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Pitaia nas escolas do Paraná: 48 toneladas da fruta-do-dragão chegam às mesas de 297 escolas em 2026

Expansão de 20% no volume distribuído movimenta cerca de 2.400 famílias da agricultura familiar e transforma o cardápio de 300 mil estudantes da rede estadual

Revisão: Derick Machado
17 de maio de 2026
in Noticias
Foto: Andre Marques/SEED

Foto: Andre Marques/SEED

A rede estadual de ensino do Paraná vai receber 48 toneladas de pitaia in natura ao longo de 2026, volume 20% superior ao distribuído no ano anterior. Só no primeiro trimestre, 297 escolas estaduais de 71 municípios já foram abastecidas com a fruta, que chega às unidades de ensino na forma in natura, em sucos ou em saladas. O crescimento não é apenas nutricional: por trás de cada quilo entregue há famílias da agricultura familiar que encontraram na pitaia uma fonte concreta de renda e estabilidade produtiva.

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O programa integra o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e é conduzido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar). Desde o projeto piloto, iniciado em 2024, a distribuição já alcançou quase mil escolas e aproximadamente 300 mil estudantes, o equivalente a um terço de todos os alunos matriculados na rede estadual paranaense.

Valor nutricional que justifica a escolha

A pitaia, popularmente conhecida como fruta-do-dragão, não entrou no cardápio escolar por modismo. Rica em fibras, ela contribui para a regulação intestinal e o controle dos níveis de açúcar no sangue. O teor calórico é baixo, e o perfil nutricional inclui vitaminas A, C e E, além de minerais como ferro, cálcio, magnésio e zinco, nutrientes essenciais para o desenvolvimento de crianças e adolescentes em idade escolar.

A inclusão da fruta segue uma estratégia mais ampla de diversificação do cardápio da rede estadual. Em 2025, produtos como guabiroba, juçara e araçá já compunham o menu de 226 escolas. Água de coco e pão de queijo foram incorporados entre 2025 e 2026, com distribuição ampliada para as 2.080 unidades da rede. A pitaia, contudo, se destaca pelo volume crescente e pelo alcance já consolidado nas primeiras entregas de 2026.

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Para o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a iniciativa conecta três dimensões que raramente caminham juntas. “Ao mesmo tempo em que levamos alimentos nutritivos e diversificados às escolas, incentivamos a agricultura familiar, gerando renda e desenvolvimento no campo. É uma política que conecta saúde, educação e economia local”, afirma.

Agricultura familiar como base produtiva

A produção de pitaia no Paraná está concentrada na agricultura familiar. O estado reúne cerca de 47,9 mil famílias nesse segmento, das quais 17 mil já fornecem ao PNAE. Essa estrutura produtiva responde por aproximadamente 75% dos empreendimentos rurais paranaenses e sustenta uma diversidade de cultivos que vai muito além dos grãos tradicionais.

No caso da pitaia, a atividade exige manejo intensivo, colheita manual e acompanhamento constante das lavouras, o que favorece a mão de obra familiar em detrimento da mecanização em larga escala. Atualmente, 449 famílias da região de Cornélio Procópio, 928 da região de Maringá, 931 da região de Apucarana e 151 da região de Cascavel estão diretamente envolvidas com o cultivo da fruta, totalizando mais de 2.400 famílias nos principais polos produtores do estado.

O resultado dessa organização produtiva é expressivo: em 2024, o Paraná colheu 3,8 mil toneladas de pitaia em uma área de 333 hectares, gerando um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 41,7 milhões. O estado ocupa hoje a quarta posição no ranking nacional de produção da fruta, avanço considerável em relação à sétima posição registrada no Censo Agropecuário de 2017, quando o Paraná respondia por 3,4% do VBP nacional.

Polos produtores e municípios que lideram o cultivo

A produção de pitaia está distribuída por 155 municípios paranaenses, mas a concentração nas regiões Noroeste e Norte é evidente. Cornélio Procópio lidera com 25% da produção estadual, seguida por Maringá (19%), Cascavel (12%), Apucarana (11%), Jacarezinho (10%) e Curitiba (5%). Juntas, essas regiões respondem por 82% das 3,1 mil toneladas produzidas anualmente no estado.

No recorte municipal, Carlópolis, na região de Jacarezinho, aparece na liderança com participação de 7,4% e VBP de R$ 3,1 milhões. Nova América da Colina, na região de Cornélio Procópio, ocupa o segundo lugar, com 5,9% e R$ 2,5 milhões gerados. Marialva e Mandaguari, ambas na região de Maringá, completam o grupo dos principais produtores, com participações de 5,6% e 5,3%, respectivamente.

O cultivo no Paraná teve início por volta de 2017, nas cidades de Jandaia do Sul e Umuarama, no Noroeste do estado, e se expandiu progressivamente para outras regiões, acompanhando o crescimento da demanda institucional e o interesse dos produtores familiares por culturas com maior valor agregado.

Do projeto piloto à política consolidada

A trajetória da pitaia nas escolas paranaenses começou de forma experimental. O projeto piloto, lançado em 2024 pelo Fundepar, testou a aceitação da fruta nas unidades de ensino e avaliou a capacidade de organização dos fornecedores da agricultura familiar para atender a uma demanda regular e crescente. Os resultados foram positivos o suficiente para ampliar a distribuição de forma consistente a cada ciclo.

Para a diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, a expansão das entregas reflete a maturidade dessa cadeia produtiva. “A ampliação da distribuição ao longo dos anos demonstra boa aceitação nas escolas e a capacidade de organização da agricultura familiar. É uma ação que conecta a escola ao campo, com impacto direto na alimentação dos estudantes”, destaca.

A fruta tem origem nas regiões tropicais do México e da América Central, mas ganhou escala comercial principalmente em países asiáticos, como Vietnã e China. No Brasil, os primeiros registros de cultivo datam do início dos anos 2000, no município paulista de Itajobi, e a comercialização em maior escala começou em 2005, no Rio de Janeiro. No Paraná, o cultivo chegou cerca de uma década depois e hoje movimenta uma cadeia que vai do campo às cantinas das escolas estaduais, gerando renda, diversificando a produção familiar e qualificando a alimentação de centenas de milhares de estudantes.

Via: AEN
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