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Uma muda doada, uma floresta em movimento: como o Paraná regenerou quase 5 hectares em uma semana

O Instituto Água e Terra distribuiu 5.427 mudas nativas e dispersou 700 mil sementes de palmito-juçara durante a Semana do Meio Ambiente, em ação que reuniu prefeituras, escolas, empresas e voluntários em nove regionais do estado

Escrito por: Mania de Plantas Revisão: Derick Machado
9 de junho de 2026
in Eco, Clima & Sustentabilidade
Foto: IAT

Foto: IAT

Uma muda de árvore nativa ocupa pouco espaço numa caixa de mudas. Cabe na palma da mão, pesa quase nada e pode parecer um gesto pequeno diante da escala dos problemas ambientais do país. Mas quando 5.427 delas são entregues em nove regiões de um estado em uma única semana, o gesto ganha outra dimensão: quase cinco hectares de área em regeneração, equivalente a sete campos de futebol de floresta em movimento.

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Esse foi o resultado da Semana do Meio Ambiente no Paraná, encerrada no dia 7 de junho. O balanço, divulgado pelo Instituto Água e Terra (IAT), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), mostra que as ações ultrapassaram a distribuição de mudas e chegaram a uma das iniciativas mais expressivas do período: a dispersão de 700 mil sementes de palmito-juçara em Unidades de Conservação do litoral paranaense, com foco direto na restauração da Mata Atlântica.

O que cada muda carrega consigo

Por trás dos números há uma lógica ecológica que vai muito além do plantio em si. Cada muda de espécie nativa inserida num ambiente degradado não representa apenas uma árvore a mais. Ela é um ponto de partida para a reativação de processos que o solo e o ecossistema perderam com o desmatamento.

“A árvore que vem a se desenvolver a partir dessa muda doada faz com que esse ciclo de estoque de carbono no solo, de ciclagem de nutrientes, o ciclo da água, seja intensificado. Isso ajuda a devolver o equilíbrio para o ambiente, justamente a partir da árvore”, explica Alexandre Dal Forno Mastella, engenheiro florestal e chefe da Divisão de Produção de Mudas Nativas do IAT.

As mudas foram direcionadas principalmente a áreas em processo de recuperação, Áreas de Preservação Permanente no entorno de nascentes e espaços próximos a escolas e entidades. A escolha dos destinos não é aleatória: nascentes protegidas regulam o abastecimento hídrico local, e árvores plantadas em ambiente escolar cumprem uma função que vai além da sombra, funcionando como laboratório vivo de educação ambiental para crianças e jovens.

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Nove regionais, um estado em reconstrução

A distribuição das mudas alcançou as regionais de Curitiba, Jacarezinho, Maringá, Pitanga, Paranavaí, Toledo, Cianorte, Umuarama e Guarapuava, cobrindo uma faixa significativa do território paranaense em termos geográficos e de diversidade de biomas. A amplitude geográfica das ações reflete uma estratégia de descentralização que torna o programa mais resiliente e mais representativo do que iniciativas concentradas apenas nas grandes cidades.

A semana reuniu prefeituras, secretarias municipais do Meio Ambiente, instituições de ensino, empresas privadas e voluntários, num modelo de ação compartilhada que combina estrutura pública com engajamento da sociedade civil. Além do plantio, o período incluiu palestras e oficinas de educação ambiental, reforçando que a restauração de ecossistemas depende tanto de mudas no solo quanto de consciência na cabeça das pessoas.

Palmito-juçara e a Mata Atlântica que precisa voltar

A dispersão de 700 mil sementes de palmito-juçara nas Unidades de Conservação do litoral merece atenção especial. O palmito-juçara (Euterpe edulis) é uma espécie nativa da Mata Atlântica altamente ameaçada pela extração predatória e pela fragmentação florestal. Sua presença em um ecossistema sinaliza maturidade e diversidade biológica, já que a espécie serve de alimento para dezenas de animais silvestres, especialmente aves, funcionando como um elo central na cadeia de dispersão de sementes da floresta.

Dispersar sementes em escala em Unidades de Conservação do litoral paranaense é reconhecer que a restauração da Mata Atlântica exige mais do que plantar espécies pioneiras. Exige reintroduzir componentes estruturais do bioma que foram perdidos ao longo de décadas de degradação. O palmito-juçara é um desses componentes, e sua recuperação em larga escala é um dos indicadores mais robustos de que uma floresta está realmente voltando a ser floresta.

O programa que transforma muda em política

As ações da Semana do Meio Ambiente integram o programa Paraná Mais Verde, que articula seis linhas de atuação: Revitaliza Viveiros, Viveiros Socioambientais, Incentivo a Espécies Ameaçadas de Extinção, Datas Comemorativas, Parques Urbanos e Poliniza Paraná. Cada linha atende a um perfil diferente de demanda ambiental, do estímulo à polinização urbana à proteção de espécies sob risco de desaparecer.

A diversidade de frentes revela uma maturidade de concepção: tratar a restauração ambiental como política pública contínua, não como evento pontual. A Semana do Meio Ambiente amplifica a visibilidade dessas ações, mas o programa segue ao longo do ano, sustentado pela produção de mudas nos viveiros estaduais e pela rede de parcerias institucionais construída ao longo do tempo.

“A distribuição das mudas é essencial para diversas atividades, como restauração de Áreas de Preservação Permanente, de áreas de Reserva Legal e a adequação ambiental de imóveis rurais”, destaca Mastella, situando a iniciativa num contexto mais amplo do que o calendário ambiental.

De gesto a ciclo

A lógica por trás de programas como o Paraná Mais Verde é simples em seus fundamentos e complexa na execução: devolver à paisagem o que foi retirado dela, espécie por espécie, muda por muda, semente por semente. Quase cinco hectares regenerados numa semana não resolvem o passivo ambiental acumulado em décadas, mas provam que a escala é possível quando há estrutura, intenção e pessoas dispostas a plantar.

E cada árvore que cresce a partir dessas 5.427 mudas vai, com o tempo, produzir suas próprias sementes, atrair pássaros e insetos, sombrear o solo, segurar a água da chuva e alimentar a cadeia de vida que começa no subsolo e termina no dossel. Um campo de futebol inteiro de floresta começa assim, com algo que cabe na palma da mão.

Fonte: AEN
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