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Cesta básica ficou mais cara em abril em todo o Brasil e esses alimentos foram os grandes responsáveis

Dados de Conab e Dieese revelam alta generalizada no custo dos alimentos básicos em todas as capitais; entressafra e custos logísticos pressionam o varejo de norte a sul do país

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Agro do Futuro & Inovação
Cesta básica ficou mais cara em abril em todo o Brasil e esses alimentos foram os grandes responsáveis

Não houve exceção. Em todas as 27 capitais brasileiras, o custo da cesta básica de alimentos subiu em abril na comparação com março deste ano. O dado é da edição de maio da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

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O resultado reacende o alerta sobre o peso dos alimentos no orçamento das famílias e revela uma combinação de fatores que vai da entressafra de produtos hortifrutigranjeiros ao comportamento dos combustíveis no mercado internacional.

Um mapa das altas: quem subiu mais e onde

As variações mais expressivas na comparação mensal foram registradas em Porto Velho, com alta de 5,60%, seguida por Fortaleza (5,46%), Cuiabá (4,97%), Boa Vista (4,36%), Rio Branco (4,05%) e Teresina (4,02%). São regiões que, historicamente, sofrem mais com os custos de transporte e logística — o que torna o preço dos combustíveis um fator amplificador de qualquer pressão na cadeia de abastecimento.

Ainda que a alta tenha sido universal, as capitais com o custo total mais elevado da cesta básica em abril foram São Paulo (R$ 906,14), Cuiabá (R$ 880,06), Rio de Janeiro (R$ 879,03) e Florianópolis (R$ 847,26). São Paulo, apesar de concentrar o maior valor absoluto, registrou uma das menores quedas acumuladas nos últimos 12 meses (-0,34%), o que indica uma estabilidade relativa sobre uma base já elevada.

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Entressafra, demanda e a combinação que pressiona o carrinho

O leite integral foi o produto com comportamento mais uniforme de alta: os preços subiram nas 27 cidades pesquisadas. A explicação está na entressafra, período em que a produção no campo recua naturalmente e a oferta de derivados lácteos encolhe, fazendo as cotações responderem de forma rápida no varejo.

A batata seguiu o mesmo caminho nas cidades do Centro-Sul, onde o alimento é monitorado pela pesquisa. O fim da safra reduziu a disponibilidade do tubérculo, e o mercado reagiu com preços mais altos nas gôndolas. O tomate registrou alta em 25 cidades, com variação entre 1,75% em Recife e 25,58% em Fortaleza — um intervalo que ilustra o quanto a dinâmica regional pode amplificar tendências que, em outras praças, aparecem de forma mais suave.

O feijão subiu em 26 das 27 capitais, com queda apenas em Belo Horizonte (-1,07%). A demanda sustentou o preço do feijão carioca e também pressionou o feijão preto, dois produtos que compõem o núcleo duro da alimentação brasileira e raramente ficam de fora da mesa — o que os torna particularmente sensíveis a qualquer desequilíbrio entre oferta e procura.

Pão, carne e arroz: pressões em diferentes elos da cadeia

O quilo do pão francês e a carne bovina de primeira subiram em 22 capitais. No caso do pão, a alta se explica pelo trigo: o grão seguiu com oferta restrita e demanda elevada, encarecendo as farinhas e, por consequência, o produto final nas padarias. Para as carnes, a combinação de demanda aquecida e oferta restrita de animais prontos para o abate manteve as cotações em trajetória ascendente.

O arroz, que ainda está em período de colheita, também surpreendeu ao registrar alta em 21 cidades. O motivo, segundo o levantamento, está no comportamento dos próprios produtores: à espera de melhores preços, os orizicultores liberaram poucos lotes para venda, reduzindo o volume disponível no mercado e empurrando as cotações para cima mesmo numa fase que, em tese, costuma ser de maior abundância.

O contraponto do café

Em meio às altas generalizadas, o café em pó foi o destaque positivo de abril. O preço do produto caiu em 22 das 27 capitais, com as reduções mais expressivas em Cuiabá (-4,56%) e Rio Branco (-3,80%). A proximidade da safra, o menor volume exportado e as incertezas no cenário global contribuíram para derrubar as cotações do grão também no varejo — uma rara boa notícia para o consumidor neste ciclo de pressão alimentar.

Olhando para os últimos 12 meses

Quando a análise se amplia para o período de abril de 2025 a abril de 2026, o panorama muda de perfil. Das 27 capitais pesquisadas, 18 registraram alta acumulada no custo da cesta básica, enquanto nove apresentaram queda. Cuiabá liderou as altas com 9,99%, seguida por Salvador (7,14%) e Aracaju (6,79%). No outro extremo, São Luís apresentou a maior redução (-4,84%) e São Paulo, a menor (-0,34%).

Nos últimos 12 meses, arroz e açúcar caíram de preço em todas as praças monitoradas — o que representa um contrapeso relevante diante das altas observadas em outros itens. Café e manteiga também registraram recuo em 24 das 27 capitais no mesmo período, sinalizando que nem tudo vai na mesma direção quando o recorte de tempo se alarga.

A pesquisa que virou referência nacional

A amplitude desse levantamento é resultado direto da parceria firmada entre a Conab e o Dieese, que expandiu a coleta de dados de 17 para todas as 27 capitais brasileiras. A iniciativa integra a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar, e os primeiros resultados com a cobertura completa começaram a ser divulgados em agosto de 2025. Hoje, a pesquisa representa o painel mais abrangente disponível sobre o custo real da alimentação básica para as famílias brasileiras — e os dados de abril deixam claro que acompanhar esse movimento deixou de ser opcional para quem quer entender a dinâmica do consumo no país.

Via: CONAB
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