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Março registra a maior alta generalizada de hortaliças desde 2025, liderada por cenoura e cebola

Clima desfavorável nas regiões produtoras e fim de safra explicam a pressão nos preços dentro das Ceasas

Revisão: Derick Machado
6 de junho de 2026
in Agro do Futuro & Inovação
Março registra a maior alta generalizada de hortaliças desde 2025, liderada por cenoura e cebola

Os dados do Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgados em abril revelam um cenário de alta generalizada nas hortaliças durante março, com intensidade que não se via desde os períodos mais críticos de 2025. Cenoura, cebola e tomate lideraram as valorizações nas principais Ceasas do país, pressionadas por uma combinação de fatores que vai das chuvas nas regiões produtoras ao encerramento antecipado de safras estaduais. Entre as frutas, o comportamento foi misto, com melancias e bananas em alta, enquanto maçãs e laranjas recuaram por razões opostas.

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A cenoura registrou a maior valorização entre todas as hortaliças monitoradas pela Conab em março, com elevação média de 59,9% nas Ceasas analisadas. O movimento rompe um ciclo de relativa estabilidade que se mantinha desde agosto de 2025, quando as oscilações de preço se tornaram mais brandas. O gatilho dessa ruptura foi climático: as chuvas intensas nas regiões produtoras reduziram significativamente o ritmo de colheita, comprometendo a reposição dos estoques nos entrepostos atacadistas.

Para o analista de mercado do setor hortifrutigranjeiro Marcelo Pereira, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), a cenoura é um dos produtos mais sensíveis à irregularidade climática no curto prazo. “A cultura tem ciclo relativamente curto, mas qualquer interrupção na colheita por excesso de umidade se traduz quase que imediatamente em redução da oferta no atacado. O produtor não consegue entrar no campo, e a Ceasa sente isso na semana seguinte”, explica.

Aliás, a recuperação dos preços tende a ser gradual, uma vez que o replantio e o novo ciclo produtivo demandam semanas até retornar ao volume anterior, o que pode manter a pressão sobre as cotações ao longo de abril.

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Cebola fecha safra e preço reflete a escassez

A cebola teve a segunda maior valorização entre as hortaliças, com alta de 52,1%. O principal fator foi o recuo expressivo nos envios oriundos de Santa Catarina, maior produtor nacional da cultura, que registrou queda de 41,7% no volume expedido em março. Esse dado, por si só, indica o encerramento praticamente completo da safra 2025/26 no estado, que tradicionalmente abastece grande parte do mercado nacional entre o segundo semestre e o início do ano seguinte.

A sazonalidade do produto impõe um período de transição entre safras em que a oferta naturalmente encolhe, e a reposição depende das lavouras de outras regiões produtoras, como São Paulo e Rio Grande do Sul, que ainda estão em desenvolvimento ou colheita parcial. Consequentemente, o mercado opera com menor volume disponível, e os compradores acabam pagando mais pelo produto restante em circulação.

Tomate sobe pelo terceiro mês consecutivo

O tomate apresentou alta média de 38,8% nas Ceasas acompanhadas pela Conab em março, acumulando uma trajetória de valorização que se estende desde dezembro de 2025. A dinâmica que sustenta esse movimento é conhecida pelos operadores do setor: a desaceleração da safra de verão ainda não foi compensada pelo início da safra de inverno, que se encontrava em estágio inicial em março. Esse intervalo entre safras reduz a disponibilidade efetiva do produto no mercado, ao mesmo tempo que a demanda segue pressionada, especialmente no consumo do varejo e do food service.

Segundo a pesquisadora Vanessa Lima, especialista em mercados hortícolas da Embrapa Hortaliças, o comportamento do tomate em março seguiu um padrão previsível para quem acompanha o calendário agrícola com atenção. “A janela entre o fim da safra de verão e o volume pleno da safra de inverno é um momento clássico de aperto na oferta. O que torna 2025/26 mais sensível é que as condições climáticas durante o verão foram irregulares em algumas regiões produtoras, o que afetou tanto o volume quanto a qualidade dos frutos”, afirma.

Batata e alface completam o quadro de alta

A batata registrou alta pelo segundo mês consecutivo, com valorização de 18,9% em março. As chuvas nas regiões produtoras, com destaque para a Bahia, exerceram influência pontual sobre a oferta ao longo do mês, comprometendo parte da disponibilidade do produto nos entrepostos. Por outro lado, a incidência pontual desses eventos climáticos não foi suficiente para desencadear uma ruptura mais severa no abastecimento, o que explica a alta mais moderada em comparação à cenoura e à cebola.

O alface, hortaliça mais comercializada nas Ceasas brasileiras, também registrou valorização em março, de 4,9% em média, porém com intensidade desacelerada em relação aos meses anteriores. A demanda manteve-se aquecida ao longo do período, impulsionada pelo calor e pelas chuvas frequentes que, além de estimular o consumo, dificultaram a colheita e provocaram perdas no campo, reduzindo o volume entregue nos entrepostos.

Frutas: melancias e bananas sobem, maçãs e laranjas recuam

O comportamento das frutas em março foi mais heterogêneo do que o das hortaliças, refletindo os diferentes estágios de oferta de cada produto. A melancia registrou a maior valorização entre as frutas, com alta de 10,81%. O encerramento da safra gaúcha reduziu o fornecimento às Ceasas em 60% em relação a fevereiro, enquanto os custos de produção da última colheita foram pressionados pelos gastos com fertilizantes, logística e, principalmente, pelas pulverizações necessárias para o controle de doenças fúngicas, que exigiram mais investimento do produtor neste ciclo.

A banana nanica também subiu 10,5%, sustentada pela retração na produção de regiões importantes como a microrregião de Registro, no interior de São Paulo, e o norte catarinense, além de localidades mineiras, baianas e capixabas. A queda no volume produzido nessas áreas se refletiu diretamente na quantidade entregue aos entrepostos, pressionando os preços para cima.

No campo das baixas, a maçã recuou 8,89%, favorecida por uma colheita expressiva no mês que ampliou a oferta e permitiu até a exportação de frutas maiores e mais vistosas na primeira quinzena de março. A laranja teve queda de 2%, com o fornecimento no cinturão citrícola crescendo 2,84% nos entrepostos atacadistas. Contudo, para abril e maio, projeta-se redução gradual na oferta e leve alta de preços, à medida que a disponibilidade diminui antes da próxima safra. O mamão recuou 1,8%, beneficiado pelo aumento no volume oriundo da Bahia e do Espírito Santo, que elevaram a pressão de oferta sobre os preços do produto nos mercados consumidores.

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