POR:: MANIA DE PLANTAS
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Cerca de 70% das espécies exóticas invasoras registradas no Brasil têm origem ornamental. Elas entraram como escolha estética e saíram dos limites do jardim.
Um relatório da BPBES revelou que plantas de jardim são a principal porta de entrada de invasões biológicas vegetais no país, não casos isolados.
A palmeira-australiana, introduzida por sua elegância, invadiu a reserva de Mata Atlântica da Cidade Universitária e competiu diretamente com espécies nativas do bioma.
Ao tentar controlar a palmeira invasora, pesquisadores enfrentaram protesto público. As pessoas achavam que a intervenção destruía a flora local, não que a protegia.
Crescimento rápido, alta reprodução e resistência ao clima são qualidades valorizadas no paisagismo. São exatamente essas qualidades que facilitam a invasão fora do jardim.
O lírio-do-brejo, trazido da Ásia como ornamental, hoje invade canais e riachos no Sul e Sudeste, causa entupimentos em hidrelétricas e expulsa vegetação nativa de seu habitat.
Espécies invasoras custam entre 2 e 3 bilhões de dólares por ano ao Brasil, com impactos sobre agricultura, infraestrutura, saúde pública e serviços ambientais.
Um levantamento urbano em Curitiba encontrou que 58% das espécies vegetais registradas na cidade eram exóticas, muitas delas comuns em jardins e praças públicas.
Viveiristas pressionam contra a classificação de espécies como invasoras. O Brasil ainda não tem lista nacional oficial, e isso afeta arquitetos, viveiros e órgãos públicos.
Guias de plantas nativas ornamentais e plataformas como a Arquiflora mostram que é possível fazer paisagismo bonito sem usar espécies que ameaçam a biodiversidade local.