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Nova sucuri da Amazônia pode chegar a 200 kg e muda o que sabemos sobre predadores gigantes

A recém-identificada Eunectes akayima vive no norte da América do Sul e impressiona pelo tamanho, comportamento e importância ecológica

Revisão: Derick Machado
8 de maio de 2026
in Clima e Sustentabilidade
Nova sucuri da Amazônia pode chegar a 200 kg e muda o que sabemos sobre predadores gigantes

Entre águas escuras e margens alagadas da floresta amazônica, um dos maiores predadores do continente sul-americano acaba de ganhar um novo nome. A sucuri-verde, conhecida por seu tamanho imponente e por protagonizar o imaginário popular, não é mais uma só. Pesquisadores descobriram que ela é, na verdade, composta por duas espécies distintas — sendo a recém-identificada Eunectes akayima a mais nova gigante dos ecossistemas amazônicos.

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Com mais de seis metros de comprimento e podendo ultrapassar 200 quilos, essa nova espécie foi descrita recentemente em uma publicação científica que analisou geneticamente dezenas de exemplares coletados ao longo de anos em rios e igarapés da América do Sul. Embora seja visualmente quase idêntica à já conhecida Eunectes murinus, a nova cobra apresenta diferenças genéticas profundas que surpreenderam até os cientistas mais experientes.

Uma gigante silenciosa que domina o norte da Amazônia

Segundo a professora Maria Cristina dos Santos Costa, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA), a descoberta reforça o papel das serpentes como predadoras de topo, fundamentais para o equilíbrio dos biomas onde vivem. “Por serem carnívoras, controlam populações de herbívoros e até de outros carnívoros menores. A ausência delas poderia causar desequilíbrios ecológicos significativos”, explica.

A Eunectes akayima habita regiões mais ao norte do continente, como Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana, Equador e também áreas da Amazônia brasileira. Já a Eunectes murinus permanece nas bacias mais ao sul, incluindo territórios do Brasil, Peru e Bolívia. Ambas compartilham o mesmo comportamento de caça por emboscada e a preferência por ambientes úmidos, de águas lentas e cobertas por vegetação densa.

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Caçadora de emboscada e de força monumental

Apesar de não ser peçonhenta, a sucuri-verde-do-norte impressiona pelo porte e pela potência física com que domina suas presas. De acordo com o professor Guarino Colli, do Departamento de Zoologia da Universidade de Brasília (UnB), essas cobras utilizam a técnica de constrição, ou seja, enrolam-se rapidamente em torno da presa e a sufocam até que cesse a respiração, antes de engoli-la por inteiro.

“Elas são caçadoras extremamente pacientes, que sabem usar o silêncio e a camuflagem a seu favor. Em geral, ficam quase invisíveis sob a água, à espera do momento exato para atacar”, afirma o especialista. Entre os alimentos prediletos da espécie estão aves aquáticas, peixes, capivaras e até jacarés, o que reforça sua posição dominante na cadeia alimentar da região.

Raramente agressiva, mas digna de respeito

Apesar do tamanho e da força impressionantes, ataques a humanos são extremamente raros, segundo os pesquisadores. “O animal é potencialmente perigoso pelo porte, mas não há histórico frequente de incidentes. O cuidado principal deve ser redobrado em áreas de rios e igarapés onde a espécie é comum, especialmente durante o período de cheia”, alerta Colli.

A maior sucuri já registrada por cientistas atingiu 6,3 metros, embora haja relatos populares de exemplares ainda maiores — alguns beirando os oito metros, porém sem medições científicas confirmadas. Esses relatos, no entanto, alimentam a mística em torno do animal, que há séculos habita lendas e histórias contadas por ribeirinhos e exploradores da floresta.

A ciência por trás do mito

Para diferenciar as duas espécies, os pesquisadores analisaram amostras de sangue e tecidos de cobras em diferentes pontos da América do Sul. O que encontraram foi uma divergência genética de até 5,5% entre as populações do norte e do sul, uma diferença significativa em termos de biodiversidade, equivalente à encontrada entre espécies totalmente distintas em outros grupos de animais.

A própria origem do nome akayima presta homenagem a povos indígenas da região amazônica, reforçando o vínculo entre conhecimento científico e saberes tradicionais. A expectativa agora é que a descoberta incentive novas políticas de proteção às áreas onde essa espécie habita, uma vez que muitas delas estão ameaçadas pelo avanço do desmatamento e das atividades humanas.

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