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Cem variedades de milho desaparecem por ano e quase ninguém está olhando para isso

POR:: MANIA DE PLANTAS

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O mundo perde cerca de 100 variedades crioulas de milho por ano. Cada uma representa séculos de adaptação a um solo, um clima e uma cultura específicos.

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O milho foi domesticado por civilizações mesoamericanas ao longo de milênios. A Revolução Verde dos anos 1960 substituiu essa diversidade por híbridos de alto rendimento em pouquíssimo tempo.

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Híbridos comerciais não produzem descendentes com as mesmas características. Quem planta é obrigado a comprar sementes novas a cada safra, encerrando a seleção local acumulada por gerações.

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Variedades crioulas carregam genes de resistência a fungos, tolerância à seca e perfis nutricionais únicos. Informação biológica que levou séculos para se formar não pode ser recriada do zero.

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Quando a Praga da Batata Irlandesa chegou no século XIX, não havia alternativa genética disponível. Mais de 1 milhão de pessoas morreram. O milho global caminha para a mesma fragilidade.

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Bancos como o Svalbard preservam o genoma, mas não a adaptação. Uma semente congelada há 30 anos não evoluiu, não respondeu a novas pragas nem às mudanças no clima.

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Agricultores familiares do Sul do Brasil mantêm coleções de variedades que não existem em nenhum banco do mundo. A pesquisa mostrou que essas sementes têm variabilidade genética maior que amostras congeladas.

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Quando o agricultor que guarda a semente envelhece sem transferir o conhecimento, o vínculo entre a planta e o território que a moldou é cortado para sempre.