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São Paulo já foi terra de araucárias — e uma exposição gratuita lembra o que a urbanização apagou

Com mural, performances e degustação de pinhão, a mostra Adote uma Araucária fica aberta de 25 de abril a 24 de maio no Espaço Canteiro

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Eco, Clima & Sustentabilidade
Foto: Daniel de Oliveira/Divulgação

Foto: Daniel de Oliveira/Divulgação

A paisagem de São Paulo guarda uma memória vegetal que o concreto foi cobrindo ao longo de décadas. A araucária, árvore milenar que marcou o território paulistano muito antes de a cidade se consolidar como metrópole, hoje resiste de forma quase residual na capital. É justamente esse apagamento que a artista Cristina Canepa coloca no centro de Adote uma Araucária, exposição gratuita com abertura em 25 de abril, na Vila Madalena.

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A mostra ocupa o Espaço Canteiro, na Rua Purpurina, 434, e fica em cartaz até 24 de maio, com entrada gratuita. Ao todo, são mais de 15 peças e um mural de grandes dimensões que narra a trajetória da espécie ao longo do tempo, desde sua presença abundante no cotidiano paulistano até o gradual desaparecimento diante da expansão urbana.

Antes da exposição, a cidade virou palco

O projeto teve como prólogo uma caminhada performativa realizada em 18 de abril, que conectou o Pateo do Collegio ao Largo de Pinheiros, dois pontos carregados de história na geografia da cidade. Sob direção de Fernanda Bueno, do Balé da Cidade de São Paulo, um grupo de performers ocupou as ruas com figurinos que evocavam elementos da natureza, transformando o espaço urbano em suporte para as perguntas que estruturam a exposição.

Essa escolha de percurso não é aleatória. O nome do bairro Pinheiros carrega, nele mesmo, a evidência de um passado verde que a cidade foi suprimindo. Conectar esses dois pontos a pé, com arte no meio do caminho, é um gesto que antecipa o tom da mostra: fazer o habitante da cidade olhar para o que está debaixo do asfalto — ou do que um dia esteve.

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O que o visitante vai encontrar

Com curadoria de Yasmine Ostendorf-Rodríguez, a exposição combina obras visuais com experiências sensoriais. O visitante que chegar ao Espaço Canteiro vai encontrar não apenas trabalhos plásticos, mas também degustações de pinhão e encontros com convidados que integram a programação ao longo das semanas. Além disso, é possível levar para casa sementes ou mudas de araucária, acompanhadas de orientações de cultivo — o que transforma a visita em um ato concreto de conservação.

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Parte do processo de criação da artista envolveu escuta ativa. Moradores e frequentadores do centro paulistano foram ouvidos para mapear as percepções sobre as mudanças na paisagem urbana, o que confere ao projeto uma camada documental que ultrapassa o campo estritamente artístico.

Araucária: símbolo de um bioma em retração

A Araucaria angustifolia é uma das espécies mais emblemáticas da Mata Atlântica e figura na lista de espécies ameaçadas de extinção. Sua ocorrência natural se concentra no Sul do Brasil e em áreas de altitude do Sudeste, mas registros históricos indicam presença expressiva em regiões que hoje estão completamente urbanizadas. O pinhão, semente da araucária, foi fonte de alimentação para povos originários e para gerações de paulistanos do interior — um dado que reforça o quanto essa árvore faz parte de uma identidade territorial hoje invisibilizada.

A exposição, ao colocar essa espécie no centro de uma reflexão urbana, posiciona a araucária não como curiosidade botânica, mas como marcador de um processo mais amplo: o da supressão sistemática da vegetação nativa nas cidades brasileiras.

Como visitar

Adote uma Araucária funciona às quintas e sextas, das 14h às 18h, e aos sábados, das 11h às 16h. A entrada é gratuita. Mais informações podem ser acessadas pelo perfil da artista no Instagram: @criscanepa.art.

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