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Água no Campo: o programa paranaense que perfurou 700 poços e agora ensina o Brasil a gerir recursos hídricos

Iniciativa do IAT com R$ 10,4 milhões investidos desde 2019 é destaque no 3º Fórum Brasil das Águas, em São Luís

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Agro do Futuro & Inovação
Foto: Patryck Madeira/Arquivo SEDEST

Foto: Patryck Madeira/Arquivo SEDEST

O Paraná chega ao 3º Fórum Brasil das Águas, realizado esta semana em São Luís, no Maranhão, não apenas para participar do debate nacional sobre recursos hídricos, mas para mostrar o que já funciona. O Instituto Água e Terra (IAT), órgão vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), ocupa dois estandes no evento e apresenta, na quinta-feira (7), o programa Água no Campo durante o painel “Boas práticas que fortalecem a Gestão dos Recursos Hídricos”. A presença paranaense no fórum reflete um histórico concreto de resultados: desde 2019, o programa perfurou cerca de 700 poços artesianos em 167 municípios do Estado, com investimento total de R$ 10,4 milhões do Governo do Paraná.

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O fórum, organizado pela Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrográficas (REBOB), reúne anualmente representantes de entidades governamentais federais, estaduais e municipais, da iniciativa privada, de usuários de recursos hídricos, ONGs e sociedade civil. O objetivo é promover a gestão compartilhada e participativa da água no país, com debates sobre políticas públicas, educação ambiental e engajamento social. O evento acontece entre segunda (4) e sexta-feira (8), no Sebrae Multicenter, em São Luís.

700 poços, 167 municípios e uma lógica simples que funciona

O Água no Campo foi estruturado para resolver um problema direto: famílias rurais sem acesso à água potável e que dependem das atividades econômicas do campo. A operação do programa segue uma divisão clara de responsabilidades entre o Estado e os municípios. O IAT fornece os equipamentos de perfuração, a equipe técnica de supervisão e os kits completos, que incluem bomba, cabos, quadro de comando e reservatórios com capacidade de 10 mil ou 20 mil litros. As prefeituras, por sua vez, disponibilizam o terreno e os materiais de construção, como tubos de revestimento, filtros, combustível, areia, brita e cimento.

Esse modelo de cogestão reduz custos, acelera a execução e ancora o programa nas demandas reais de cada município, tornando-o replicável em diferentes contextos regionais. Em 2025, a capacidade operacional foi ampliada com a aquisição de três comboios, totalizando sete caminhões equipados para perfurações de até 500 metros de profundidade, o que abre espaço para atender comunidades em áreas com lençóis freáticos mais profundos.

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O modelo participativo que virou referência

Além do Água no Campo, uma comitiva de servidores do IAT e membros dos Comitês de Bacias Hidrográficas do Paraná participará de reuniões estratégicas no fórum, entre elas o Fórum Nacional de Órgãos Gestores (FNOGA), o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e a Câmara Técnica de Outorga e Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos. A participação reforça o posicionamento do Paraná como um dos estados com gestão hídrica mais estruturada do país.

Para Danielle Tortato, gerente de Gestão de Bacias do IAT, o fórum representa uma via de mão dupla. “Esse é um evento bastante importante, em que ensinamos, mostrando iniciativas de sucesso do Paraná, mas também aprendemos por meio de exemplos bem-sucedidos em outros estados”, afirma.

A gestão participativa dos recursos hídricos no Paraná se apoia em processos bem definidos, com representatividade dos diferentes segmentos da sociedade e mecanismos que garantem voz ativa à população na tomada de decisões sobre o uso da água. “O modelo participativo do Paraná em relação à administração dos recursos hídricos é referência para o País. Temos conseguido colocar em prática efetivamente essa proposta, com processos bem estruturados, representatividade dos segmentos e um esforço contínuo para garantir que a sociedade civil tenha de fato voz ativa na gestão da água”, destaca Danielle Tortato.

Educação ambiental como pilar da gestão hídrica

Os estandes do IAT no fórum também focam em educação ambiental, área que o órgão trata como parte estrutural da política de recursos hídricos, e não como ação complementar. O debate sobre gênero, formação de jovens e engajamento da sociedade civil compõe a programação do evento, alinhado à visão do IAT de que a conservação da água passa necessariamente pela construção de uma cultura hídrica nas comunidades. Esse olhar ampliado é o que diferencia o modelo paranaense e justifica sua apresentação em um palco nacional como o Fórum Brasil das Águas.

O evento está aberto ao público, com inscrições gratuitas disponíveis no site oficial da iniciativa.

Via: AEN
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