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Macaúba vira combustível aéreo e movimenta bilhões em Minas

Descoberta científica mineira acelera produção de mudas e projeta o estado como líder em bioquerosene sustentável

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Noticias
Foto: Júlia Rodrigues / Fapemig

Foto: Júlia Rodrigues / Fapemig

Resumo
  • Pesquisadores da Unimontes desenvolveram uma tecnologia que reduz o tempo de germinação da macaúba de dois anos para apenas 14 dias.
  • A inovação viabiliza o cultivo comercial da palmeira, rica em óleo vegetal, e atrai grandes investimentos voltados à produção de biocombustível.
  • A tecnologia foi licenciada para a Acelen Energia Renovável, que já investiu R$ 300 milhões em Montes Claros e prevê R$ 3 bilhões no projeto.
  • O óleo da macaúba será utilizado na produção de bioquerosene de aviação, com cultivo planejado em até 200 mil hectares de áreas degradadas.
  • A iniciativa impulsiona o desenvolvimento regional, gera empregos e consolida Minas Gerais como polo em bioenergia baseada em plantas nativas.

Em Montes Claros, no coração do Cerrado mineiro, uma descoberta científica silenciosa está alçando voos altos. A planta conhecida há séculos pelos moradores da região agora se projeta como protagonista na aviação do futuro: limpa, renovável e brasileira. Pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) conseguiram algo inédito: transformar a macaúba – uma palmeira nativa rica em óleo – em uma opção viável para a produção de bioquerosene de aviação.

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Mais do que um avanço técnico, o feito promete redefinir a matriz energética nacional, abrir caminhos para uma nova cadeia produtiva e levar desenvolvimento ao Norte de Minas Gerais.

Um salto científico: de dois anos para duas semanas

Ao longo de mais de 15 anos de estudos no Laboratório de Reprodução Vegetal da Unimontes, uma barreira histórica foi superada: o tempo de germinação das sementes da macaúba, que naturalmente levava até dois anos, foi reduzido para apenas 14 dias. O segredo estava na dormência natural da semente – uma estratégia evolutiva da planta para sobreviver a longos períodos de seca. Ao entender esse mecanismo, os cientistas desenvolveram um protocolo que acelera drasticamente o processo.

Essa conquista abriu as portas para o cultivo em escala comercial da espécie, algo até então considerado economicamente inviável. O protocolo permite a produção massiva de mudas saudáveis, capazes de formar grandes plantações em um curto intervalo de tempo. O impacto é profundo: além de garantir a viabilidade agrícola da macaúba, esse avanço coloca Minas Gerais na vanguarda da biotecnologia vegetal aplicada à energia.

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Da universidade para a indústria: R$ 3 bilhões em investimento verde

A tecnologia foi oficialmente patenteada em 2013 e licenciada anos depois para a Acelen Energia Renovável, gigante do setor energético. O acordo de transferência gerou um dos maiores projetos de bioenergia já realizados na região, com previsão de aportes que podem ultrapassar R$ 3 bilhões.

Em Montes Claros, a empresa já investiu R$ 300 milhões e inaugurou o maior centro de pesquisa dedicado à macaúba do planeta. A estrutura é capaz de produzir 10 milhões de mudas por ano, consolidando o município como referência global em inovação energética baseada na biodiversidade nativa brasileira.

Energia limpa com raízes no Cerrado

O óleo extraído dos frutos da macaúba apresenta alto rendimento e qualidade para conversão em bioquerosene, combustível destinado à aviação civil. A planta, além de resistente, é extremamente produtiva, com alto teor oleaginoso por hectare. O plano da Acelen é ocupar entre 100 mil e 200 mil hectares com cultivos da espécie, priorizando áreas degradadas e de baixa produtividade agrícola.

Essa estratégia combina restauração ambiental com geração de energia limpa, em uma equação que beneficia o clima, a economia e a sociedade local. A macaúba, que já era utilizada por comunidades como fonte de renda, agora ganha status de ativo estratégico na transição energética brasileira.

Desenvolvimento regional impulsionado pela ciência

Para a Unimontes, o reconhecimento internacional da pesquisa representa mais do que uma conquista acadêmica. É a comprovação de que a ciência pública, quando bem apoiada, pode ser motor de transformação social e econômica. O projeto já gerou dezenas de empregos diretos e deverá ampliar ainda mais sua atuação à medida que as plantações comerciais forem implantadas.

O Laboratório de Reprodução Vegetal da universidade continua sua missão de estudar outras palmeiras nativas, como o buriti e o coquinho-azedo, consolidando Minas Gerais como polo de excelência em bioenergia. A macaúba, no entanto, já ocupa um lugar de destaque nessa trajetória: um símbolo do potencial que brota da terra, mas que pode alimentar o céu.

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