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Preço do arroz atinge maior média mensal em sete meses, mas mercado opera travado no Rio Grande do Sul

Média de R$ 62,66 por saca em abril sinaliza recomposição de preços, enquanto baixa liquidez e assimetrias regionais limitam o ritmo das negociações

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Agro do Futuro & Inovação
Foto: Ari Dias/AEN

Foto: Ari Dias/AEN

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul fechou abril com um sinal contraditório: os preços chegaram ao nível mais alto desde setembro de 2025, mas os negócios seguiram travados. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o indicador encerrou o mês cotado a R$ 62,30 para a saca de 50 quilos, com alta acumulada de apenas 0,10% no período, o que reflete a cautela dos agentes ao longo de toda a cadeia.

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A média mensal de abril, fixada em R$ 62,66 por saca, é o dado que chama atenção. Trata-se do patamar mais elevado registrado desde setembro de 2025 — e esse número importa porque demonstra que, independentemente da lentidão pontual nas negociações, o nível de preços segue em trajetória de recomposição no agregado.

Leilões e disparidades regionais travam o ritmo

A baixa liquidez observada ao longo do mês não é casual. Os leilões de apoio à comercialização e as disparidades de preços entre regiões produtoras criaram um ambiente de espera entre compradores e vendedores. A demanda por grãos de melhor qualidade até existiu de forma pontual, mas não teve força suficiente para movimentar o volume de negócios de maneira consistente.

Aliás, as margens industriais seguem pressionadas, o que limita a disposição das indústrias em pagar mais pelo produto mesmo diante de uma oferta seletiva. Consequentemente, os produtores que aguardam melhores cotações encontram um mercado comprador relutante, e esse descompasso entre expectativas sustenta a lentidão operacional.

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O Cepea aponta que o setor ocupa um estágio intermediário: os fundamentos indicam melhora no preço agregado, porém os entraves de liquidez e as assimetrias regionais ainda limitam a velocidade desse movimento. Ou seja, a direção é de alta, mas o ritmo depende de variáveis que ainda não se alinharam.

A consolidação de uma tendência altista mais firme passa, necessariamente, por avanços no escoamento ao longo da cadeia e por uma maior convergência entre as expectativas dos agentes de mercado. Enquanto esse alinhamento não ocorre, o mercado opera com cautela, priorizando negócios pontuais em detrimento de volumes maiores.

Por ora, abril deixou um recado claro: o preço do arroz em casca subiu no acumulado de médio prazo, mas o mercado ainda precisa resolver seus gargalos de liquidez antes de traduzir esse avanço em negócios com mais volume e regularidade.

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