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O que sobra na lavoura de mandioca pode alimentar seus suínos e reduzir custos com ração

Estudo da Embrapa Suínos e Aves aponta que resíduos de mandioca e batata-doce substituem parcialmente milho e farelo de soja com desempenho semelhante

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Agro do Futuro & Inovação
O que sobra na lavoura de mandioca pode alimentar seus suínos e reduzir custos com ração

Nas propriedades que cultivam mandioca e batata-doce, uma parte considerável da biomassa gerada nas lavouras termina descartada no campo, sem nenhum aproveitamento produtivo. Raízes refugadas, ramas e partes aéreas que ficam para trás depois da colheita representam, ao mesmo tempo, um problema ambiental e uma oportunidade desperdiçada. Pesquisadores da Embrapa decidiram investigar exatamente esse ponto e os resultados apontam para um caminho que pode mudar a lógica de custo na criação de suínos, especialmente em sistemas independentes.

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O estudo, publicado na edição de maio da revista Suinocultura Industrial, foi conduzido pelos pesquisadores Jorge Vitor Ludke e Valdir Silveira de Avila, da Embrapa Suínos e Aves, por Vivian Feddern, da Embrapa Clima Temperado, e pela graduanda Débora Canez Camargo, da Universidade Federal de Pelotas. A análise avalia o potencial nutricional desses resíduos e sua viabilidade como substituto parcial dos ingredientes que mais pesam no custo da ração: o milho e o farelo de soja.

O tamanho da cadeia e o que vai para o lixo

Para entender a relevância da proposta, basta olhar para os números de produção. Com base em dados do IBGE compilados pelos autores, a mandioca ultrapassa 19 milhões de toneladas produzidas por ano no Brasil, enquanto a batata-doce se aproxima de 1 milhão de toneladas anuais, com presença distribuída em praticamente todo o território nacional. São culturas resilientes, capazes de gerar grande volume de biomassa com energia e proteína mesmo em condições adversas de solo e clima.

Parte significativa dessa biomassa nunca chega a ter um destino produtivo. Além do desperdício econômico, o material descartado favorece a permanência de pragas e doenças no solo, comprometendo as safras seguintes. O que o estudo da Embrapa coloca em perspectiva é que esse passivo pode ser transformado em insumo com valor nutricional real para a suinocultura.

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Desempenho no cocho equiparável ao das dietas convencionais

A principal conclusão do trabalho é que, com manejo adequado e formulação balanceada da dieta, os resíduos de mandioca e batata-doce permitem manter desempenho zootécnico semelhante ao das rações convencionais. Isso significa que os animais não perdem em ganho de peso, conversão alimentar ou eficiência produtiva quando parte dos ingredientes tradicionais é substituída por esses materiais.

Para o sistema de criação independente, onde margens são mais estreitas e a variação no preço do milho e da soja pode comprometer toda a rentabilidade do ciclo, essa alternativa ganha um peso prático considerável. A possibilidade de reduzir o custo da ração sem abrir mão do desempenho do plantel é exatamente o tipo de solução que produtores de menor escala precisam para se manter competitivos.

Processamento correto define se vai funcionar ou não

O estudo é claro ao apontar que os benefícios dessa alternativa dependem de uma etapa que não pode ser ignorada: o processamento adequado antes do fornecimento aos animais. A alta umidade característica dessas matérias-primas e a presença de fatores antinutricionais exigem técnicas específicas, como secagem, fenação ou ensilagem, para garantir tanto a segurança alimentar quanto a preservação do valor nutritivo ao longo do armazenamento.

No caso da mandioca, o controle dos compostos cianogênicos é requisito fundamental. Sem o processamento correto, o risco de intoxicação nos animais é real. Essa não é uma limitação que inviabiliza o uso, mas sim uma condição que determina o sucesso da estratégia. Propriedades com assistência técnica e planejamento nutricional estruturado têm condições de incorporar esses ingredientes com segurança e previsibilidade.

Uma janela aberta para a suinocultura familiar

O conjunto dos resultados reunidos pela Embrapa aponta para uma convergência interessante: o mesmo material que hoje representa custo de descarte para o produtor rural pode se tornar componente relevante na redução do custo de produção da suinocultura. A escala de produção das duas culturas garante disponibilidade em praticamente todas as regiões do país, o que torna a proposta geograficamente viável sem depender de cadeias de abastecimento complexas.

O aproveitamento desses resíduos não resolve sozinho a equação de custo da ração, mas abre uma janela concreta para produtores independentes que buscam alternativas dentro da própria propriedade. O estudo completo, com a análise detalhada e as recomendações práticas para aplicação no campo, está disponível na edição de maio da revista Suinocultura Industrial.

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