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O que é Bokashi e por que ele está no canteiro de quem entende de solo

Da floricultura à lavoura, o composto fermentado prova que bioinsumo bom não precisa ser caro nem complicado

Revisão: Derick Machado
17 de maio de 2026
in Jardinagem & Cuidados
bokashi

Eu descobri o bokashi meio por acaso. Estava procurando uma forma de aproveitar os resíduos orgânicos que se acumulam aqui na Mel Garden, entre folhas, cascas de frutas, restos de poda e sobras de substrato, sem precisar esperar meses pela compostagem convencional. Uma cliente me falou sobre a técnica. Pesquisei, tentei, errei um pouco, acertei bastante. Hoje não consigo imaginar minha floricultura sem ele.

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O bokashi é um composto fermentado de origem japonesa. O nome vem do japonês e significa, grosso modo, “matéria orgânica fermentada”. A técnica foi desenvolvida pelo microbiologista Teruo Higa na década de 1980, e o princípio é simples: resíduos orgânicos são misturados a um grupo de microrganismos eficientes, os chamados EM (Effective Microorganisms), e passam por um processo de fermentação anaeróbica, ou seja, sem oxigênio. O resultado é um insumo rico em ácidos orgânicos, enzimas, vitaminas e microrganismos benéficos que ativam a vida do solo.

Fermentação, não decomposição

Aqui mora a diferença que muita gente ignora. Na compostagem tradicional, a matéria orgânica se decompõe com calor e oxigênio. No bokashi, ela fermenta. O processo é mais rápido, não gera mau cheiro quando feito corretamente, e preserva uma quantidade maior de nutrientes. Isso porque a fermentação não queima a matéria orgânica. Ela a transforma.

O material pronto tem cheiro levemente adocicado, parecido com fermentação de cerveja ou pão. Quando o cheiro é azedo demais ou putrefato, algo saiu errado, geralmente excesso de umidade ou falta de EM. Aprendi isso na prática, depois de uma fornada que precisei descartar.

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Na Mel Garden, uso farelo de trigo ou arroz como substrato base, misturo com os resíduos orgânicos do dia, adiciono melaço diluído em água como fonte de energia para os microrganismos, e incorporo o bokashi, que eu mesma preparo ou compro em casas agropecuárias. A mistura vai para um balde vedado, longe do sol direto, por cerca de duas semanas. O processo de cura no solo leva mais alguns dias, mas o impacto nas plantas é visível.

O que o bokashi faz pelo solo e pelas plantas

Quando o bokashi é incorporado ao solo ou ao substrato, os microrganismos eficientes continuam trabalhando. Eles competem com organismos patogênicos, suprimem fungos e bactérias causadores de doenças, e aceleram a decomposição de matéria orgânica já presente no solo. Além disso, disponibilizam nutrientes de forma gradual, o que evita o estresse por excesso de adubação, problema comum quando se usa adubo químico de forma indiscriminada.

Nas minhas flores, percebo diferença especialmente na resistência das plantas e no desenvolvimento radicular. Raiz forte sustenta planta saudável. Planta saudável floresce bem. Para quem trabalha com flores, não há argumento melhor que esse.

Aliás, o bokashi não substitui todos os adubos, e nunca defendi isso. Ele é parte de uma estratégia de nutrição mais inteligente. Contudo, em substratos para vasos e canteiros, ele reduz significativamente a necessidade de adubação química, e isso se traduz em custo menor por ciclo de produção.

Como preparar em casa ou na propriedade

O preparo é acessível. Não exige equipamentos caros nem espaço grande. Farelo de arroz ou trigo, melaço, água não clorada e bokashi são os ingredientes principais. A proporção mais usada é: para cada 10 quilos de resíduo orgânico, cerca de 100 ml de EM ativado diluído em água com melaço. A mistura deve ter umidade suficiente para aglomerar ao ser apertada na mão, mas sem escorrer água. Vai para o recipiente vedado, prensada para expulsar o ar, e fica em fermentação por 10 a 15 dias em local fresco e protegido.

Depois de pronto, o material precisa ser incorporado ao solo e passar por um período de maturação de 7 a 15 dias antes do plantio. Aplicado diretamente sobre raízes sem esse tempo de cura, o pH ácido do produto pode estressar as plantas. Esse detalhe é importante e muita gente pula.

Do vaso ao campo

O que começou como técnica para pequenos jardins e hortas urbanas chegou às lavouras. Produtores de hortaliças, cafeicultores e produtores de frutas já incorporaram o bokashi como parte do manejo de fertilidade do solo, especialmente em sistemas orgânicos e de base agroecológica. A lógica é a mesma: ativar a biologia do solo, reduzir insumos externos e melhorar a estrutura física do terreno ao longo do tempo.

Por isso, quando alguém me pergunta se vale a pena aprender a fazer bokashi, minha resposta é direta. Vale para quem tem um vaso na varanda. Vale para quem cuida de um jardim. E vale, com ainda mais razão, para quem depende do solo para produzir.

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