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Tratores autônomos na cana-de-açúcar: testes pioneiros apontam ganho de 20% no rendimento e queda de 10% no consumo de diesel

Tereos e Atvos conduzem operações pioneiras com tecnologia da ASI, validando a autonomia de máquinas como caminho para extrair mais produtividade das áreas já cultivadas

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Agro do Futuro & Inovação
Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

O setor sucroenergético brasileiro acaba de dar um passo concreto em direção à operação sem motorista. Tratores autônomos foram testados em condições reais de campo na cultura de cana-de-açúcar, com resultados que apontam para um aumento de até 20% no rendimento dos equipamentos e redução de até 10% no consumo de diesel, duas variáveis que pesam diretamente sobre o custo por tonelada processada nas usinas.

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As operações foram conduzidas pelas empresas Tereos e Atvos, referências na produção sucroenergética nacional, e utilizaram a tecnologia desenvolvida pela ASI, companhia americana com posição consolidada no mercado global de veículos autônomos. A validação técnica ficou a cargo da consultoria Balanced Engineering e da Agricef, responsável pela integração dos sistemas nos equipamentos já utilizados nas lavouras brasileiras.

Do evento à lavoura: como a iniciativa ganhou forma

A origem do projeto remonta à Agri-Tech Experience, evento organizado pela Balanced e pela Agricef nos Estados Unidos, em outubro de 2024. Foi nesse ambiente que produtores e gestores brasileiros tiveram contato direto com a tecnologia em operação, o que abriu caminho para a estruturação de uma aliança voltada à adaptação da solução à realidade do campo brasileiro.

Entre maio e dezembro de 2025, os tratores foram submetidos a um ciclo de testes em operações reais, com foco nas atividades de grade e subsolagem, duas etapas críticas no preparo do solo para a cana. Esses meses de campo forneceram dados concretos sobre desempenho, além de identificar os ajustes necessários para que a tecnologia respondesse às particularidades da topografia nacional e ao padrão operacional das usinas brasileiras.

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“Este foi o primeiro passo para adaptar soluções autônomas já consolidadas no mundo à realidade brasileira. A criação da aliança foi fundamental para abrir as portas dessa inovação no Brasil e estamos certos de que essa tecnologia trará ainda mais eficiência, segurança e sustentabilidade para nossas ações no campo”, afirmou Everton Carpanezi, diretor de Operações Agroindustriais da Tereos.

Produtividade sem expandir área

Um dos pontos mais relevantes identificados nos testes é o potencial da automação para aumentar a capacidade operacional sem a necessidade de incorporar novas áreas ao cultivo. Esse aspecto é estratégico para o setor sucroenergético, que opera sob pressão constante para ampliar produção dentro dos limites das propriedades já consolidadas, respeitando restrições ambientais e de uso do solo.

A autonomia dos equipamentos permite maior constância nas operações, reduzindo falhas causadas por fadiga, variações de ritmo entre turnos e imprecisões no alinhamento das passadas. Consequentemente, a máquina trabalha com maior regularidade ao longo do dia, o que eleva a eficiência global da frota sem demandar investimento em hectares adicionais.

“Os resultados iniciais reforçam que as operações autônomas tendem a se consolidar como uma realidade no campo, contribuindo para uma agricultura cada vez mais sustentável”, destacou Efraim Albrecht, diretor de operações da Agricef.

A preparação de quem vai supervisionar as máquinas

A transição para frotas autônomas exige mais do que tecnologia instalada. Paralelamente aos testes com os equipamentos, profissionais estão sendo capacitados para atuar na supervisão remota das máquinas, no diagnóstico de falhas à distância e na gestão dos dados gerados durante as operações. Essa formação técnica é parte do processo de implantação e determina, em grande medida, o aproveitamento real do sistema no dia a dia das usinas.

A sincronização entre os diferentes equipamentos que atuam no campo, tratores, colhedoras e frota de apoio, é outro elemento central para que os ganhos projetados se materializem na prática. Alexandre Maganhato, vice-presidente de Tecnologia, Inovação e Engenharia da Atvos, aponta esse alinhamento como condição para os resultados esperados: “Com a sincronização de todos os equipamentos agrícolas envolvidos, conseguiremos não apenas otimizar processos e reduzir custos, mas também contribuir para uma agricultura mais sustentável e eficiente”.

Próximos ciclos e o que ainda precisa evoluir

Os testes realizados até o momento deixaram claro que a adaptação da tecnologia ao Brasil ainda está em curso. Aspectos como a variação do relevo em diferentes regiões produtoras e as exigências operacionais específicas da cana demandam atualizações no sistema para que ele funcione com plena eficiência nas condições locais. Novos ciclos de testes estão previstos, com foco em ampliar o portfólio de operações validadas e refinar os parâmetros de desempenho para cada tipo de solo e configuração de lavoura.

O avanço da automação na cana-de-açúcar sinaliza uma mudança estrutural no modelo de gestão das usinas. À medida que os sistemas ganham maturidade e os dados acumulados orientam novos ajustes, a operação autônoma deve deixar de ser experimento e passar a integrar o planejamento operacional das safras brasileiras.

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