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Nova flor azul da Mata Atlântica revela riqueza escondida em formação rochosa da Bahia

Espécie recém-descrita da família Verbenaceae foi encontrada em um inselbergue de Guaratinga e recebeu nome em homenagem à botânica Rafaela Forzza

Revisão: Derick Machado
19 de maio de 2026
in Jardinagem & Cuidados
Nova flor azul da Mata Atlântica revela riqueza escondida em formação rochosa da Bahia
Resumo

• Uma nova espécie de flor azul da família Verbenaceae foi descrita na Mata Atlântica da Bahia, com ocorrência restrita à Pedra do Oratório, um inselbergue em Guaratinga.
• A descoberta teve início a partir de registros fotográficos publicados no iNaturalist, evidenciando a importância da ciência cidadã para revelar espécies raras.
• A confirmação científica exigiu coleta em área de difícil acesso e análises morfológicas, anatômicas e palinológicas detalhadas.
• A espécie recebeu o nome Stachytarpheta forzzae em homenagem à botânica Rafaela Campostrini Forzza, referência na pesquisa e conservação da flora brasileira.
• Avaliada como Criticamente em Perigo, a nova planta reforça a urgência de proteger inselbergues, ambientes que funcionam como refúgios de biodiversidade.

A ciência botânica ganhou um novo capítulo com a descrição de uma espécie inédita de flores azuis descoberta em plena Mata Atlântica baiana. Publicado em 6 de dezembro no Nordic Journal of Botany, o estudo apresenta a Stachytarpheta forzzae, uma planta de ocorrência extremamente restrita, encontrada exclusivamente na Pedra do Oratório, um inselbergue — formação rochosa isolada, semelhante ao Pão de Açúcar — localizado no município de Guaratinga, no sul da Bahia.

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A descoberta chama atenção não apenas pela beleza da floração, mas sobretudo pelo contexto ecológico singular em que a espécie se desenvolve.

Uma descoberta que começou com ciência cidadã

O primeiro indício da existência da nova espécie surgiu de forma inesperada, a partir de registros fotográficos publicados na plataforma iNaturalist pelo pesquisador Cássio van den Berg, da Universidade Estadual de Feira de Santana. As imagens despertaram o interesse de Pedro Henrique Cardoso, pesquisador da Escola Nacional de Botânica Tropical e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que percebeu ali características morfológicas incomuns dentro do gênero Stachytarpheta. Até então, apenas uma espécie desse grupo havia sido registrada em ambientes de inselbergue, já que seus representantes são mais conhecidos por ocorrerem em campos rupestres da Cadeia do Espinhaço e da Chapada dos Veadeiros.

Segundo o próprio Cardoso, o papel da plataforma foi decisivo. Sem esses registros, a planta poderia ter permanecido desconhecida por muitos anos, o que evidencia como ferramentas de ciência cidadã vêm se consolidando como aliadas relevantes na pesquisa botânica contemporânea.

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O desafio do acesso e a importância do conhecimento local

Confirmar a existência da nova espécie exigiu mais do que análise de imagens. A coleta de material botânico ocorreu em um local de acesso extremamente difícil, sendo viabilizada com o apoio de um morador da região, Wilton Silva dos Santos. A participação foi fundamental para que os pesquisadores alcançassem a área onde a planta cresce de forma natural, reforçando a importância do conhecimento local na investigação científica e na documentação da biodiversidade brasileira.

A partir das amostras coletadas, os autores realizaram análises morfológicas detalhadas, além de estudos palinológicos e anatômicos, que confirmaram tratar-se de uma espécie até então desconhecida pela ciência.

Uma homenagem à botânica brasileira

O nome Stachytarpheta forzzae foi escolhido como forma de homenagear Rafaela Campostrini Forzza, pesquisadora vinculada ao ICMBio e ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Reconhecida por sua atuação rigorosa e visionária na botânica, Rafaela Forzza tem papel central no avanço do conhecimento e na conservação da flora brasileira. No próprio artigo, os autores destacam que sua trajetória científica deixou um legado sólido, capaz de inspirar novas gerações de pesquisadores comprometidos com a biodiversidade.

Conservação urgente em um ambiente frágil

A descrição da nova espécie veio acompanhada de um alerta importante. A avaliação preliminar de risco de extinção indica que a Stachytarpheta forzzae se encontra em estado Criticamente em Perigo. A ocorrência restrita a um único inselbergue torna a espécie altamente vulnerável a impactos ambientais, sejam eles naturais ou provocados pela ação humana.

Para Pedro Henrique Cardoso, a descoberta reforça a urgência de proteger a Pedra do Oratório e ampliar os esforços de coleta e pesquisa na região, mesmo diante das dificuldades de acesso. Ele ressalta que fortalecer a taxonomia e o inventário da flora não é apenas um exercício acadêmico, mas uma etapa indispensável para compreender, valorizar e conservar a diversidade vegetal brasileira.

Inselbergues como refúgios de biodiversidade

Casos como o da Stachytarpheta forzzae evidenciam o papel dos inselbergues como verdadeiros refúgios de biodiversidade. Isolados e submetidos a condições ambientais extremas, esses ambientes favorecem o surgimento de espécies endêmicas, muitas vezes invisíveis aos olhos da ciência por décadas. Cada nova descrição amplia o entendimento sobre a complexidade da flora brasileira e reforça a necessidade de olhar com mais atenção para paisagens

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