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Fungos ganham espaço no combate à mosca-branca e apontam nova era no controle biológico

Técnica baseada em fermentação líquida acelera a ação dos microrganismos e amplia as alternativas sustentáveis no manejo de uma das pragas mais persistentes da agricultura brasileira

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Noticias
Fungos ganham espaço no combate à mosca-branca e apontam nova era no controle biológico
Resumo

• Uma tecnologia baseada em fungos entomopatogênicos surge como alternativa eficiente e sustentável para o controle da mosca-branca, uma das pragas mais difíceis da agricultura brasileira.
• A parceria entre Efense e Embrapa desenvolveu a produção de fungos por fermentação líquida submersa, método inédito no país para esse tipo de bioinsumo.
• O uso de blastosporos de Cordyceps javanica e Beauveria bassiana mostrou ação mais rápida e maior eficiência biológica no controle da praga em testes de campo.
• A tecnologia foi validada em diferentes escalas industriais, com controle rigoroso de qualidade e potencial para produção comercial em larga escala.
• O projeto busca ampliar o uso de bioinsumos no campo, reduzir a dependência de químicos e fortalecer práticas agrícolas mais sustentáveis.

A mosca-branca ocupa, há décadas, uma posição incômoda entre os maiores desafios do campo brasileiro. Capaz de reduzir produtividade, transmitir viroses e desenvolver resistência a defensivos químicos, a praga pressiona produtores a buscarem soluções mais eficazes e duráveis. Nesse cenário, uma tecnologia baseada no uso de fungos entomopatogênicos, produzidos por fermentação líquida submersa, começa a redesenhar as estratégias de controle biológico no país.

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Desenvolvida a partir de uma parceria entre a Efense e a Embrapa Meio Ambiente, a iniciativa aposta em um método ainda inédito no Brasil para produção de bioinsumos fúngicos, combinando rapidez de ação, eficiência biológica e maior controle dos processos industriais.

Uma inovação construída a partir da pesquisa científica

Embora a parceria tenha sido oficializada em 2021, os primeiros contornos da tecnologia começaram a se formar antes mesmo da criação da Efense. A empresa passou a acompanhar os avanços da Embrapa na produção de fungos em meio líquido, identificando ali uma oportunidade de transformar conhecimento científico em solução prática para o campo.

O ponto de virada veio com a validação da produção de blastosporos — estruturas fúngicas formadas especificamente em sistemas de fermentação submersa — das espécies Cordyceps javanica e Beauveria bassiana. Essas cepas, bioprospectadas pela Embrapa, apresentaram elevada capacidade de infecção da mosca-branca em um intervalo de tempo mais curto quando comparadas aos fungos produzidos por métodos sólidos tradicionais.

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Da biofábrica ao campo: escala e controle de qualidade

A consolidação da tecnologia ganhou força com a inauguração da fábrica da Efense, em 2022, no município de Edeia, no sul de Goiás. Embora a empresa já contasse com uma estrutura robusta para produção de bactérias, a fabricação de fungos exigiu ajustes importantes, como o uso de biorreatores menores e ciclos produtivos mais longos.

Mesmo com essas limitações operacionais, a tecnologia foi validada em diferentes escalas, avançando de reatores experimentais de dez litros até unidades de mil litros, mantendo alta concentração e viabilidade dos blastosporos. Esse controle rigoroso do processo produtivo é um dos diferenciais da fermentação líquida, permitindo padronização, menor risco de contaminação e maior previsibilidade dos resultados.

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Uma resposta a uma demanda real dos produtores

A origem da Efense está diretamente ligada às necessidades dos agricultores da região, especialmente produtores de grãos que já utilizavam bioinsumos produzidos nas próprias fazendas. Apesar da boa aceitação desses produtos, dificuldades relacionadas à estabilidade, à qualidade e à segurança microbiológica acabavam limitando sua adoção em larga escala.

Diante desse contexto, produtores decidiram investir coletivamente em uma biofábrica estruturada, capaz de garantir padrões industriais de produção. Paralelamente, foi criada a Associação Goiana de Agricultura Sustentável, com o objetivo de difundir práticas de controle biológico e estimular o uso de microrganismos tanto no manejo de pragas quanto no desenvolvimento das culturas.

Resultados promissores no controle da mosca-branca

Os testes conduzidos em áreas experimentais e propriedades agrícolas têm indicado uma redução significativa das populações de mosca-branca após a aplicação dos fungos produzidos por fermentação líquida. O desempenho superior está associado à eficiência dos blastosporos, que apresentam germinação mais rápida e maior capacidade de infecção do inseto-alvo.

Atualmente, não há no país nenhum bioinsumo à base de blastosporos registrado no Ministério da Agricultura, o que posiciona a tecnologia como um marco potencial para o setor. A expectativa é que, uma vez aprovado, o produto amplie o leque de ferramentas disponíveis aos produtores, reduzindo a dependência de químicos e contribuindo para sistemas agrícolas mais equilibrados.

Desafios técnicos e próximos passos

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda enfrenta desafios importantes, especialmente relacionados à formulação dos produtos. Um dos focos atuais da pesquisa é aumentar o tempo de prateleira dos fungos produzidos em fermentação líquida, que hoje é inferior ao observado em bioinsumos obtidos por métodos sólidos.

A previsão é que essa etapa seja concluída nos próximos anos, permitindo a solicitação de registro junto ao Ministério da Agricultura e abrindo caminho para um lançamento comercial previsto para 2027, em parceria com a Embrapa.

Fermentação líquida e o futuro dos bioinsumos

A pesquisa conduzida pela Embrapa Meio Ambiente aponta a fermentação líquida submersa como uma alternativa mais rápida, econômica e sustentável para a produção de fungos entomopatogênicos. O método possibilita controle preciso das condições de cultivo e a produção de diferentes tipos de propágulos, como blastosporos, conídios, micélio e microescleródios, ampliando as possibilidades de aplicação no campo.

Mais do que uma nova tecnologia, a iniciativa sinaliza uma mudança de paradigma no manejo de pragas agrícolas, reforçando o papel dos bioinsumos como aliados estratégicos da produtividade e da sustentabilidade na agricultura brasileira.

Via: embrapa.br
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