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A flor que parece tapete persa e usa cheiro de carniça para sobreviver

A primeira vez que vi a Edithcolea grandis florescer, parei tudo que estava fazendo. As pétalas pareciam um tapete persa antigo, com manchas em vermelho, laranja e marrom.

Ela pertence à família Apocynaceae, não à Asclepiadaceae como ainda se repete por aí. É do mesmo grupo das Stapelia e Orbea, essas outras suculentas estreladas que muita gente ama.

A origem também é outra. Não vem do Sudão. A Edithcolea grandis é nativa do Chifre da África: Etiópia, Somália, Quênia e Tanzânia, sempre em solos rochosos e áridos.

Os caules crescem rasteiros, sem folhas, chegando a 30 cm. A flor é grande, estrelada e cheira a carne podre, estratégia para atrair moscas e garantir a polinização.

O substrato faz toda a diferença: 70% a 80% de mineral, como pedrisco ou perlita, e no máximo 30% de terra vegetal. Mistura rica em matéria orgânica retém umidade e apodrece a planta.

Ela não é fácil, e não pretende ser. Mas poucas suculentas ensinam tanto sobre substrato, luz e disciplina no frio quanto essa africana que decidiu se disfarçar de tapete para sobreviver.