 2026
in Clima e Sustentabilidade
(Foto: Divulgação/JBS)

(Foto: Divulgação/JBS)

Na paisagem amazônica marcada por desafios ambientais e desigualdade social, uma nova iniciativa começa a germinar com força: o projeto Vitrines de Restauração, lançado pelo Fundo JBS pela Amazônia em parceria com a organização Ecoporé e os Escritórios Verdes JBS, aposta em uma abordagem regenerativa que une ciência, valorização de saberes tradicionais e fortalecimento econômico de comunidades locais. A proposta é ousada: restaurar até 3 mil hectares de áreas degradadas em propriedades rurais de Rondônia e, ao mesmo tempo, aumentar em até 60% a renda dos produtores e coletoras de sementes envolvidas.

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O projeto nasce do mapeamento realizado pelos Escritórios Verdes, braço técnico da JBS voltado à assistência ambiental gratuita. A partir da identificação de propriedades com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular, mas que ainda sofrem com áreas degradadas, foi possível iniciar um processo de mobilização com os produtores para integrar a recuperação florestal às suas atividades produtivas. A Ecoporé entra em campo com a execução prática do plano, que inclui isolamento das áreas, aplicação da técnica de semeadura e oficinas formativas.

Muvuca de sementes: tradição, ciência e floresta renascendo juntas

A base do projeto é a muvuca de sementes, uma técnica de semeadura direta que combina espécies nativas com adubação verde. Com inspiração em práticas agrícolas tradicionais do Xingu, o método consiste em espalhar uma mistura densa e diversa de sementes sobre o solo, favorecendo sua cobertura rápida e a regeneração natural da vegetação. “Essa solução é potente justamente porque dialoga com o conhecimento ancestral das comunidades e com a ciência florestal mais recente”, explica Lucas Scaracia, gerente-executivo do Fundo JBS pela Amazônia.

Segundo Scaracia, a proposta do Vitrines de Restauração é criar um modelo replicável, que possa ser levado a outras regiões da Amazônia, sempre com a premissa de que a restauração deve caminhar ao lado da inclusão social e da valorização econômica. Nesse sentido, um dos pilares do projeto é a RESEBA – Rede de Sementes da Bioeconomia Amazônica, formada por indígenas, quilombolas e pequenos agricultores que vivem da coleta e produção de sementes. Além de fornecer insumos fundamentais à recomposição vegetal, essas pessoas são remuneradas pelo trabalho, o que reforça o ciclo de impacto positivo.

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Propriedade restaurada, comunidade mobilizada

Outro diferencial da iniciativa está em sua abordagem pedagógica. As propriedades participantes não serão apenas áreas restauradas, mas se transformarão em verdadeiros laboratórios vivos, onde outros produtores poderão conhecer de perto a técnica e aprender como replicá-la em suas próprias terras. “Queremos que cada produtor se torne um multiplicador, um mobilizador em sua comunidade”, afirma Marcelo Ferronato, diretor-presidente da Ecoporé.

Ferronato destaca que soluções como a muvuca de sementes não só aceleram a regeneração da floresta, como também contribuem para a regularização ambiental das propriedades – fator essencial para que pequenos e médios pecuaristas acessem mercados mais exigentes e sustentáveis. “Estamos falando de um modelo que promove a integridade da cadeia produtiva ao mesmo tempo em que oferece oportunidades reais de desenvolvimento”, completa o especialista.

Investimento inicial e metas de longo prazo

Em sua primeira fase, o projeto receberá mais de R$ 200 mil em investimentos do Fundo JBS pela Amazônia, com o pontapé inicial previsto para os próximos meses. A primeira oficina de apresentação acontecerá em julho, e a semeadura está prevista entre outubro e novembro. Ao longo dos próximos dez anos, mesmo em um cenário conservador, a expectativa é restaurar de 100 a 300 hectares. Em uma estimativa mais otimista, o impacto pode alcançar até 3 mil hectares, com o uso de até 210 toneladas de sementes nativas.

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